A canoísta Omira Maria saiu dos Jogos Sul-Americanos de Santa Fé 2026, na Argentina, com três medalhas de ouro na canoagem slalom e um objetivo declarado para o ciclo olímpico: não apenas disputar os Jogos de Los Angeles 2028, mas voltar de lá com uma medalha. Em entrevista publicada pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) na quinta-feira (24), a atleta de 26 anos falou sobre a evolução na temporada, a convivência com a irmã Ana Sátila, que ela define como exigente, e a corrida pelo ranking olímpico.
Três ouros em três dias na Argentina
Omira venceu todas as provas que disputou em Santa Fé. Na quarta-feira (23), levou o contrarrelógio do caiaque cross. Na quinta (24), voltou à água e ficou com o ouro no K1. Na sexta-feira (25), fechou a campanha com a vitória na final do caiaque cross, à frente da chilena Florencia Aguirre e da argentina Iris Castiglione, segundo o Olimpíada Todo Dia.
A campanha rendeu a ela a escolha como porta-bandeira do Time Brasil na cerimônia de encerramento, no sábado (26), ao lado do pivô Vinícius Teixeira, do handebol. “É uma honra muito grande representar o meu país dessa forma. Estou muito feliz e grata por tudo”, disse ao Olimpíada Todo Dia. Na soma da canoagem slalom, o Brasil terminou em primeiro lugar, com oito medalhas: quatro de ouro, três de prata e uma de bronze.
| Data | Prova | Resultado |
|---|---|---|
| Quarta-feira (23) | Caiaque cross, contrarrelógio | Ouro |
| Quinta-feira (24) | K1 | Ouro |
| Sexta-feira (25) | Caiaque cross, final | Ouro |
A própria atleta relativizou o peso das vitórias no caiaque cross, disputado em água parada no Lago Sur, cenário bem diferente das corredeiras habituais do slalom. “Eu achei uma competição muito divertida de competir, porque é diferente, não é a nossa modalidade mesmo. Fiquei feliz porque foi uma competição mais igualitária”, afirmou ao COB.
“Ainda não é suficiente”: a temporada dos passos pequenos
Mais do que as medalhas sul-americanas, Omira valoriza o que construiu no circuito internacional em 2026. O momento de destaque foi a etapa da Copa do Mundo de Augsburg, na Alemanha, onde terminou o caiaque cross em oitavo lugar, a primeira vez que entrou entre as oito melhores de uma etapa. No Pan-Americano da modalidade, disputado no Canadá, ela conquistou prata no K1 e bronze no C1.
O tom, porém, é de quem ainda se cobra. “Eu fui evoluindo. Peguei oitavo na Copa do Mundo no KX Cross. Acho que evoluí bastante. Ainda não é suficiente, mas ano que vem espero buscar a medalha. São passinhos pequenos, mas a gente vai conseguir”, avaliou. Em outro trecho, resumiu: “Eu gostei bastante do meu ano. Senti que evoluí”.
A irmã, a treinadora mais dura
A história de Omira na canoagem começa dentro de casa. Aos seis anos, ela entrou no esporte seguindo a irmã mais velha, Ana Sátila, no Instituto Meninos do Lago. “Eu gostava e queria tudo que a minha irmã fazia”, contou ao COB. A primeira convocação para a Seleção Brasileira veio aos 12 anos. “Aí o negócio começou a ficar um pouquinho mais sério. Mesmo assim, nessa idade você não sabe de muita coisa”, lembrou.
Dividir a modalidade com uma atleta que já disputou quatro edições dos Jogos Olímpicos traz vantagens e também pressão. Omira não esconde que a irmã é a voz mais exigente ao seu redor. “Eu sou uma pessoa muito privilegiada por ter minha irmã sempre me acompanhando. Ela vai lá, analisa as coisas comigo, conversa para eu evoluir”, disse. E completou: “Mas ela é dura comigo. Pega no meu pé. É ‘você não pode errar, tem que dar seu melhor’. Mas é muito bom ela estar ali me motivando”.
As duas também caminham juntas na busca pelas vagas brasileiras para Los Angeles 2028 nas diferentes categorias do slalom. Para entender como funciona a modalidade e o histórico do país nos Jogos, vale conferir o nosso guia de canoagem nas Olimpíadas e o guia completo da canoagem.
Do Pan de Santiago ao sonho de Los Angeles
Nascida em Iturama (MG), Omira tem como resultado mais expressivo da carreira a prata no K1 nos Jogos Pan-Americanos de Santiago 2023, e disputa Mundiais de canoagem slalom desde 2021. Com a vaga do Brasil garantida no Pan de Lima 2027, o foco agora se divide entre o calendário continental e a pontuação no ranking olímpico.
“Estamos tentando conquistar o ranking olímpico. Começou já essa batalha e a gente está correndo atrás. Espero que ano que vem sejam resultados melhores para seguir”, afirmou ao COB. A ambição, no entanto, vai além da classificação: “O maior sonho é ir para as Olimpíadas, mas não quero ‘só’ ir. Eu quero conquistar uma medalha”.
Fora da água: Administração e Gastronomia
Longe das corredeiras, Omira se define como mais tímida do que parece nas competições. Formada em Administração, ela conclui a segunda graduação, em Gastronomia. “Eu gosto de cozinhar, principalmente doce”, contou. Santa Fé 2026 também teve outros destaques brasileiros em modalidades individuais, como a campanha de Alison dos Santos, o Piu, no atletismo.
Fontes: Comitê Olímpico do Brasil, Olimpíada Todo Dia, Wikipedia.