Gabriel Bortoleto, piloto da Audi na Fórmula 1, contou em entrevista à La Gazzetta dello Sport, publicada em 19 de setembro, que tem cada vez mais medo de avião. O brasileiro de 21 anos também revelou que deixou vazio, de propósito, um espaço em sua casa em Mônaco para guardar o primeiro troféu que conquistar na categoria.

As declarações chegam na semana do GP do Azerbaijão, 15ª etapa da temporada, que terá a corrida no sábado (26), às 8h de Brasília, no circuito de rua de Baku.

“A cada ano que passa, tenho um pouco mais de medo”

Questionado pelo jornal italiano sobre a rotina de viagens da F1, Bortoleto definiu a relação como de amor e ódio. “Amor porque ser piloto de Fórmula 1 me permite conhecer lugares novos, visitar lugares lindíssimos, rodar o mundo. Ódio porque eu não gosto de voar, e a cada ano que passa tenho um pouco mais de medo”, disse.

O piloto explicou que o comportamento a bordo mudou desde as primeiras viagens. “Nas primeiras vezes, eu entrava no avião, sentava confortável, reclinava o assento e dormia na hora. Agora, antes de relaxar, espero a decolagem, confiro se está tudo certo e se a turbulência passou. Aí, se tudo vai bem, consigo dormir ou assisto a alguma série para passar o tempo”, contou.

Longe das pistas, o fim de semana ideal é simples, segundo ele: “Ficar em casa, dormir, comer um belo bife e descansar. Só isso.”

Lugar reservado para o primeiro troféu e memórias na casa do irmão

Bortoleto ainda não subiu ao pódio na F1, mas já decidiu onde o primeiro troféu vai ficar. “Para esse eu já preparei o lugar na minha casa em Mônaco. Deixei vazio de propósito: vai ficar ali”, afirmou à Gazzetta.

As lembranças do início da carreira estão no Brasil. “Levei tudo para lá, montamos um espaço bacana na casa do meu irmão. Tem um pouco de tudo: o primeiro kart, o primeiro macacão, o primeiro capacete. Toda vez que volto, levo alguma coisa comigo”, relatou.

O paulista, que diz ter morado quase sete anos na Itália, apontou como uma das corridas mais marcantes da vida a prova principal da Fórmula 2 em Monza, em 2024. “Larguei em último porque errei na classificação e rodei. Mas eu tinha um ritmo incrível e consegui vencer com uma bela recuperação”, lembrou. Naquele ano, ele foi campeão da F2, um ano depois de conquistar o título da Fórmula 3.

O sonho declarado: ser campeão com a Audi

Ao fim da entrevista, perguntado sobre o maior sonho, Bortoleto respondeu sem rodeios: “Vencer o Mundial de Fórmula 1 com a Audi.”

A ambição foi reforçada em outra entrevista, concedida à Sky Sports e reproduzida pelo Lance! em 22 de setembro. “Não quero parecer arrogante, porque não sou assim, mas a verdade é que quero ser o maior campeão. Quero ser lembrado um dia, quando me aposentar da Fórmula 1, como alguém que fez história no esporte”, disse. Na mesma conversa, ele ponderou: “Não preciso pensar em ser o maior campeão antes mesmo de conquistar um pódio. Esse não é o meu foco agora.” Hoje, os recordistas de títulos são Lewis Hamilton e Michael Schumacher, com sete cada, como mostra a lista dos maiores campeões da Fórmula 1.

Os números de Bortoleto na F1

Em 2026, após 14 etapas, Bortoleto é o 14º colocado do Mundial de Pilotos, com 10 pontos, à frente do companheiro Nico Hülkenberg (7). Os pontos vieram do 9º lugar na Austrália e de dois 8º lugares, na Grã-Bretanha e na Bélgica. Na estreia, em 2025, pela Sauber, terminou em 19º, com 19 pontos, e teve como melhor resultado o 6º lugar no GP da Hungria.

Temporada Equipe Posição Pontos Melhor resultado
2025 Sauber 19º 19 6º (Hungria)
2026 (até a 14ª etapa) Audi 14º 10 8º (Grã-Bretanha e Bélgica)

Segundo as estatísticas oficiais da F1, o brasileiro soma 37 Grandes Prêmios e 29 pontos na carreira, ainda sem pódio. No circuito de Baku, onde terminou em 11º no ano passado, o treino classificatório será na sexta-feira (25), às 9h de Brasília.

Fontes: La Gazzetta dello Sport, Sky Sports, Lance!, Fórmula 1.