Martine Grael é a velejadora brasileira que, ao lado de Kahena Kunze, ganhou o ouro olímpico na classe 49erFX duas vezes seguidas: na Rio 2016, dentro da baía de Guanabara, e em Tóquio 2020, nas águas de Enoshima. Nascida em Niterói em 12 de fevereiro de 1991, filha de Torben Grael e sobrinha de Lars Grael, ela cresceu numa casa onde vento e regata eram assunto de almoço. Depois dos dois ouros, encarou a volta ao mundo na Volvo Ocean Race e virou a primeira mulher no leme de um barco da SailGP. Vem com a gente, porque a fase mais recente teve reviravolta em setembro de 2026.
| Item | Martine Grael |
|---|---|
| Nascimento | 12/02/1991, Niterói (RJ) |
| Família na vela | Filha de Torben Grael, sobrinha de Lars Grael, irmã de Marco Grael |
| Parceira olímpica | Kahena Kunze (nascida em 1991, em São Paulo) |
| Classe | 49erFX (skiff feminino) |
| Rio 2016 | Ouro |
| Tóquio 2020 | Ouro |
| Paris 2024 | 8º lugar |
| Mundial | Campeã em 2014, em Santander |
| Oceano | Volvo Ocean Race 2017-18, pelo Team AkzoNobel |
| SailGP | Timoneira do Mubadala Brazil até setembro de 2026 |
Uma menina de Niterói no meio de uma dinastia
Falar de Martine sem falar do sobrenome é impossível. O pai, Torben Grael, tem cinco medalhas olímpicas, duas delas de ouro (Atlanta 1996 e Atenas 2004, na classe Star, com Marcelo Ferreira), e ainda venceu a volta ao mundo de 2008-09 com o Ericsson 4. O tio, Lars Grael, é medalhista olímpico de bronze na classe Tornado. E o irmão, Marco Grael, também chegou aos Jogos, na 49er masculina.
Só que sobrenome não ganha regata. Martine encontrou em Kahena Kunze a parceira ideal para o 49erFX, um skiff leve e muito rápido, com timoneira e proeira pendurada no trapézio. A dupla subiu depressa. Em 2014, conquistou o Mundial de Santander, decidido na regata da medalha, e foi eleita a melhor velejadora do ano pela World Sailing, segundo a associação internacional da classe 49er. Se você quiser entender as regras básicas antes de seguir, a gente explica tudo em regras da vela.
Rio 2016: a regata da medalha diante da torcida na Guanabara
Agora imagine a cena. É 18 de agosto de 2016, a baía de Guanabara está cheia de barcos de apoio e a praia do Flamengo virou arquibancada. Na regata da medalha do 49erFX, as neozelandesas, rivais diretas, escolhem um lado da raia. Martine e Kahena fazem o contrário: vão para a esquerda, marcam as dinamarquesas que vinham atrás e pegam uma rajada que fecha a diferença. No último contravento, insistem na esquerda e cruzam a linha.
A margem sobre a Nova Zelândia foi de apenas dois segundos, segundo o relato da Associated Press publicado pela Sports Illustrated. O bronze ficou com as dinamarquesas Jena Hansen e Katja Steen Salskov-Iversen. Foi a única medalha da vela brasileira naqueles Jogos.
O que aconteceu depois é daquelas imagens que ficam. As duas se abraçaram, se jogaram de costas na água e viraram o barco. Familiares e amigos entraram no mar, algumas dezenas de pessoas ergueram o barco e o levaram até a areia com as campeãs de pé em cima dele. Torben acompanhou tudo de um bote de treinador e se emocionou ao ver a filha receber a medalha. Ao Lance, Martine resumiu: \”Foi a melhor regata da minha vida\”. E comparou o clima com o de estádio: \”Parecia um Maracanã fazendo ola\”. Kahena, rindo das chegadas sempre apertadas, avisou: \”A gente ainda vai dar um ataque cardíaco em alguém\”.
Tóquio 2020: o bicampeonato nascido de uma largada difícil
Cinco anos depois, em 3 de agosto de 2021, o cenário era Enoshima, no Japão. A regata da medalha começou mal para as brasileiras: segundo o relato da World Sailing, elas lutavam para encontrar espaço na largada e só acharam uma brecha junto ao barco da comissão nos últimos dez segundos. Foram então para a direita, sozinhas, enquanto as outras nove tripulações seguiam para a esquerda.
A escolha solitária deu certo. Martine e Kahena contornaram a primeira boia em terceiro e terminaram a regata nessa mesma posição, o suficiente para o ouro na soma geral. As argentinas venceram a regata da medalha, mas o pódio final teve as alemãs Tina Lutz e Susann Beucke com a prata e as holandesas Annemiek Bekkering e Annette Duetz com o bronze. Com isso, as duas viraram bicampeãs olímpicas, defendendo o título conquistado na Guanabara.
A volta ao mundo com o Team AkzoNobel
Entre os dois ouros, Martine trocou o skiff olímpico pelo oceano. Em 1º de agosto de 2017, o Team AkzoNobel, liderado pelo holandês Simeon Tienpont, anunciou a brasileira na tripulação da Volvo Ocean Race 2017-18, a regata de volta ao mundo hoje chamada The Ocean Race. Segundo a organização da prova, ela se tornou a primeira mulher brasileira a disputar a competição, que largou de Alicante, na Espanha, em 22 de outubro de 2017.
No anúncio, Martine disse que queria se adaptar ao barco o mais rápido possível e, acima de tudo, provar que tinha lugar naquela equipe. E três integrantes do AkzoNobel tinham navegado com Torben no Ericsson 4, campeão de 2008-09.
Paris 2024: oitavo lugar e um ciclo sem pódio
Em Marselha, nos Jogos de Paris 2024, a dupla não repetiu a mágica. Martine e Kahena terminaram em oitavo lugar no 49erFX, e o ouro foi para as holandesas Odile van Aanholt e Annette Duetz, com Suécia na prata e França no bronze, segundo a World Sailing. Foi um baque para a vela brasileira como um todo: segundo a Máquina do Esporte, a CBVela ficou fora do pódio olímpico pela primeira vez em 32 anos.
SailGP: pioneira no leme e uma saída em 2026
A fase seguinte foi a mais ousada. Martine assumiu o leme do Mubadala Brazil na SailGP, o circuito de catamarãs F50 que voam sobre foils, e se tornou a primeira mulher timoneira da liga, segundo a revista alemã Yacht. Em 11 e 12 de abril de 2026, a SailGP fez sua primeira etapa na América do Sul, justamente na Guanabara. O resultado não ajudou: o Brasil terminou em nono, depois de perder as duas primeiras regatas de sábado por um problema técnico, segundo o Estadão Conteúdo. Martine chamou a experiência de competir em casa de \”algo realmente marcante\”. Detalhe curioso: naquela etapa, Kahena velejou pela Dinamarca.
Em setembro, veio a reviravolta. Em 11 de setembro de 2026, Martine anunciou nas redes sociais que tinha deixado o Mubadala Brazil. Dias depois, foi chamada para comandar o barco dos Estados Unidos na etapa de Genebra, em 19 e 20 de setembro, no lugar do timoneiro Taylor Canfield, lesionado. Segundo o Figaro Nautisme, ao lado da grinder Anna Weis, ela formou a primeira dupla de mulheres numa mesma tripulação da SailGP. Enquanto isso, o time brasileiro passou a ser pilotado pelo britânico Paul Goodison e recebeu Kahena, emprestada pela equipe dinamarquesa. Até 29/10/2026, não encontramos anúncio confirmado sobre o próximo projeto fixo de Martine, então preferimos não cravar nada.
Por que a vela é o esporte de ouro do Brasil
Você sabia que nenhuma modalidade deu mais ouros olímpicos ao Brasil do que a vela? Segundo a Máquina do Esporte, mesmo passando em branco em Paris, a vela segue como o esporte mais vencedor do país nos Jogos, com 8 ouros, 3 pratas e 8 bronzes. E a lista de ouros conta muito sobre a Martine: Robert Scheidt venceu na classe Laser em Atlanta 1996 e Atenas 2004, Torben e Marcelo Ferreira levaram a Star nessas mesmas duas edições, e as duas últimas medalhas douradas são dela e de Kahena. Ou seja, metade dos ouros da vela brasileira está ligada à família Grael.
Na minha opinião, é isso que torna a história de Martine tão especial: ela não viveu da herança, ela ampliou. Ganhou em casa com a torcida dentro d’água e depois abriu caminho num circuito onde nenhuma mulher tinha pilotado. Para conhecer a modalidade a fundo, vale ler tudo sobre a vela como modalidade olímpica e acompanhar a nova geração, como em Kiko Dal Ri e Erik Scheidt no Mundial de ILCA 6.
Perguntas rápidas sobre Martine Grael
Onde nasceu Kahena Kunze, a parceira de Martine?
Kahena Kunze nasceu em 12 de março de 1991, em São Paulo, segundo o perfil da dupla na associação internacional da classe 49er.
Marco Grael, irmão de Martine, também foi aos Jogos?
Sim. Em Paris 2024, Marco Grael velejou na 49er masculina com Gabriel Simões e a dupla terminou em 19º lugar. Ele também integrou a tripulação do Mubadala Brazil na SailGP.
Qual é o lugar mais famoso para ver regatas no Rio?
A praia do Flamengo, na baía de Guanabara, é o ponto clássico: foi ali que a torcida acompanhou de perto a regata da medalha de 2016. Para saber mais sobre o esporte, confira também tudo sobre vela.
Quiz: teste o que você sabe
Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.
1. Em qual classe Martine Grael e Kahena Kunze foram campeãs olímpicas?
2. Qual seleção ficou com a prata na Rio 2016, apenas dois segundos atrás das brasileiras?
3. Por qual equipe Martine disputou a Volvo Ocean Race 2017-18?
4. Em que posição Martine e Kahena terminaram o 49erFX em Paris 2024?
5. Quantos ouros olímpicos a vela brasileira soma?
Seus acertos:
Fontes: World Sailing, Máquina do Esporte.