Rogério Caboclo, João Havelange, Ricardo Teixeira e mais: saiba quem foram e o que fizeram todos os 22 presidentes da CBF

Você conhece todos os presidentes da CBF? De fato, entre as glórias da Seleção Brasileira, casos de corrupção e a ingerência do futebol brasileiro, o saldo não tem feito da entidade algo muito apelativo.

Ainda assim, é importante conhecer os nomes que passaram, ou melhor, lideraram os mais de cem anos da instituição. Afinal, é só conhecendo a história é que podemos fugir de repeti-la.

Confira com a gente, então, a lista com todos os presidentes da CBF e um pouco do contexto de seus mandados, assim como aqueles que ocuparam a gerência nos primórdios da organização.

A História da CBF

A história da CBF é inteiramente entrelaçada à da Seleção Brasileira de Futebol. A instituição só foi criada por causa dela. O ano era 1914 e o futebol brasileiro tinha recebido um convite do presidente argentino Julio Rocca para um torneio entre os países, a Copa Rocca.

Na época, o esporte ainda era muito regionalizado, com a lógica ainda “presa” nos embates entre os combinados estaduais. Ainda não existia, portanto, a noção de um futebol nacional para que houvesse uma entidade que o organizasse.

Para não criar um caso com o ilustríssimo Presidente Rocca, foi criada a Federação Brasileira de Sports, com “S” mesmo, para enfim criar um escrete brasileiro. A organização passaria a ser a Confederação Brasileira de Desportos em 1916, abrangendo mais ativamente outros esportes, ou melhor, desportos.

João Havelange e a mudança para a CBF

João Havelange

A CBD foi marcante dentro do futebol brasileiro, especialmente sob a gestão de João Havelange. Nadador medalhista do Pan-americano em 1955, Havelange escalou rapidamente os cargos da entidade e tornou-se um dos presidentes da CBF em 1958.

Com o ex-atleta ocupando a cadeira, a Seleção Brasileira viveu seu auge, com o tricampeonato mundial e até algumas passagens que beiram a comédia, como o famoso roubo da Taça Jules Rimet, o antigo troféu dado ao vencedor da Copa do Mundo, diretamente de sua sede.

Ao mesmo tempo, a instituição vivenciou algumas de suas páginas mais desprezíveis, como o alinhamento com o regime militar durante a ditadura, a consequente proibição do futebol feminino e, claro, o pesado tráfico de influência que catapultou Havelange à presidência da FIFA em 1975.

Pouco depois da saída do longevo ex-presidente, a CBD tornou-se, enfim, a CBF. Por trás da mudança, a pressão do Cômite Olímpico Internacional (de qual Havelange também fazia parte) e da FIFA pela necessidade de uma federação que organizasse exclusivamente o futebol. Nasceu, portanto, em 1979, a Confederação Brasileira de Futebol.

Assim como a CBD, a CBF e seus presidentes viveram grandes ápices e quedas bruscas. A lógica era basicamente a mesma: conquistas mundiais da seleção Canarinho e corrupção desenfreada nos bastidores, especialmente após Ricardo Teixeira — “curiosamente” o genro de João Havelange — assumir a gerência em 1989.

Como falamos, o saldo entre as glórias em campo e as vergonhas e ingerências fora dele deixam um saldo negativo para a entidade. Mas que fique claro: a CBF não é o futebol brasileiro — tampouco o Brasil que deu certo.

Presidentes da CBD

  • Álvaro Zamith (1915 – 1916)
  • Arnaldo Guinle (1916 – 1920)
  • Ariovisto de Almeida Rêgo (1920 – 1921)
  • José Eduardo de Macedo Soares (1921 – 1922)
  • Oswaldo Gomes (1922 – 1924)
  • Ariovisto de Almeida Rêgo (1924)
  • Wladimir Bernardes (1924)
  • Oscar Rodrigues da Costa (1924 – 1927)
  • Renato Pacheco (1927 – 1933)
  • Álvaro Catão (1933 – 1936)
  • Luiz Aranha (1936 – 1943)
  • Rivadávia Corrêa Meyer (1943 – 1955)
  • Sylvio Corrêa Pacheco (1955 – 1958)
  • João Havelange (1958 – 1975)
  • Heleno de Barros Nunes (1975 – 1979)

Vá além do futebol:

Presidentes da CBF

  • Heleno de Barros Nunes (1979 – 1980)
  • Giulite Coutinho (1980 –1986)
  • Octávio Pinto Guimarães (1986 – 1989)
  • Ricardo Terra Teixeira (1989 – 2012)
  • José Maria Marin (2012 – 2015)
  • Marco Polo Del Nero (2015 – 2017)
  • Coronel Nunes (2017 – 2019)
  • Rogério Caboclo (2019 – atual)

Heleno de Barros Nunes

  • Período: 1979 – 1980
  • Principais conquistas da  Seleção: Nenhuma

Heleno de Barros Nunes foi o único dos presidentes da CBF a também presidir a CBD. Esteve no cargo, afinal, na transição entre as duas identidades da instituição.

Exerceu a liderança na CBF por apenas um ano. Ainda assim, houve algo marcante em seu mandato: a queda a proibição do futebol feminino, iniciada nos anos 40 e reforçada nos anos 50 e 60.

A medida aconteceu dentro da tradição da entidade, de ser mais teórica do que prática, já que não houve muito estímulo para o desenvolvimento do esporte. A Seleção Brasileira da categoria, por exemplo, só foi se organizar mesmo quase dez anos depois, em 1988.

Giulite Coutinho

  • Período: 1980 –1986
  • Principais conquistas da Seleção: Mundial Sub-20 Masculino (1983, 1985)

Giulite Coutinho, foi, entre os presidentes da CBF, aquele viveu talvez a grande tristeza do futebol brasileiro: a derrota na Copa do Mundo de 1982.

De atuação relevante mesmo, somente a participação na regulamentação do futebol feminino, em 1983, que criou clubes como Radar e SAAD, que seriam a base da primeira convocação da Seleção Brasileira de Futebol Feminino.

Octávio Pinto Guimarães

  • Período: 1986 – 1989
  • Principais conquistas da Seleção: Pan-Americano Masculino (1987)

Eleito um dos presidentes da CBF por meio de uma espécie de “golpe”, Octávio Pinto Guimarães teve uma gestão um tanto caótica.

Foi em seu mandato que houve a famigerada Copa União de 1987 e a criação do Clube dos 13. De conquistas importantes, só a medalha de ouro do Pan de 1987, e olhe lá.

Ricardo Teixeira

Ricardo Teixeira foi um dos presidentes da CBF com mais conquistas
(Harold Cunningham/Getty Images)
  • Período: 1989 – 2012
  • Principais conquistas da Seleção: Copa do Mundo Masculino (1994, 2002) Copa América Masculino (1989, 1997, 1999, 2004, 2007), Copa das Confederações (1997, 2005, 2009), Mundial Sub-20 Masculino (1993, 2003, 2011), Mundial Sub-17 (1997, 1999, 2003), Pan-Americano Feminino (2003, 2007), Campeonato Sul-Americano Feminino (1991, 1995, 1998, 2003, 2010)

Ricardo Teixeira foi para a CBF o que João Havelange foi para a CBD. Teixeira foi, entre os presidentes da CBF, o mais longevo e o mais bem-sucedido, ao mesmo tempo que aparelhou completamente a instituição e acumulou casos de corrupção.

Genro de Havelange, Teixeira se beneficiou das mesmas relações promíscuas entre a FIFA e empresas de marketing esportivo e chegou a fazer contratos com marcas que previam os jogadores a serem convocados pela Seleção masculina e quais, quando e onde seriam os amistosos que a equipe jogaria.

A troca de “gentilezas” entre o presidente da CBF e os presidentes das federações estaduais também era praxe, além de essenciais para a sua manutenção no poder por mais de vinte anos.

Ainda que a Seleção tenha sido tetra e pentacampeã mundial em seu mandato, o legado de fato de Ricardo Teixeira foi institucionalizar os mecanismos de corrupção na entidade.

José Maria Marin

José Maria Marin foi preso nos EUA por caso de corrupção
(Rafael Ribeiro/CBF/Divulgação)
  • Período: 2012-2015
  • Principais conquistas da Seleção: Copa das Confederações Masculino (2013), Campeonato Sul-Americano Feminino (2014)

Primeiro dos presidentes da CBF na era “pós-Teixeira”, José Maria Marin não ficou para trás nos trambiques e na ingerência. Chegou a ser preso após o escândalo do FIFAGate, o maior caso de corrupção do futebol mundial.

Entre os feitos de Marin durante a sua gestão, estão as condenações por organização criminosa, fraude bancária e lavagem de dinheiro e o roubo de uma medalha da Copa São Paulo de Futebol de Juniores. Dentro de campo, para completar, a Seleção Brasileira sofreu a pior derrota de sua história, o 7 a 1 para a Alemanha.

Marco Polo Del Nero

Marco Polo Del Nero foi um dos presidentes da CBF afastados por corrupção
(CBF/Divulgação)
  • Período: 2015-2017
  • Principais conquistas da Seleção: Olimpíada Masculino (2016), Pan-Americano Feminino (2015)

Assumindo o cargo em meio ao início das prisões do FIFAGate, Marco Polo Del Nero, também ex-presidente da Federação Paulista de Futebol, “honrou” a linhagem recente de presidentes da CBF.

Logo no início de seu mandato, afastou-se oficialmente do cargo devido à investigações do FIFAGate. Após a retomada, viu a Seleção Brasileira conquistar a primeira medalha de ouro olímpica de sua história, em 2016.

O “melhor”, no entanto, estava reservado para após o fim do seu mandato. Em 2018, a Fifa simplesmente baniu Del Nero do futebol pela quebra de cinco artigos de seu código de ética. Entre eles, claro, suborno e corrupção.

Coronel Nunes

Coronel Nunes foi um dos menos ativos presidentes da CBF
(Reprodução)
  • Período: 2017-2019
  • Principais conquistas da Seleção: Campeonato Sul-Americano Feminino (2018)

Coronel Nunes foi um membro histórico da turma de presidentes da CBF: o primeiro militar a comandar a entidade desde a ditadura. Foi também o pioneiro no comando sem poder.

Nomeado em um dos últimos atos de Marco Polo Del Nero na presidência, Nunes assumiu o cargo por ser o mais velho entre os vices em atividade. Seu poder, assim, foi figurativo pelos três anos de “gestão”.

Sem grandes feitos mas com grandes gafes, o Coronel foi, digamos, afastado dos holofotes por seus assessores, numa tentativa vã de tentar salvar um fio que fosse da imagem da CBF. Difícil dizer se deu certo.

Rogério Caboclo

Bruno Caboclo, o mais recente dos presidentes da CBF
(Lucas Figueiredo/CBF/Flickr)
  • Período: 2019-atual
  • Principais conquistas da Seleção: Copa América Masculino (2019), Mundial Sub-17 Masculino (2019)

Presidente antes mesmo de o ser, Rogério Caboclo é o atual ocupante do cargo. Nele, tem trabalhado para tentar limpar a imagem da CBF, com medidas que trouxeram um pouco de transparência à entidade, assim como abrindo a instituição à novidades. Veja o VAR no Campeonato Brasileiro.

Caboclo, claro, não ficou imune de críticas sobre sua gerência, especialmente na crise causada pela pandemia da Covid-19 e pelo relacionamento com os clubes e, claro, pelo ruim e velho calendário do futebol brasileiro.

Quem se beneficiou muito da abertura do presidente foi o futebol feminino, que conseguiu dar um salto qualitativo em sua organização, em suas competições e em sua gestão, colocando mulheres não só no banco de reservas da Seleção Brasileira, mas também na diretoria da modalidade.

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*Última atualização feita em 22 de abril de 2021

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