O goleiro Everson, capitão e um dos líderes do Atlético-MG, voltou a falar sobre a ferida mais aberta de sua passagem pelo clube: a derrota por 3 a 1 para o Botafogo na final da Copa Libertadores de 2024, no Estádio Monumental, em Buenos Aires. Em entrevista ao Charla Podcast, repercutida pelo ge na quinta-feira, 1º de outubro de 2026, e pelo jornal O Tempo na sexta-feira, 2 de outubro, o paulista de Pindamonhangaba descreveu o vestiário daquela noite como um velório e classificou a data como “o pior dia da minha vida”.
“Parecia que tinha um caixão no vestiário”
Segundo a transcrição publicada pelo O Tempo, o goleiro relembrou o clima após o apito final: “Perdemos uma oportunidade de conquistar um grande título e de colocar nossos nomes na história do clube. Com certeza, é o momento que mais me dói com a camisa do Atlético. No vestiário, parecia que tinha um caixão ali dentro. Participei só de um velório, são coisas da vida, mas ali eu tive a mesma sensação de ter perdido um ente querido. Ninguém conseguiu olhar dentro do olho do outro, de tristeza e vergonha. Foi o pior dia da minha vida”.
Na versão publicada pelo ge, Everson acrescenta um detalhe sobre a espera no Monumental: “Vestiário todo silencioso, tendo que esperar uma hora e meia para sair do estádio. Ninguém conseguiu olhar no olho do outro. De tristeza e vergonha”.
Uma final com um a mais desde o primeiro minuto
A decisão de 30 de novembro de 2024 começou com um lance raro. Aos 29 segundos, o volante Gregore, do Botafogo, atingiu Fausto Vera com a sola da chuteira e recebeu cartão vermelho direto. Mesmo com dez, o time carioca foi para o intervalo vencendo por 2 a 0: Luiz Henrique abriu o placar aos 35 minutos e, perto do fim do primeiro tempo, Alex Telles converteu um pênalti marcado após revisão do VAR, em lance no qual o atacante botafoguense foi derrubado pelo próprio Everson.
No segundo tempo, o técnico Gabriel Milito colocou Bernard, Mariano e Eduardo Vargas, e o chileno diminuiu logo no início da etapa final. Nos acréscimos, Júnior Santos aproveitou um contra-ataque para fechar o 3 a 1. O histórico de decisões continentais dos clubes do país está no levantamento de clubes brasileiros com mais finais da Libertadores.
A leitura tática do goleiro
Na entrevista, Everson também analisou o plano de jogo, sem apontar culpados. “Antes da final, o Botafogo estava em um momento bem melhor que o nosso, com confiança, jogando bem e fazendo um bom Brasileiro. A gente vinha bem nas copas, tanto que chegamos em duas decisões, e mal no Brasileiro”, afirmou, segundo o O Tempo.
A expulsão inverteu o cenário. “Quando acontece a expulsão, mudou para sermos nós a equipe a propor o jogo e eles serem reativos”, disse. E admitiu: “Talvez, se nós mudássemos, poderíamos ter virado o primeiro tempo melhor.”
O dia mais especial e o sonho da Seleção
Na mesma conversa, Everson escolheu o outro extremo de sua trajetória no clube: o título brasileiro de 2021, que encerrou um jejum de 50 anos. “Título do Brasileiro. Com certeza foi o dia mais especial da minha carreira”, disse, segundo o O Tempo.
O goleiro também falou sobre a Seleção Brasileira. Convocado duas vezes por Tite e presente na pré-lista de 50 nomes para a Copa do Mundo de 2022, ele diz ter sido preterido nos ciclos seguintes. “Já vesti a camisa, mas quero jogar”, afirmou ao podcast, segundo o O Tempo. Sobre o atual treinador, foi cuidadoso: “Nem coloco culpa no Ancelotti, porque ele chegou faz pouco tempo, e quando ele chegou eu já não estava fazendo parte do ciclo de goleiros convocados”. E completou, ao reconhecer a concorrência entre os melhores goleiros do Brasil: “Temos que respeitar, há grandes goleiros no nosso país”.
Números de um ídolo do Galo
Contratado em 2020, Everson é o 13º jogador com mais jogos na história do clube e o quarto goleiro que mais atuou pelo Alvinegro, de acordo com o O Tempo. Números que o colocam na conversa sobre os maiores jogadores do Atlético Mineiro.
| Everson no Atlético-MG | Dado |
|---|---|
| Chegada ao clube | 2020 |
| Jogos pelo Atlético | 394 (13º na história do clube, O Tempo, 1º/10/2026) |
| Ranking entre goleiros do clube | 4º, atrás de João Leite, Kafunga e Victor |
| Títulos | 8 (5 Mineiros, 1 Brasileiro, 1 Copa do Brasil, 1 Supercopa) |
| Jogos em 2026 | 47, com 49 gols sofridos e 13 sem sofrer gols (Rede 98, 2/10/2026) |
| Último jogo | 1º de setembro de 2026, contra o Cruzeiro, pela Copa do Brasil |
A situação atual: fora por lesão, com o reserva em alta
Everson não entra em campo desde 1º de setembro de 2026, quando o Atlético eliminou o Cruzeiro na Copa do Brasil. Segundo o ge, ele se recupera de uma fratura no pé esquerdo, com tratamento conservador conduzido pela fisioterapia do clube. O clube não divulgou data de retorno, e o goleiro seguia no departamento médico na lista de desfalques publicada pelo ge na sexta-feira, 2 de outubro.
Sem o capitão, o Atlético venceu o Red Bull Bragantino por 1 a 0 no sábado, 3 de outubro de 2026, na Arena MRV, em jogo adiado da 21ª rodada do Campeonato Brasileiro. Bernard marcou aos 17 minutos, e o reserva Gabriel Delfim segurou a pressão no segundo tempo. “Delfim fez a diferença. Estamos muito contentes com ele. Sabemos o potencial que ele tem”, disse o técnico Eduardo Domínguez, segundo o ge.
O que vem agora
Com a vitória, o Atlético chegou a 43 pontos e ocupa o sétimo lugar do Campeonato Brasileiro, a três pontos do G-5, a zona de classificação para a Libertadores de 2027, de acordo com o ge. O próximo compromisso é na quinta-feira, 8 de outubro, às 20h (de Brasília), contra o Athletico-PR, na Arena da Baixada, pela 29ª rodada. Para Everson, o objetivo imediato é voltar a campo a tempo de ajudar o Galo a buscar a vaga na competição que ainda pesa em sua memória.
Fontes: ge, O Tempo, Rede 98, VAVEL Brasil, Wikipédia.