O futevôlei é disputado em duplas, numa quadra de areia de 18 m x 9 m, com rede a 2,20 m no masculino e 2,00 m no feminino. Cada dupla tem até três toques para devolver a bola, sem usar mãos, antebraços e braços, e o mesmo jogador não pode tocar duas vezes seguidas. Na primeira fase, vence quem chega primeiro a 18 pontos com dois de vantagem; semifinais e finais são em melhor de três sets.
As regras abaixo seguem o livro de regras oficial assinado pela Federação Internacional de Futevôlei (FIFv) e pela Confederação Brasileira de Futevôlei (CBFv), elaborado pela Comissão Internacional de Regras e datado de 22 de abril de 2019, em Goiânia. Torneios regionais podem adaptar a pontuação em seus regulamentos, mas a base é a mesma.
Resumo das regras do futevôlei
| Item | Regra oficial (FIFv/CBFv) |
|---|---|
| Jogadores | 2 por equipe |
| Quadra | 18 m x 9 m, com zona livre de no mínimo 3 m |
| Areia | Grãos finos, profundidade mínima de 30 cm |
| Altura da rede | 2,20 m (masculino) e 2,00 m (feminino), medida no centro |
| Toques por equipe | Até 3; o mesmo jogador não toca duas vezes seguidas |
| Partes do corpo proibidas | Mãos, antebraços e braços |
| Set da primeira fase | Set único de 18 pontos, com 2 de diferença |
| Semifinal e final | 2 sets vencedores de 18 pontos; set decisivo de 15 |
| Troca de lado | A cada 6 pontos (a cada 5 no set decisivo) |
| Saque | Com o pé, a bola apoiada num monte de areia, em até 5 segundos |
| Bola | Circunferência de 68 a 70 cm, coberta de borracha à prova d’água |
A quadra e a rede
A área de jogo tem a quadra retangular de 18 m x 9 m e uma zona livre simétrica de pelo menos 3 m em volta. O piso deve ser de areia nivelada, sem pedras ou conchas, com no mínimo 30 cm de profundidade. As linhas laterais e de fundo fazem parte da quadra: bola que cai sobre a linha é bola dentro. A zona de saque ocupa toda a largura de 9 m atrás da linha de fundo.
A rede mede 1 m de altura por 9,5 m de comprimento, com malha de quadrados de 10 cm. A altura oficial é de 2,20 m para jogos masculinos de duplas e de 2,00 m para jogos femininos, medida no centro da quadra; as extremidades podem ficar até 2 cm mais altas. Duas antenas de 1,8 m, fixadas sobre as linhas laterais, delimitam o espaço por onde a bola pode cruzar. Os postes devem ser acolchoados.
Para as categorias de base, o livro de regras prevê redes mais baixas:
| Faixa etária | Feminino | Masculino |
|---|---|---|
| Até 12 anos | 1,70 m | 1,90 m |
| Até 14 anos | 1,80 m | 2,00 m |
| Até 16 anos | 1,90 m | 2,10 m |
Toques: o que pode e o que não pode
Cada equipe pode tocar a bola no máximo três vezes antes de mandá-la para o outro lado. Contatos involuntários também contam como toque. O mesmo atleta não pode tocar duas vezes consecutivas, e quando os dois jogadores da dupla tocam a bola ao mesmo tempo, a regra considera dois toques.
A bola pode ser tocada com qualquer parte do corpo, exceto mãos, antebraços e braços. Na prática, os fundamentos usam pés, coxas, peito, ombros e cabeça. O toque precisa ser nítido: a bola não pode ser retida nem conduzida. As faltas de toque previstas são:
- Dois toques: o mesmo jogador toca duas vezes seguidas, ou a bola bate em várias partes do corpo dele em sequência.
- Quatro toques: a equipe toca quatro vezes antes de devolver.
- Toque irregular: a bola toca braço, antebraço ou mão, ou é retida ou conduzida (a chamada condução).
- Toque apoiado: o jogador se apoia no parceiro ou em alguma estrutura para alcançar a bola.
O bloqueio também existe no futevôlei, feito com qualquer parte do corpo menos mãos e braços (a cabeça, por exemplo), desde que o contato aconteça acima do bordo superior da rede. Um detalhe importante: o toque de bloqueio não conta como primeiro toque, e a dupla ainda tem três toques depois dele. É proibido bloquear o saque.
Pontuação e formato dos jogos
O futevôlei usa o sistema de ponto por rally: toda jogada vale ponto. A equipe marca quando a bola toca o chão da quadra adversária, quando o rival manda a bola para fora ou quando o rival comete uma falta.
Na primeira fase, o jogo é decidido em um set único: vence quem chegar primeiro a 18 pontos com pelo menos 2 de diferença. Se houver empate em 17 a 17, a partida segue até que alguém abra dois pontos. Nas semifinais e finais, a disputa é em dois sets vencedores de 18 pontos. Em caso de 1 a 1, há um set decisivo de 15 pontos, também com diferença mínima de 2 e sem limite de pontos.
As duplas trocam de lado a cada 6 pontos nos sets de 18 e a cada 5 pontos no set decisivo, sem descanso nem parada para hidratação nesse momento. O intervalo entre sets é de 3 minutos. Cada equipe tem direito a um pedido de tempo de 1 minuto por partida, solicitado apenas pelo capitão, e cada atleta tem um tempo médico de até 5 minutos por jogo.
Como funciona o saque
O saque é feito por um jogador posicionado na zona de saque, que coloca a bola sobre a areia e a chuta com um dos pés. O sacador pode fazer um pequeno monte de areia para apoiar a bola, sem encostar na linha da quadra. Depois de colocar a bola no monte, ele não pode mais retirá-la (a não ser que ela role sozinha). Após o apito do primeiro árbitro, há 5 segundos para sacar.
Quem ganha o rally sacando mantém o sacador. Quando a equipe que recebe vence o rally, ela passa a sacar, e o próximo atleta na ordem registrada na súmula assume o saque. A bola do saque pode tocar a rede, desde que cruze pelo espaço entre as antenas. O saque é falta quando o jogador pisa na linha, viola a ordem de saque, tira a bola do monte depois da autorização, quando a bola não passa a rede, toca a antena, cai fora ou passa sobre uma barreira. A barreira acontece quando o parceiro do sacador mexe os braços, salta ou se desloca para esconder o saque do adversário.
Faltas na rede e invasão
Tocar qualquer parte da rede ou das antenas é falta. A exceção é o contato acidental dos cabelos com a rede, que não é punido. Também é falta tocar a bola no espaço adversário antes ou durante o ataque do rival e invadir o lado oposto por baixo da rede interferindo na jogada. No bloqueio, o atleta pode passar a cabeça ou o pé além da rede, desde que não atrapalhe o adversário. A bola que bate na rede durante o rally pode ser recuperada, respeitando o limite de três toques.
Condutas indevidas são punidas com advertência verbal, cartão amarelo, cartão vermelho (com perda do rally), expulsão ou desqualificação, conforme a gravidade.
História: de Copacabana para o mundo
O futevôlei nasceu nas areias de Copacabana, no Rio de Janeiro, na década de 1960. Segundo o acervo Rio Memórias, um grupo de jovens costumava praticar linha de passe na faixa de areia em frente à Rua Bolívar até que, no verão de 1965, a linha de passe à beira-mar foi proibida. “Octávio de Moraes, o Tatá do Botafogo, teve a ideia de ocupar as quadras de vôlei próximas ao calçadão”, registra o texto. Poucos meses depois surgiu a primeira rede dedicada ao futevôlei, em frente à Rua Constante Ramos. Estudos publicados no FIEP Bulletin, baseados em depoimentos de pioneiros, situam a criação entre 1964 e 1965.
No início, o jogo seguia as regras do vôlei, com seis jogadores de cada lado. Na década de 1970, migrou para as redes de Ipanema, e nos anos 1980 o jornalista Luciano do Valle deu novo impulso à modalidade na televisão. Com o tempo, o formato em duplas se consolidou. O primeiro Campeonato Brasileiro de Futevôlei Feminino foi realizado em 2006.
A organização veio depois. Segundo apresentação da própria CBFv na Câmara dos Deputados, em abril de 2018, a confederação foi fundada em Goiânia em 8 de dezembro de 2000, e a FIFv, em 10 de dezembro de 2002. A federação internacional realizou o primeiro Mundial em 2003, em Atenas, com 15 países; o primeiro Mundial no Brasil foi em 2004, em Brasília. Hoje o esporte tem competições estaduais e nacionais, como a Liga Paulista de Futevôlei.
Grandes nomes do futevôlei brasileiro
- Octávio de Moraes (Tatá do Botafogo): apontado como o criador do jogo nas quadras de Copacabana.
- Renan: chamado de “a lenda”, é descrito pelo Rio Memórias como “considerado o maior jogador de futevôlei de todos os tempos”, da turma de Copacabana.
- Edinho, Jairzinho, Júnior e Claudio Adão: jogadores profissionais de futebol que, segundo o mesmo acervo, eram frequentemente vistos jogando futevôlei na praia, ao lado do argentino Doval.
- Renato Gaúcho e Romário: nos anos 1990, a dupla se encantou pelo esporte e ajudou a ampliar sua popularidade.
Futevôlei, vôlei de praia e futebol
O futevôlei herda a estrutura do vôlei: rede, três toques, rally e sets. Quem conhece as regras do vôlei de praia reconhece a contagem e a lógica do bloqueio. A diferença está nos fundamentos, que vêm do futebol: domínio no peito, passe com o pé, ataque de cabeça ou de pé. A trajetória paralela das duas modalidades na areia está contada na história do vôlei de praia.
Perguntas frequentes
Pode encostar a mão na bola no futevôlei?
Não. A bola pode ser tocada com qualquer parte do corpo, exceto mãos, antebraços e braços. Um toque nessas partes é falta de toque irregular, e o rally vai para o adversário.
Quantos toques cada dupla pode dar?
No máximo três por lado, e o mesmo jogador não pode tocar duas vezes seguidas. O toque de bloqueio não entra na conta.
Qual é a altura da rede de futevôlei?
2,20 m no masculino e 2,00 m no feminino, medida no centro da quadra. Nas categorias de base, a rede varia de 1,70 m a 2,10 m, conforme idade e gênero.
Quantos pontos tem um set de futevôlei?
Pelas regras oficiais, 18 pontos com 2 de diferença. Em jogos de melhor de três sets, o terceiro set vai a 15 pontos.
Quem inventou o futevôlei?
A criação é atribuída a Octávio de Moraes, o Tatá do Botafogo, e a seu grupo de amigos em Copacabana, em meados da década de 1960.
Fontes: FIFv, CBFv, Câmara dos Deputados, Rio Memórias, FIEP Bulletin.