Luisa Stefani conquistou no domingo (11) o WTA 1000 de Pequim, na China, ao lado da canadense Gabriela Dabrowski. Na final, a dupla atropelou a tcheca Katerina Siniakova, número 1 do mundo nas duplas, e a chinesa Shuai Zhang por 6/1 e 6/2, em apenas 59 minutos. Foi o quinto título da parceria em 2026 e o 18º da paulistana no circuito da WTA, aos 29 anos.
O troféu chega no momento mais alto de uma carreira marcada por uma medalha olímpica improvável, uma lesão grave no joelho e uma volta que hoje coloca a brasileira entre as três melhores duplistas do planeta.
“Muito especial dividir essa semana com a Gabi”
A frase de Stefani, registrada pela Agência Brasil, resume a semana em Pequim. Antes da decisão, a dupla eliminou as italianas Sara Errani e Jasmine Paolini, campeãs olímpicas em Paris 2024, por 7/5 e 7/6 (8/6). “Muito felizes com a vitória. Elas são uma grande dupla e foi um jogo de alto nível”, disse a brasileira, segundo a CNN Brasil, que descreveu o confronto como “uma espécie de gato e rato, jogo de xadrez”.
Na semifinal, contra a belga Elise Mertens e a russa Diana Shnaider, o jogo foi decidido no match tie-break: 6/4, 3/6 e 10/7. “Estou muito feliz que conseguimos a vitória, especialmente no super tie-break”, afirmou ao TenisNews. Sobre Dabrowski, foi direta: “Ela aparece não importa o que aconteça”.
A briga pelo topo do ranking
Além de Pequim, Stefani e Dabrowski venceram em 2026 o WTA 1000 de Dubai, o WTA 500 de Estrasburgo, o WTA 250 de Eastbourne e o SP Open. Chegaram ainda à final de Wimbledon e à semifinal do US Open. Segundo a Agência Brasil, formam a segunda melhor dupla da temporada e já estão classificadas para o WTA Finals, disputado de 8 a 15 de novembro, nos Estados Unidos.
A rivalidade direta é com Siniakova e a americana Taylor Townsend, líderes da corrida com menos de 700 pontos de vantagem. Uma vitória no WTA 1000 de Wuhan, que começou nesta segunda-feira (12), pode colocar a parceria em primeiro lugar.
| Ano | Marco |
|---|---|
| 2021 | Bronze olímpico em Tóquio com Laura Pigossi |
| 2021 | Ruptura do ligamento cruzado no US Open |
| 2023 | Campeã do Australian Open nas duplas mistas com Rafael Matos |
| 2025 | Vice do WTA Finals com Timea Babos |
| 2026 | Vice em Wimbledon e cinco títulos com Gabriela Dabrowski |
Do bronze em Tóquio à lesão no US Open
Nascida em São Paulo em 9 de agosto de 1997, Stefani passou pelo tênis universitário dos Estados Unidos, na Pepperdine University, antes de se firmar no circuito profissional. O primeiro grande marco veio nos Jogos de Tóquio. Ao lado de Laura Pigossi, entrou no torneio como a última dupla inscrita e terminou com o bronze em 31 de julho de 2021, ao vencer as russas Elena Vesnina e Veronika Kudermetova por 4/6, 6/4 e 11/9, salvando quatro match points no match tie-break. Foi a primeira medalha olímpica do Brasil no tênis, como registrou o Lance!.
Semanas depois, já com Dabrowski, Stefani disputava a semifinal do US Open quando sofreu a ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho direito. Operada em Chicago, ficou cerca de um ano afastada e voltou em setembro de 2022, no WTA 250 de Chennai, na Índia, onde ela e Dabrowski foram campeãs.
O Grand Slam e a volta por cima
Em janeiro de 2023, Stefani e Rafael Matos venceram o Australian Open nas duplas mistas, batendo os indianos Sania Mirza e Rohan Bopanna por 7/6 (7/2) e 6/2. Foi o primeiro título de Grand Slam de uma dupla 100% brasileira e o primeiro de uma brasileira desde Maria Esther Bueno. “É o melhor momento da minha carreira, desde a lesão nas semis do US Open”, disse ela na época, ao Flashscore.
Em 2025, com a húngara Timea Babos, somou quatro títulos e foi vice do WTA Finals, perdendo a decisão para Kudermetova e Mertens por 7/6 (7/4) e 6/1, a primeira final de uma brasileira em um dos cinco maiores torneios do circuito. Em 2026, de volta ao lado de Dabrowski, alcançou em julho a primeira final de duplas femininas de Grand Slam da carreira, em Wimbledon, perdida para Kristina Mladenovic e Hanyu Guo por 6/3 e 7/5. Segundo a BandNews, ela se tornou ali a primeira brasileira no top 5 do ranking de duplas desde a criação da lista feminina, em 1974. Hoje, de acordo com o Lance!, é a número 3 do mundo.
Ela já figura entre os melhores tenistas brasileiros da história e, com o bronze de Tóquio, entrou na lista de medalhistas olímpicos do Brasil. A campanha na grama de Wimbledon reforçou esse lugar.
O que vem a seguir
Depois de Wuhan, a dupla tem previsto o WTA 500 de Tóquio e, em seguida, o WTA Finals, entre 8 e 15 de novembro. Ali, Stefani tentará o título que escapou em 2025 e, quem sabe, terminar a temporada no topo do ranking de duplas.
Fontes: Agência Brasil, Lance!, CNN Brasil, TenisNews, Metrópoles, Flashscore, BandNews FM, ABCdoABC, Wikipedia.