Piadista no paddock, rápido na pista e amigo de verdade de Ayrton Senna: Gerhard Berger é o austríaco que venceu 10 Grandes Prêmios em 210 largadas na Fórmula 1, entre 1984 e 1997, por ATS, Arrows, Benetton, Ferrari e McLaren. Nunca foi campeão, mas terminou o Mundial em terceiro duas vezes (1988 e 1994) e escreveu algumas das histórias mais divertidas da categoria. Vem com a gente conhecer a trajetória dele.
| Gerhard Berger | Ficha |
|---|---|
| Nascimento | 27/08/1959, em Wörgl (Tirol, Áustria) |
| Temporadas na F1 | 1984 a 1997 |
| Equipes | ATS, Arrows, Benetton, Ferrari e McLaren |
| Grandes Prêmios | 210 |
| Vitórias | 10 |
| Pódios | 48 |
| Pole positions | 12 |
| Voltas mais rápidas | 21 |
| Pontos | 385 |
| Melhor posição no Mundial | 3º lugar (1988 e 1994) |
Do pátio da transportadora à Fórmula 1
Berger cresceu em meio aos caminhões da empresa de transportes dos pais, no Tirol, e treinava manobras nos estacionamentos da firma. Formado mecânico de automóveis, passou por Fórmula Ford e pela F3 alemã e europeia antes de chegar à F1 com a ATS-BMW, em 1984. Na sua segunda prova, em Monza, cruzou em sexto, mas ficou sem o ponto porque não estava inscrito oficialmente na disputa do título.
Em 1985 correu pela Arrows-BMW e, no mesmo ano, venceu as 24 Horas de Spa-Francorchamps de turismo. A virada veio em 1986, na estreia da Benetton: no México, Berger completou a corrida inteira com um único jogo de pneus Pirelli na altitude, enquanto os rivais paravam para trocar, e deu a primeira vitória ao piloto e à equipe.
Ferrari: Monza 1988 e o fogo de Imola
Contratado pela Ferrari, Berger venceu as duas últimas provas de 1987, no Japão e na Austrália. Mas a cena que o eternizou entre os tifosi veio em 11 de setembro de 1988. A McLaren-Honda tinha vencido todas as 11 corridas do ano, e a Ferrari estava de luto: Enzo Ferrari tinha morrido menos de um mês antes. Faltando duas voltas, Senna liderava em Monza quando se enroscou com o retardatário Jean-Louis Schlesser na primeira chicane. Berger herdou a ponta, com Michele Alboreto logo atrás, e a dobradinha vermelha fez Monza explodir. Foi a única derrota da McLaren naquela temporada, e Berger fechou o ano em terceiro no Mundial.
Em 1989 veio o susto. No começo do GP de São Marino, a asa dianteira da Ferrari falhou e o carro bateu no muro da Tamburello com o tanque cheio, pegando fogo. O primeiro fiscal começou a combater as chamas 14 segundos depois de o carro parar. Berger saiu com queimaduras de segundo grau nas mãos e uma costela trincada, perdeu apenas o GP de Mônaco e ainda venceu em Portugal no fim do ano. Anos depois, admitiu que a batida foi um alerta de que podia se machucar seriamente.
McLaren com Senna: amizade, sapos e uma maleta voando
Em 1990 Berger ocupou o lugar de Alain Prost na McLaren e virou companheiro de Ayrton Senna até 1992. Na pista, a tarefa era ingrata. Fora dela, nasceu uma das amizades mais famosas da F1, recheada de pegadinhas. Numa viagem à Austrália, Berger viu sapos pulando num campo de golfe durante uma corrida noturna, deu 100 dólares ao concierge do hotel para conseguir mais e soltou o saco cheio de bichos no quarto do brasileiro.
A mais célebre aconteceu em setembro de 1991, a caminho de Monza. Senna pilotava o helicóptero, com Ron Dennis e a esposa a bordo, quando Berger abriu a porta a uns 150 metros de altura e jogou fora a maleta do amigo, cheia de papéis. Um funcionário do heliponto achou que a aeronave tinha perdido uma peça e correu para buscar o objeto. As canetas estouraram e a tinta manchou tudo.
A pista também teve seu momento. Em Suzuka, 1991, Berger largou na pole e, com o tricampeonato de Senna garantido após a saída de Mansell, o brasileiro tirou o pé na última volta e deixou o parceiro vencer. Berger ainda ganhou no Canadá e na Austrália em 1992, esta última na sua despedida da McLaren.
O ângulo brasileiro
Para o torcedor brasileiro, Berger é antes de tudo o grande amigo de Senna. Ele estava em Imola em 1994, largando em terceiro com a Ferrari, num fim de semana que já tinha a morte de Roland Ratzenberger e o forte acidente de Rubens Barrichello na sexta-feira. Depois da batida de Senna, Berger foi ao hospital em Bologna e, duas semanas mais tarde, estava de volta à pista em Mônaco. Em 2019 resumiu o que pensava do amigo: Piquet, Lauda, Prost e Schumacher foram grandes campeões, mas, segundo ele, havia sempre alguém acima deles, Ayrton.
O GP do Brasil também marcou a carreira do austríaco: foi segundo em 1988, 1990 e 1997 e terceiro em 1991 e 1995. Em 1993, na largada, a McLaren de Michael Andretti decolou sobre a Ferrari dele e os dois ficaram fora da prova ali mesmo.
Segunda passagem pela Ferrari e despedida na Benetton
De volta a Maranello de 1993 a 1995, ao lado de Jean Alesi, Berger venceu em Hockenheim em 1994 e repetiu o terceiro lugar no campeonato. Em 1996 e 1997 levou a dupla com Alesi para a Benetton-Renault. Em 1997, abatido por uma doença e pela morte do pai num acidente de avião de pequeno porte, voltou às pistas em Hockenheim e venceu. Foi a última vitória dele e também da Benetton. Na nossa opinião, poucos pilotos fecharam um ciclo com tanta classe. Ele se aposentou no fim daquele ano.
As 10 vitórias de Berger na F1:
- México 1986 (Benetton)
- Japão 1987 e Austrália 1987 (Ferrari)
- Itália 1988 (Ferrari)
- Portugal 1989 (Ferrari)
- Japão 1991 (McLaren)
- Canadá 1992 e Austrália 1992 (McLaren)
- Alemanha 1994 (Ferrari)
- Alemanha 1997 (Benetton)
Depois das pistas: BMW, Toro Rosso, FIA e DTM
Berger foi diretor da BMW Motorsport de 1998 a 2003, período em que a marca alemã voltou à F1 como fornecedora de motores da Williams. Em 2006 tornou-se dono de 50% da Toro Rosso, a antiga Minardi, ao lado da Red Bull, e comemorou a vitória de Sebastian Vettel em Monza, em 2008. Em novembro daquele ano, a Red Bull recomprou a parte dele. Desde 2011 presidiu a Comissão de Monopostos da FIA, e em 2017 assumiu a ITR, promotora da DTM, o campeonato alemão de turismo. No fim de 2022 encerrou a ITR e a série passou ao ADAC.
Em 21/10/2026, Berger não tem cargo fixo em equipe da F1: segue comentando a categoria na imprensa austríaca, e em julho levou a Benetton-BMW B186 de 1986 ao Festival of Speed de Goodwood, na primeira participação dele no evento. “Esse carro tinha 1.400 cavalos sem controle de tração”, disse, ao lembrar a era de ouro da categoria.
Perguntas frequentes
Quantos anos tem Gerhard Berger?
Ele nasceu em 27 de agosto de 1959, em Wörgl, no Tirol austríaco.
Gerhard Berger tem filhos?
Sim. Em 2019, na época dos 60 anos, a imprensa austríaca informou que ele tem cinco filhos e vive em Söll, no Tirol, com a companheira Helene e os dois caçulas.
Qual é a fortuna de Gerhard Berger?
Não existe número oficial. Além do que ganhou como piloto e dirigente, ele tem negócios fora das pistas: em 2019, a imprensa austríaca citava uma empresa de tecnologia automotiva e outra de logística, num Tirol onde a família já atuava no ramo de transportes.
É verdade que roubaram uma Ferrari de Berger?
Sim. Uma Ferrari F512M vermelha foi furtada durante o GP de São Marino de 1995, em Imola. A polícia de Londres recuperou o carro em 2024, antes que ele deixasse o Reino Unido numa venda para um comprador dos Estados Unidos.
Leia também: a história de Ayrton Senna, quem foi o maior amigo de Senna, os maiores pilotos da Ferrari e os 10 maiores pilotos da história da McLaren.
Quiz: você sabe tudo sobre Gerhard Berger?
Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.
1. Em qual Grande Prêmio Berger conquistou a primeira vitória na Fórmula 1?
2. Quem completou a dobradinha da Ferrari atrás de Berger em Monza, em 1988?
3. O que Berger atirou do helicóptero pilotado por Senna a caminho de Monza, em 1991?
4. Em que corrida Senna abriu passagem na última volta para Berger vencer?
5. Qual foi a última vitória de Berger na Fórmula 1?
Seus acertos:
Fontes: Formula1.com, FIA, McLaren, Motor Sport Magazine, Autosport, Goodwood, Grandprix.com, Senna.com, Salzburg24, Gazeta Esportiva, Band, ITV News, Sportscar365, IOL.