O arqueiro Marcus D’Almeida deixou os Jogos Sul-Americanos de Santa Fé 2026 com duas medalhas de ouro, uma de prata e uma frase que resume a forma como encara a carreira: “O tiro com arco é 90% cabeça”. A declaração foi dada ao site Olimpíada Todo Dia em Rosário, na Argentina, subsede da modalidade, e publicada no domingo (27). Dois dias antes, na sexta-feira (25), o carioca já havia feito um balanço franco da campanha após perder a final individual do arco recurvo no desempate: “Faltou mais um ouro”.

Nesta segunda-feira (28), a World Archery publicou a atualização do ranking mundial masculino do recurvo, e o brasileiro segue na primeira posição, com 378,75 pontos, apenas 0,25 à frente do americano Brady Ellison (378,5).

“Tudo vem da mente”: a confidência de D’Almeida

Na entrevista concedida após as rodadas classificatórias em Rosário, D’Almeida explicou por que considera a preparação psicológica o centro do seu esporte. “O tiro com arco é 90% cabeça, porque você tem que tomar todas as decisões, olhar o vento, avaliar tudo e ter a confiança necessária para fazer um bom disparo. Tudo vem da mente”, disse ao Olimpíada Todo Dia.

O arqueiro também contou que não enxerga a modalidade como um duelo direto contra os rivais. “Gosto muito de treinar tiro com arco e me sinto confortável nisso, por isso sigo trabalhando. Gosto que não é uma competição contra ninguém, mas contra mim mesmo e sobre como me tornar melhor”, afirmou.

Sobre a presença em Santa Fé, D’Almeida destacou o lado coletivo: “Viemos para fazer o nosso melhor e acho que como equipe estamos aqui para trabalhar mais. Precisamos de mais disputas por equipes e estamos aqui justamente por isso.”

A final perdida no vento

A final individual do recurvo, disputada na sexta-feira (25), terminou empatada em 5 a 5 contra o colombiano Jorge Enríquez. No desempate, os dois acertaram 9 na primeira flecha e novamente 9 na segunda, mas a flecha do colombiano ficou mais perto do centro do alvo, segundo o relato do Olimpíada Todo Dia.

“O desempate é sempre um pouquinho mais complexo ali, né? Tem um pouquinho mais de sorte envolvida. O vento hoje estava difícil e aí eu não consegui algumas flechas ali, inclusive no desempate. O vento acabou levando para a direita, a altura foi perfeita, mas foi para a direita”, explicou o brasileiro.

Líder da fase classificatória, D’Almeida chegou à decisão depois de vencer o peruano Gustavo Romero nas oitavas de final, o argentino Esteban Silva nas quartas e o compatriota Matheus Ely por 6 a 4 na semifinal.

Campanha em Santa Fé 2026 em números

Prova Resultado Parceiros ou adversário
Recurvo por equipes Ouro Com Matheus Ely e Matheus Gomes
Recurvo duplas mistas Ouro Com Ana Luiza Caetano
Recurvo individual Prata Derrota para Jorge Enríquez (Colômbia) no desempate, após 5 a 5

Mesmo com dois títulos, o carioca não escondeu a sensação de que poderia ter ido além. “Eu não vou falar que o trabalho todo que eu fiz, as decisões que eu tomei por uma flecha, foi certo ou foi errado, né? Atirei mais de 150 flechas, quase todas boas, então tá bom. Satisfeito é forte, né? Porque faltou mais um ouro. Mas também não dá para reclamar, né? Tem dois ouros e uma prata, tudo bem”, completou.

Um torneio de passagem depois de um mês parado

O próprio atleta tratou o Sul-Americano como etapa de ajuste. Segundo ele, o mês de agosto foi sem competições, e Santa Fé serviu para voltar ao ritmo e testar mudanças. “É uma competição passagem aqui para mim, uma competição para eu voltar a competir, porque eu fiquei em agosto sem competir. E algumas trocas que eu fiz, alguns testes que eu estou fazendo. Então eu usei o Sul-Americano justamente para isso e estou satisfeito com as decisões que eu tomei em agosto e o resultado que eu tive aqui”, disse.

A disputa com Brady Ellison pelo topo do mundo

A diferença mínima no ranking mundial repete uma história antiga. Em 2014, ainda adolescente, D’Almeida chegou à final da Copa do Mundo e perdeu justamente para Brady Ellison no desempate. Em fevereiro de 2023, o brasileiro se tornou o primeiro do país a liderar o ranking mundial do arco recurvo, e no fim daquela temporada foi eleito pela World Archery o melhor arqueiro do mundo, como o Esportelândia contou na época.

Na lista divulgada nesta segunda-feira, o terceiro colocado, o turco Mete Gazoz, soma 276 pontos, bem distante da dupla que divide o topo.

Quem é Marcus D’Almeida

  • Nascimento: 30 de janeiro de 1998, no Rio de Janeiro.
  • Jogos Olímpicos da Juventude: prata no individual em Nanquim 2014.
  • Campeonatos Mundiais: prata no individual em 2021 (Yankton) e 2025 (Gwangju), bronze em 2023 (Berlim).
  • Jogos Sul-Americanos: tricampeão em Santiago 2014 (individual, equipes e duplas mistas) e bicampeão em Santa Fé 2026 (equipes e duplas mistas).

A campanha argentina fez parte de uma edição em que o Brasil terminou na liderança geral, com destaques em várias modalidades, como o ouro de Alison dos Santos no atletismo. Para acompanhar outras histórias da modalidade no país, veja a seção de tiro com arco do Esportelândia.

Fontes: Olimpíada Todo Dia, World Archery, Wikipedia.