Gui Santos abriu a quarta temporada no Golden State Warriors falando de vida pessoal e de amadurecimento em quadra. No media day da equipe, nesta segunda-feira (28), no Chase Center, em San Francisco, o ala brasileiro de 24 anos contou como o casamento com a atleta de vôlei de praia Júlia Lawrenz mudou sua rotina nos Estados Unidos e explicou o que tirou de quase dois anos observando Jimmy Butler para cometer menos erros com a bola.
As declarações foram dadas em entrevista coletiva de cerca de seis minutos, divulgada em vídeo pela NBC Sports Bay Area com o título “Gui Santos se inspira em Jimmy Butler na quarta temporada na NBA”. As falas abaixo foram traduzidas do inglês.
“Agora eu tenho alguém para dividir a vida”
A primeira pergunta foi sobre o casamento. Gui Santos e Júlia oficializaram a união civil em 25 de junho, em Brasília, cidade natal do jogador, e fizeram a cerimônia religiosa em 3 de julho, em Colombo, no Paraná, onde vive a família da noiva, que é curitibana. Os dois se conheceram em 2020, e Júlia compete no vôlei de praia universitário pela Universidade do Havaí.
“Eu era um cara que, quando me mudei para cá, morava sozinho, só eu comigo mesmo. E agora eu tenho alguém para dividir a vida, alguém que está lá quando você chega em casa, e você não está mais sozinho. Você tem alguém para conversar, alguém com quem pode contar 100% se alguma coisa acontecer”, disse o brasileiro. “Estávamos juntos havia cinco, seis anos. Mas quando vocês moram juntos, quando se casam, é outra vida. Acho que essa é a maior diferença agora.”
A família já tinha sido tema de Gui em fevereiro, quando ele assinou a extensão de contrato com os Warriors. Na ocasião, falando à NBC Sports Bay Area, ele descreveu a reação dos parentes: “Eles ficaram muito animados, emocionados. Mais do que ninguém, eles sabem como foi difícil para mim chegar aqui.”
De segunda rodada do draft a titular em 30 jogos
A trajetória explica o tom. Gui Santos foi escolhido pelos Warriors na segunda rodada do draft de 2022, com a 55ª escolha geral, passou pela G League e estreou na NBA em 16 de novembro de 2023. Na temporada 2025/26, teve a melhor campanha da carreira: 68 jogos, 30 como titular, e recorde pessoal de 31 pontos contra o Brooklyn Nets, em 25 de março de 2026. Em 28 de fevereiro, assinou extensão de três anos e 15 milhões de dólares, com opção do jogador para 2028/29.
| Temporada | Jogos | Titular | Minutos | Pontos | Rebotes | Assistências |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 2023/24 | 23 | 0 | 8,3 | 3,6 | 2,1 | 0,6 |
| 2024/25 | 56 | 2 | 13,6 | 4,1 | 3,1 | 1,4 |
| 2025/26 | 68 | 30 | 20,5 | 9,2 | 3,9 | 2,3 |
Médias por jogo na temporada regular da NBA.
A história completa dos jogadores do país na liga está no nosso levantamento de todos os brasileiros que já jogaram na NBA.
O que ele aprendeu vendo Jimmy Butler
Perguntado sobre onde o seu jogo pode dar um salto, Gui apontou o próprio ponto fraco: os desperdícios de bola quando acelerava demais. E citou o companheiro Jimmy Butler, que se recupera de uma cirurgia para reparar o ligamento cruzado anterior do joelho direito, lesão sofrida em 19 de janeiro. Não há prazo para a volta do veterano, e os Warriors esperam tê-lo de volta no início de 2027.
“Acho que é jogar mais sob controle. Muitas vezes, no ano passado, eu tentava acelerar um pouco, e era aí que eu perdia a bola, que cometia muitos erros”, afirmou. “Depois de observar o Jimmy por quase dois anos, eu sei que, se eu jogar sob controle, toda vez que ele entra no garrafão ele usa os dois pés para tomar a próxima decisão. Observar o Jimmy e esses caras, como eles fazem, é o que realmente leva você ao próximo nível.”
Gui também lembrou que, na reta final da temporada passada, voltou a ter a bola nas mãos como fazia no Brasil, onde jogava quase como armador. “Tudo era muito novo para mim. Eu jogava assim antes de chegar à NBA, depois mudei um pouco o meu estilo, e voltei a ser o mesmo Gui que jogava quase como armador no Brasil”, contou. “Não há nada melhor para aprender do que passar pelas situações. Eu passei por todas as situações que você pode imaginar. Lembro que tive o arremesso para vencer o jogo contra o New York e passei a bola.”
Titular ou reserva, “não muda nada”
Com Butler fora e o elenco reforçado por alas como o novato Yaxel Lendeborg, 11ª escolha do draft de 2026 e campeão universitário por Michigan, Gui disse não se preocupar com a disputa por uma vaga entre os titulares. “Para mim, não faz diferença começar o jogo ou começar no banco, porque, no fim do dia, se você ajuda o seu time a vencer, é isso que importa”, declarou. “Assim que o Steve chamar o meu nome e eu pisar na quadra, vou dar o melhor que eu puder.”
Sobre as metas, o brasileiro quer repetir o nível da parte final de 2025/26. “Se eles precisarem que eu faça mais pontos, vou ser capaz de fazer. Mas se precisarem de ajuda em outras partes do jogo, também vou fazer”, disse. Ele reconheceu ainda que o foco de Steve Kerr para a temporada passa por reduzir desperdícios: “Eu sempre perco a bola mais do que deveria.”
Os Warriors fazem o training camp no Havaí antes da estreia na temporada 2026/27. Para conhecer melhor a franquia de Stephen Curry, veja a nossa página sobre a história e os títulos do Golden State Warriors. Sobre o futuro de Gui na seleção, leia também por que Gui Santos não foi convocado pela Seleção Brasileira.
Fontes: NBC Sports Bay Area, Basketball Reference, Metrópoles, Top View, Lance!.