Se a pergunta é qual time tem a maior torcida de Mato Grosso, a resposta honesta tem duas camadas. Entre os clubes de fora, o Flamengo é o mais querido na capital: 33% dos cuiabanos, segundo pesquisa do Instituto Tracking para o HiperNotícias divulgada em abril de 2025. Entre os clubes da terra, quem manda hoje é o Cuiabá Esporte Clube, com 49,3% da preferência local na mesma capital, bem à frente do tradicional Mixto.
Vem com a gente entender por que o mato-grossense costuma ter dois times no coração: um do Rio ou de São Paulo, outro da Baixada Cuiabana.
Os números das pesquisas
A pesquisa mais recente e identificável é a do Instituto Tracking, feita só em Cuiabá. O levantamento sobre clubes locais ouviu 600 moradores da capital em 31 de março e 1º de abril de 2025, com margem de erro de 4 pontos percentuais para mais ou para menos, segundo o HiperNotícias. Não existe, até aqui, uma pesquisa estadual recente e representativa que meça Sinop, Rondonópolis e o Nortão com o mesmo rigor, então os números abaixo valem para a capital.
| Clube de fora do estado | Cuiabá (2025) |
|---|---|
| Flamengo | 33% |
| Corinthians | 16,2% |
| São Paulo | 10,3% |
| Palmeiras | 7,8% |
| Nenhum time de fora | 25,2% |
| Clube de Mato Grosso | Cuiabá (2025) | Títulos estaduais |
|---|---|---|
| Cuiabá | 49,3% | 13 |
| Mixto | 11,3% | 25 |
| Operário Várzea-Grandense | 5,2% | 12 ou 14 |
| Dom Bosco | menos de 2% | 5 |
| Luverdense | não citado | 3 |
| União Rondonópolis | não citado | 1 |
| Nenhum time local | 20,7% | – |
Os títulos seguem a lista da RSSSF Brasil (atualizada até 2024), somada ao estadual de 2026 conquistado pelo Mixto. No Operário, as contagens divergem: a imprensa costuma falar em 12 conquistas do Chicote da Fronteira, enquanto a RSSSF registra 14, somando as taças do antigo Clube Esportivo Operário às do Esporte Clube Operário.
Fora da capital, o retrato mais amplo é antigo e não representativo: em 2015, um levantamento do Globo Esporte com o Facebook, baseado em curtidas nas páginas oficiais dos clubes, mostrou o estado dividido entre Flamengo e Corinthians. O Mengão aparecia na frente em Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis; o Timão liderava em Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, polos do Nortão e do Médio Norte, segundo o portal Só Notícias.
Você sabia que a virada local é recente? Em 2019, a pesquisa Alma Cuiabana, da KGM Pesquisas, com 400 entrevistados, colocava Cuiabá (21,5%) e Mixto (20,3%) praticamente empatados na capital, e 41% diziam não torcer para nenhum time mato-grossense, segundo o HiperNotícias. Seis anos e uma passagem pela Série A depois, o Dourado mais que dobrou sua fatia.
Flamengo, o dono da casa visitante
Quem já foi a um jogo do Flamengo na Arena Pantanal sabe: o rubro-negro joga em Cuiabá como se estivesse no Rio. Em 8 de outubro de 2022, pelo Campeonato Brasileiro, 40.059 pessoas viram Cuiabá 1 x 2 Flamengo, um dos cinco maiores públicos da história do estádio, de acordo com o levantamento do Lance!. Oito anos antes, em 10 de setembro de 2014, até um Goiás x Flamengo levado para Cuiabá colocou 38.405 torcedores na arena. Para quem quer comparar com os vizinhos do Centro-Oeste, vale olhar como a maior torcida de Goiás e a maior torcida do Distrito Federal também orbitam em torno dos gigantes nacionais. O quadro completo do país está nas maiores torcidas do Brasil.
Cuiabá: da escolinha do Gaúcho à Série A
O Cuiabá nasceu em 12 de dezembro de 2001 pelas mãos de Luís Carlos Tóffoli, o Gaúcho, ex-jogador de Flamengo, Palmeiras e Grêmio, que já tocava uma escolinha de futebol na cidade. Profissionalizado em 2003, ganhou o estadual logo no primeiro ano. Depois veio a escada: Série D em 2011, Série C, Série B a partir de 2019, conforme o histórico do clube.
A cena que melhor explica a febre é de 22 de setembro de 2018. Na decisão da Série C, contra o Operário-PR, a Arena Pantanal recebeu 41.311 pessoas, o maior público da história do estádio, acima de qualquer jogo da Copa. O Cuiabá perdeu por 1 a 0 e ficou com o vice, mas a campanha valeu a subida para a Série B.
O grande dia veio em 22 de janeiro de 2021. Mesmo perdendo por 3 a 1 para o Sampaio Corrêa, o Cuiabá viu o CSA empatar com o Brasil de Pelotas e confirmou o acesso à elite com uma rodada de antecedência. Segundo o DCI, era a primeira vez desde o Operário de Várzea Grande, em 1986, que um clube mato-grossense chegava à elite. Foram quatro temporadas seguidas na Série A, até o rebaixamento confirmado na 36ª rodada de 2024, segundo a Itatiaia. Na Série B de 2026, o Cuiabá aparece em 11º lugar, com 47 pontos em 33 jogos, na tabela do Goal consultada em 22/10/2026.
Mixto x Operário, o clássico dos milhões
Antes do Cuiabá, o futebol mato-grossense tinha um dono da conversa: o duelo entre o Mixto, o Tigre alvinegro de Cuiabá, e o Operário, o Chicote da Fronteira de Várzea Grande, separados apenas pelo rio Cuiabá. O primeiro registro do confronto é de 16 de agosto de 1958, pelo Campeonato Cuiabano, com vitória do Mixto por 7 a 2. O retrospecto é de equilíbrio quase total, com leve vantagem alvinegra, segundo levantamento do pesquisador Sérgio Santos com base nas súmulas da FMF, publicado pelo MixtoNet. Os torcedores ainda o chamam de clássico dos milhões, por causa dos estádios lotados das décadas de 1970 e 1980.
O Mixto é o maior campeão estadual e viveu em 2026 uma noite de alma lavada: depois de dois empates sem gols com o Luverdense, venceu nos pênaltis por 5 a 3 e levantou o 25º título, encerrando um jejum de 18 anos, segundo O Imparcial. Admito o clubismo de quem gosta de futebol raiz: ver o alvinegro de volta ao topo faz bem ao estadual. O Operário, fundado em 1º de maio de 1949 segundo o NSC Total, foi o último mato-grossense na Série A antes do Cuiabá, mas não levanta o troféu estadual desde a década de 2000.
Dom Bosco, Luverdense e União: as forças de bairro e do interior
O Dom Bosco, o terceiro tradicional da capital, soma cinco estaduais (1958, 1963, 1966, 1971 e 1991) e hoje aparece com menos de 2% na preferência cuiabana. No interior, o Luverdense, de Lucas do Rio Verde, ganhou três títulos (2009, 2012 e 2016) e chegou à final de 2026. O União, de Rondonópolis, foi campeão em 2010. São torcidas regionais fortes em suas cidades, mas que não aparecem nas pesquisas feitas na capital. E o futebol mato-grossense segue imprevisível: em 2025 o título ficou com o Primavera, que bateu o Cuiabá por 1 a 0 e venceu nos pênaltis por 4 a 2, conquistando o primeiro estadual de sua história, segundo a Itatiaia.
Arena Pantanal, a herança da Copa de 2014
Construída para a Copa do Mundo de 2014, a Arena Pantanal recebeu quatro jogos do Mundial. A estreia foi em 13 de junho de 2014: Chile 3 x 1 Austrália, diante de 40.275 pessoas. Depois vieram Rússia 1 x 1 Coreia do Sul (37.603), Nigéria 1 x 0 Bósnia (40.499) e a goleada da Colômbia sobre o Japão, 4 a 1, com 40.340 torcedores, segundo o Lance!. Foi ali que o cuiabano viu, de perto, que o estádio podia lotar. Quase uma década depois, já pelas Eliminatórias da Copa de 2026, a amarelinha empatou por 1 a 1 com a Venezuela na arena, para 40.020 pessoas. A arena virou a casa do Cuiabá e o grande palco das torcidas visitantes que lotam Mato Grosso.
Quiz: você conhece o futebol de Mato Grosso?
Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.
1. Qual clube de fora do estado teve a maior preferência entre os cuiabanos na pesquisa do Instituto Tracking de 2025?
2. Qual jogo tem o maior público da história da Arena Pantanal?
3. Qual clube conquistou em 2025 o primeiro título estadual de sua história, batendo o Cuiabá na final?
4. Quem venceu o Campeonato Mato-grossense de 2026?
5. Qual partida abriu a Copa do Mundo de 2014 na Arena Pantanal?
Seu placar:
Fontes: HiperNotícias, Instituto Tracking, KGM Pesquisas, Só Notícias, Globo Esporte, Lance!, DCI, Itatiaia, Goal, O Imparcial, NSC Total, MixtoNet, RSSSF Brasil.