Uma partida de futebol tem 90 minutos mais o que o árbitro decidir somar. É essa segunda parte que gera discussão no sofá: quem calcula os acréscimos, o que entra na conta e o que muda na temporada 2026/27 para o relógio andar mais. Aqui está o que diz a Lei 7 da IFAB e o que a CBF passou a aplicar no Campeonato Brasileiro.

Duração, intervalo e prorrogação

Pela Lei 7, o jogo tem dois tempos iguais de 45 minutos. Só se pode encurtar as etapas se o árbitro e as duas equipes concordarem antes do início e se o regulamento da competição permitir. O intervalo é de até 15 minutos, e quem fixa a duração exata é o regulamento, com o árbitro sendo o único a poder autorizar uma mudança.

Quando a competição exige um vencedor depois do empate, a Lei 10 permite combinar três recursos: o gol fora de casa, a prorrogação, com dois períodos iguais de no máximo 15 minutos cada, e as cobranças de pênaltis. Na prorrogação, há uma pausa para hidratação de até um minuto no intervalo entre os dois períodos. Quem escolhe a combinação é o regulamento de cada torneio: por isso um jogo de mata-mata decide por pênaltis, enquanto na fase de pontos corridos o empate vale um ponto e fim de conversa.

Como o árbitro calcula os acréscimos

Não existe fórmula. A Lei 7 manda o árbitro somar ao fim de cada tempo o que foi perdido com substituições, avaliação e retirada de jogadores lesionados, cera, sanções disciplinares, pausas médicas permitidas (hidratação de até um minuto e resfriamento de 90 segundos a três minutos), revisões do VAR, comemorações de gol e outros atrasos, como uma interferência externa que atrasa a retomada.

O quarto árbitro mostra na placa o tempo mínimo de acréscimo. O árbitro pode aumentá-lo, nunca reduzi-lo. Um erro de cronometragem no primeiro tempo não se compensa mexendo na duração do segundo. Se acontece uma parada longa perto do fim, só se soma o tempo que restava, não a parada inteira.

Há ainda uma regra que muda o apito final: se um pênalti é marcado ou repetido no fim de um tempo, a etapa se prolonga até a cobrança terminar. Quando a bola entra, acabou, sem novo pontapé inicial. Imagine o torcedor do time que perde por um gol nos 49 minutos do segundo tempo: o pênalti pode salvar a tarde, e o árbitro só apita quando a cobrança acaba.

O VAR e as paradas longas

As revisões entram na conta porque tomam tempo de jogo. Para entender a lógica das revisões, veja nosso explicativo sobre o VAR. E os cartões também pesam: cada advertência ou expulsão consome segundos, como detalha o guia das regras dos cartões amarelo e vermelho.

As novidades que aceleram o jogo

A primeira mudança é a dos oito segundos do goleiro, uma alteração da temporada 2025/26 da IFAB. Se o goleiro controla a bola dentro da sua área por mais de oito segundos, a punição é escanteio para o adversário (antes, era tiro livre indireto). O árbitro mostra os últimos cinco segundos com a mão levantada, e só há cartão se o goleiro repetir a infração.

A segunda chegou com as Regras do Jogo 2026/27, que valem desde 1º de julho de 2026 e já foram usadas na Copa do Mundo. Aprovadas na 140ª assembleia da IFAB, em Hensol, no País de Gales, no começo de 2026, elas trazem a contagem visual de cinco segundos para o arremesso lateral e o tiro de meta demorados (o lateral passa ao adversário, e o tiro de meta atrasado vira escanteio). O jogador substituído tem de sair em até dez segundos depois da placa. Se demorar, o reserva só entra no primeiro lance parado depois de um minuto de jogo corrido. E o jogador atendido em campo por lesão precisa sair e ficar fora por um minuto depois da retomada. A explicação detalhada dos laterais e tiros de meta está no nosso guia de escanteio, tiro de meta e lateral.

O que a CBF decidiu para o Brasil

No Brasil, a CBF aprovou o pacote em agosto de 2026, depois de reunião com os clubes das Séries A e B. Em campo, as novidades passaram a valer a partir da 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, e a primeira partida a ter tudo isso, em 15 de agosto, foi a do Palmeiras, segundo o ABC do ABC. As regras alcançam também a Copa do Brasil e o Brasileiro Feminino A1. Entre as medidas, estão os oito segundos do goleiro, os cinco segundos no lateral e no tiro de meta, a saída de dez segundos nas substituições e o minuto fora para o atendido. O JB informa que a meta da entidade é chegar a pelo menos 60 minutos de bola rolando por jogo, seguindo a orientação da FIFA.

Atenção a um ponto: tempo efetivo não é regra. O relógio da Lei 7 continua com dois tempos de 45 minutos, e o cronômetro não para a cada bola fora. O que existe é uma pressão para reduzir as paradas, e as medidas acima tentam fazer exatamente isso sem mexer no relógio.

Minha leitura: a regra de oito segundos é a mais fácil de fiscalizar e a que menos gera polêmica, porque o gesto do árbitro com a mão é visível para o estádio todo. A dos cinco segundos nos lances laterais depende do julgamento do árbitro sobre "demora de propósito", e é aí que vamos ouvir mais reclamação.

Perguntas frequentes

Quem decide quantos minutos de acréscimo o jogo terá?

O quarto árbitro mostra o mínimo, mas quem decide é o árbitro de campo, que pode aumentá-lo e nunca diminuir.

Existe um tempo fixo de acréscimo?

Não. A Lei 7 lista as causas de tempo perdido e deixa o cálculo ao árbitro.

A prorrogação vale em todos os jogos?

Não. Só quando o regulamento da competição exige um vencedor após o empate.

Quiz: teste o que você sabe

Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.

1. Quem mostra na placa o tempo mínimo de acréscimo?

O quarto árbitro indica o mínimo. O árbitro de campo pode aumentar o tempo, mas nunca reduzi-lo.

2. O que acontece quando o goleiro segura a bola por mais de oito segundos dentro da sua área?

A mudança da IFAB para a temporada 2025/26 troca o antigo tiro livre indireto por escanteio para o adversário.

3. Em quantos segundos o jogador substituído precisa sair de campo depois da placa?

Se ele não sair em dez segundos, o reserva só entra no primeiro lance parado depois de um minuto de jogo corrido.

4. Qual é a duração máxima de cada período de uma prorrogação?

São dois períodos iguais de no máximo 15 minutos, quando o regulamento exige um vencedor.

5. O que ocorre se um pênalti é marcado no fim do segundo tempo?

A Lei 7 estende o tempo até a cobrança ser completada.

Seu placar:

Fontes: IFAB, CBF.

Eric Filardi Content Coordinator

Coordenador do Esportelândia desde 2021, é jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo. Autor do livro “Os Mestres do Espetáculo”, que está na biblioteca do Museu do Futebol de São Paulo. Passou por Jovem Pan, Futebol na Veia e PL Brasil.