Confira tudo sobre a pugilista Beatriz Ferreira: biografia, cartel, títulos e curiosidades sobre a campeã mundial de boxe

Beatriz Ferreira não cria problemas somente para suas adversárias. Para quem a acompanha, não sabe exatamente como a classificar. Seria ela a maior promessa do boxe brasileiro ou uma das grandes pugilistas da atualidade?

Estamos falando, afinal, de uma boxeadora que em menos de cinco anos de competições oficiais foi bicampeã brasileira e bicampeã mundial — a primeira do País, aliás — e que ainda nem disputou sua primeira Olimpíada.

O que sabemos é que Bia Ferreira é uma excelente pugilista. E temos provas no texto abaixo. Reunimos as mais importantes informações sobre ela: sua biografia, sua história no boxe, seu cartel, seus títulos. Se promessa ou se realidade, é você quem sabe.

Quem é Beatriz Ferreira

Beatriz com a medalha de Ouro do Pan 2019
(Jonne Roriz/COB)

Beatriz Iasmin Soares Ferreira é uma pugilista profissional brasileira, natural de Salvador, na Bahia. Nascida no dia 9 de dezembro de 1992, ela compete nos torneios da AIBA (Associação Internacional de Boxe Amador) desde 2017.

Lutando entre as pesos-leve, Beatriz ficou conhecida no mundo do esporte ao se tornar, em 2019, a primeira brasileira a vencer o Campeonato Mundial de Boxe. Com o título, ela conseguiu outra primazia: ser a melhor do ranking mundial das peso-leve.

Tida como uma pugilista consistente e com uma força acima da média para a sua categoria, Bia é também bicampeã brasileira e medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima, também em 2019.

Além da potência dos golpes, a pugilista também tem um número de conquistas internacionais incomum entre as atletas brasileiras, o que só reforçam a tese de ser uma das grandes do país.

Seu cartel inteiro, com o número de vitórias seis vezes maior do que o derrotas, corroboram a ideia. O número praticamente igual de participações em torneios e de pódios em que subiu (por volta de 30), também.

Biografia de Beatriz Ferreira

Beatriz Ferreira durante os Jogos Militares
(Rodolfo Vilela/MdC)

O boxe está literalmente no sangue de Beatriz Ferreira. Seu pai, Raimundo Ferreira — o “Sergipe” — teve uma ótima carreira entre os anos 1990 e 2000. Foi bicampeão brasileiro e tricampeão baiano no período. Até sparring de Acelino Freitas, o Popó, foi.

Mais do que uma questão hereditária, o boxe era para Bia uma convivência diária. A garagem de casa, convertida pelo pai em academia, atraía os diversos tipos e aspirantes a boxeadores, inclusive ela mesma.

Aos quatro anos idade, a pequenina da família Ferreira já praticava seus golpes na frente do espelho; aos 13, já os aplicava nos meninos com quem treinava, sob os olhares atentos e orgulhosos do pai/técnico.

Ainda que sua evolução no esporte fosse rápida e clara, manteve-se nesse “regime fechado” por cerca de nove anos. Os problema nem era ela mas a falta de competições femininas e oponentes em sua categoria.

História de Beatriz Ferreira no boxe

Beatriz Ferreira no Mundial de Boxe

Foi com 21 anos que Beatriz Ferreira enfim estreou oficialmente no boxe. Logo de cara, venceu sua primeira luta no Campeonato Brasileiro de 2014. E foi suspensa por dois anos com a mesma facilidade.

Não que houvesse algo de errado com a sua luta. Acontece que o regulamento da AIBA (Associação Internacional do Boxe Amador) prevê a “exclusividade” dos competidores no esporte.

O problema: alguns meses antes, Bia participou de um torneio de Muay Thai. Com poucas lutas disponíveis, foi procurar uma nova modalidade para não ficar parada, sabe como é. E não é que a sua adversária caçou fotos de sua presença na “competição proibida” e apelou pela desclassificação da vencedora?

Mais surpreendente que a suspensão em si foi o tempo de duração: 2 anos! Um choque para Bia, que quase desistiu. Mas os caminhos da vida são assim mesmo.

Sem abrir mão do boxe, ela foi disputar os Jogos Abertos do Interior. O torneio não é chancelado pela AIBA mas conta com a maioria dos grandes pugilistas mesmo assim. O alto nível dos adversários, no entanto, não foi o bastante para Beatriz, que venceu em 2014 e em 2015.

Beatriz Ferreira na Seleção Brasileira de Boxe

Junto dos grandes nomes do boxe do país, estavam presentes nos Jogos Abertos do Interior os treinadores da Seleção Brasileira. Estes, claro, assistiram chocados ao desempenho de Beatriz Ferreira nas duas edições. E chamaram-na para treinar com a amarelinha.

Ainda cumprindo sua suspensão, a pugilista não pode lutar pelo Brasil, mas esteve presente no resto.

Em 2016, fez parte do projeto Vivência Olímpica, que põe atletas promissores junto com a delegação para sentir o gostinho da competição e até foi sparring de Adriana Araújo, que foi medalhista de bronze nos Jogos de Londres, em 2012.

Quando chegou 2017, ninguém estava preparado para o que estava por vir. Quer dizer, ela estava. Beatriz Ferreira reestreou arrebentando com tudo.

Em cinco torneios internacionais — que foram o foco da seleção para que ganhasse experiência — disputados, três títulos e cinco pódios no total. Em 2018, sagrou-se bicampeã do Campeonato Brasileiro e também venceu os Jogos Sul-Americanos.

Naquela altura, Bia já tinha se consagrado como um fenômeno do boxe brasileiro, titular da Seleção e duas vezes celebrada no Prêmio Brasil Olímpico. Então veio 2019, que a fez subir para um patamar ainda maior.

Quando Beatriz Ferreira foi campeã mundial de boxe

O ano de 2019 de Beatriz Ferreira foi espetacular. No meio dele, conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru. Depois, perto do seu fim — em outubro, para ser mais exato —, fez história.

Derrotando a chinesa Cong Wang por 5 a 0, Bia venceu o Campeonato Mundial de Boxe. Mais do que isso, tornou-se a primeira pugilista brasileira a conquistar o título, além de uma inspiração para futuras boxeadoras — e uma grande esperança para o inédito ouro olímpico, quem sabe já em Tóquio, em 2021.

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Títulos de Beatriz Ferreira no boxe

  • Jogos Pan-Americanos (2019)
  • Campeonato Mundial de Boxe (2019)
  • Torneio de Belgrado (2017)
  • Campeonato Brasileiro de Boxe (2017, 2018)
  • Torneio de Tegucigalpa (2017)
  • Jogos Abertos do Interior (2014, 2015)
  • Torneio de Sófia (2017)
  • Jogos Sul-Americanos (2018)

Cartel de Beatriz Ferreira

O cartel de Beatriz Ferreira em 2020 aponta mais de cem lutas, 38 oficiais, sendo 33 vitórias e cinco derrotas. A adversária que mais derrotou foi a estadunidense Rashida Ellis, em que bateu três vezes. Já Mira Potkonen, da Finlândia, é a sua maior carrasca. Bia foi duas vezes derrotada por ela.

Curiosidades sobre Beatriz Ferreira

  • O pai de Beatriz Ferreira, Raimundo Ferreira, também foi um pugilista. O “Sergipe” foi bicampeão brasileiro e tricampeão baiano.
  • O amor de Bia pelo boxe era tamanho, e veio tão cedo, que aos 15 anos ela começou a dar aulas de boxe.
  • Parte do ideal “pedagógico” de Beatriz Ferreira era por necessidade. Explicamos: depois de mudar de Salvador para Juiz de Fora, ela não conseguia encontrar muitas adversárias para lutar. Decidiu, então, dar aulas para estimular o esporte entre as mulheres mineiras.
  • Os anos como professora devem ter facilitado a grande oportunidade que teve em 2016. Parte do programa Vivência Olímpica, Beatriz participou da delegação brasileira nos Jogos do Rio-2016 e foi sparring de Adriana Araújo, a primeira medalhista olímpica do boxe feminino.

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*Última atualização dia 18 de novembro de 2020

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