A líbero Marcelle Arruda, de 24 anos, conquistou três títulos em 33 dias: o Sul-Americano com a Seleção Brasileira em 13 de setembro, o Campeonato Paulista com o Osasco em 13 de outubro e, na noite de sexta-feira (16), a Supercopa feminina de vôlei, depois de o Osasco vencer o Praia Clube por 3 sets a 0 no Ginásio Castelinho, em São Luís (MA). Recém-chegada ao clube paulista, ela vive o período mais vitorioso de uma carreira que começou longe das quadras, no futebol.

“É um sonho”

A frase que resume a trajetória recente de Marcelle foi dita há pouco mais de um ano, na véspera da semifinal do Mundial de 2025, segundo o NSC Total: “Estou muito feliz por viver tudo isso na seleção. É um sonho”. Na mesma época, ela disse que as jogadoras do grupo comandado por José Roberto Guimarães estavam “leves, tranquilas e unidas”. Desde então, a jogadora deixou de ser a novidade da convocação para se tornar, nas palavras de O Liberal, “uma das principais opções para a posição” na Seleção.

Da Formiga às quadras

Marcelle de Arruda Mattos da Silva nasceu no Rio de Janeiro em 2 de fevereiro de 2002, segundo o cadastro oficial da Volleyball World, e foi criada no Morro da Formiga, na Zona Norte da cidade. Começou no futebol, migrou para o vôlei e chegou às seleções de base como ponteira. Com 1,63 m, foi deslocada para a função de líbero, a especialista em defesa e recepção.

No Sesc-Flamengo, sob o comando de Bernardinho, foi reserva da líbero Laís. A virada de chave no clube veio em 2024, quando se transferiu para o Fluminense. No Tricolor, virou o “pilar da defesa”, como definiu o Portal Tela, e ajudou a levar o time às quartas de final da Superliga. Em janeiro de 2026, ainda com a camisa tricolor, enfrentou justamente o Osasco nas quartas de final da Copa Brasil.

O ponto de virada: a Seleção em 2025

A ascensão foi rápida. Marcelle foi chamada inicialmente apenas para treinar com o grupo da Liga das Nações de 2025 e acabou oficialmente convocada, num momento em que Nyeme e Natinha estavam fora por motivos pessoais. A partir da terceira semana da competição, virou titular. O Brasil terminou a Liga das Nações com a prata e, em setembro, conquistou o bronze no Mundial disputado na Tailândia, ao vencer o Japão por 3 a 2 em Bangkok. Foi apenas a segunda medalha de bronze do país na história do Mundial feminino.

O desempenho rendeu comparações pesadas. Torcedores passaram a chamá-la de “Marcelle Alvim”, em referência a Fabi Alvim, bicampeã olímpica e uma das maiores líberos da história. A própria Fabi, em entrevista ao ge reproduzida pelo NSC Total, elogiou a defesa e a recepção da jovem: “O que impressiona é a segurança apresentada”.

Três títulos em 33 dias

O primeiro troféu da sequência veio no Maracanãzinho. A Seleção Brasileira feminina fechou o Sul-Americano de 2026 sem perder sets e venceu a Argentina por 3 a 0 (26/24, 25/19 e 25/16) na rodada final, em 13 de setembro. O título, o 23º do Brasil na competição e o 16º seguido, garantiu a vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

Exatamente um mês depois, em 13 de outubro, Marcelle já defendia o Osasco na decisão do Campeonato Paulista contra o Sesi Bauru, na Arena Paulo Skaf. O Osasco levou o título no golden set, por 25 a 21, e chegou ao 19º título paulista de sua história. “É uma vitória de um time que está em formação, que fez apenas seu quarto jogo junto”, disse o técnico Luizomar de Moura, segundo a Gazeta Esportiva.

Três dias depois, veio a Supercopa. Em São Luís, o Osasco venceu o Praia Clube por 25/22, 25/21 e 25/21. De acordo com o Lance!, o sistema de bloqueio e defesa do time paulista neutralizou as principais atacantes adversárias, Sabrina e Kuznetsova, e garantiu o segundo título seguido do clube na competição. A final colocava frente a frente duas campeãs sul-americanas com a Seleção: Marcelle e a oposta Sabrina, do Praia Clube, também recém-chegada ao novo clube. Quem vencesse sairia de São Luís com três títulos em pouco mais de um mês, como antecipou o No Ataque.

Os números da sequência

Data Competição Equipe Resultado
13/09/2026 Campeonato Sul-Americano Seleção Brasileira 3 a 0 na Argentina, campanha sem sets perdidos
13/10/2026 Campeonato Paulista Osasco Título no golden set (25/21) contra o Sesi Bauru
16/10/2026 Supercopa feminina Osasco 3 a 0 no Praia Clube (25/22, 25/21, 25/21)
  • 33 dias entre o primeiro e o terceiro título, uma média de um troféu a cada 11 dias.
  • 2 medalhas com a Seleção em 2025: prata na Liga das Nações e bronze no Mundial.
  • 1,63 m de altura, o motivo da mudança de ponteira para líbero.

O que vem a seguir

Sem tempo para comemorar, o Osasco estreia na Superliga feminina na segunda-feira (19), às 18h30 (horário de Brasília), contra o Brasília, fora de casa. Para Marcelle, a temporada de clube é também uma vitrine para manter o posto conquistado na Seleção, já classificada para Los Angeles 2028 e para o Mundial de 2027.

Fontes: No Ataque, Lance!, Gazeta Esportiva, NSC Total, Portal Tela, O Liberal, Itatiaia, Diário do Grande ABC, Volleyball World.