Confira a história da família Grael nas Olimpíadas: as conquistas de Lars e Torben, a biografia de Martine e as próximas gerações

Sejam fotos natalinas, canções especiais de aniversário, ceias de fim de ano, enfim, todo mundo têm uma tradição familiar, por menor que seja. Martine Grael e sua família têm algo, digamos, mais grandioso: as Olimpíadas.

Há quatro gerações no mar e três nos Jogos Olímpicos, o sobrenome Grael é basicamente um sinônimo da vela, mas também de medalha. São de mais de 50 anos nos Jogos, de 15 participações e, a depender de Tóquio, de dez pódios conquistados.

A história dessa vitoriosa família e o rico legado que carrega Martine Grael você conhece no texto que preparamos a seguir.

A história da família Grael

Familia Grael
(Lucas Benevides/Reprodução)

Boa parte da história da vela brasileira confunde-se com a da família Grael. Ainda que a primeiro Iate Clube daqui tenha sido fundado nos anos 1900, foi apenas em 1935 que ocorreu a primeira prova nacional do esporte.

Cinco anos antes, ou seja, em 1930, Preben Shmidt, o dinamarquês radicado no Rio de Janeiro arrematou o barco Aileen, usado por seus conterrâneos na conquista da Medalha de Prata dos Jogos Olímpicos de Estocolmo, em 1912. A ideia era navegar pela Baía de Guanabara com ele.

O gringo seria o progenitor do sobrenome Grael; a embarcação, o ponto de partida da mais esportiva família brasileira.

O legado da família Grael

Preben teve três filhos. Dois deles, os gêmeos Axel e Eric Schmidt, herdaram a paixão pelo mar. E a levaram a novos patamares.

A dupla foi simplesmente tricampeã mundial de Vela, conquistando seus títulos em 1961, 1963 e 1965. Antes e durante, duas medalhas nos Jogos Pan-Americanos: a de ouro, em 1958, e a de prata, em 1963.

Participaram, naturalmente, das Olimpíadas. E novamente, a história da família colidiu com a do principal esporte náutico brasileiro. Na primeiríssima participação de Axel e Eric, nos Jogos da Cidade do México, em 1968, o país conquistou a sua primeira medalha na vela.

Os vencedores não foram os gêmeos, mas os parceiros Reinaldo Conrad e Burkhard Cordes da classe flying dutchman. A competição foi um marco para a vela do Brasil, que explodiu de vez em 1980, em Moscou.

Foram simplesmente duas medalhas de ouro, as duas únicas do país no quadro de medalhas naquela edição dos Jogos. O sucesso, obviamente, fez aumentar a visibilidade e o prestígio do esporte.

Torben, Lars e as primeiras medalhas da família Grael

Imagem de Lars e Torben Grael durante prova
(Reprodução)

Assistindo a tudo animadões estavam os irmãos Torben e Lars Grael, na época a novíssima geração da família a despontar na vela. Lars, o mais velho, começou a andar de barco logo aos 4 anos, ao lado do avô e a bordo do Aileen.

Na juventude ele fez o mesmo com o irmão mais novo e o trouxe para competir. A dupla fez sucesso nas regatas nacionais, mas acabou não se mantendo para a disputa das Olimpíadas, até por escolherem modalidades diferentes.

Sem problemas: somando o desempenho de ambos, Torben e Lars Grael têm sete das doze medalhas olímpicas que o Brasil conquistou na vela entre 1984 e 2004.

Torben, com cinco delas, é um dos maiores medalhistas olímpicos da história do país, ao lado do colega de esporte Robert Scheidt. Ouro em Atlanta (1996) e em Atenas (2004), disputou seis Jogos e só não subiu ao pódio em 1992, em Barcelona.

Lars, por sua vez, foi bronze em Seul, em 1988 e em Atlanta, em 1996. Dois anos depois, em 1998, sofreu um acidente que resultou na amputação da sua perna direita.

O iatista não competiu mais nas Olimpíadas porém, após um período como gestor público, voltou ao esporte e às conquistas, colecionando medalhas da Bacardi Cup e do Campeonato Brasileiro.

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Biografia de Martine Grael

Imagem de Martine Grael velejando
(Divulgação)

Foram longos e estranhos os 12 anos em que os Grael não mandaram seus representantes às Olimpíadas. Encerrou a angústia a filha de Torben, Martine Grael.

O caminho da primeira mulher olímpica da família seguiu à risca a tradição. Martine teve seu primeiro contato com a vela ainda aos quatro anos, no Rio Yatch Club. Com 13 anos, já era campeã brasileira na classe Optmistic, e bicampeã aos 15.

Em 2009, ao lado da sua atual parceira, Kahena Kunze, foi campeã mundial juvenil da classe 420. A dupla, porém, optou por buscar mais experiência.

Martine juntou-se a Isabella Swan, dona da primeira medalha olímpica feminina na vela brasileira, para tentar a vaga para os Jogos de Londres, em 2012. Não deu certo.

O sucesso da dupla Martine Grael e Kahena Kunze

Imagem de Martine e Kahena comemorando medalha olímpica
(Danilo Borges/brasil2016.gov.br)

A eliminação nas seletivas fez Martine Grael buscar novos ares, categorias, competições. E acabou por retomar a dupla com Kahena Kunze. A dupla não só já tinha dado certo antes como tinha algo em comum, a tradição familiar. Kahena, afinal, é filha do campeão mundial Cláudio Kunze.

Mais experientes e seguras da parceria, Martine e Kahena tiveram um excelente ciclo olímpico, pesando, claro, nas Olimpíadas do Rio. Foram campeãs do Mundial de Vela em 2014 e vice-campeãs 2013 e em 2015.

Quando enfim chegou 2016. Martine Grael apresentou à parceira outra das tradições da família, levando uma medalha logo em sua estreia nos Jogos. Só que foi além: ao invés da prata do pai ou do bronze do tio, levou logo o ouro, na classe 49erFX.

O futuro da família Grael

Com o ouro de Martine, a família Grael soma 17 participações e 8 pódios em Jogos Olímpicos. Essa conta, porém, pode ficar defasada em pouco tempo.

Marco Grael, o irmão mais novo de Martine, tem tudo para estar nos Jogos de Tóquio. Ao lado de Gabriel Borges, conquistou a medalha de ouro no Pan de Lima, em 2019, na classe 49er. E há mais gente despontando.

Nicholas Grael, filho de Lars, começou um pouco mais tarde do que o normal na Vela, mas mostrou que o sangue é forte e rapidamente se tornou uma das promessas brasileiras na categoria.  Competindo na classe Snipe, já venceu os Campeonatos Brasileiro Leste e Sudeste, além da Taça Octanorm, todos em 2020.

Se cada um dos membros da nova geração dos Grael seguir a longevidade de Torben ou a perseverança de Lars, a tradição familiar tem tudo para durar por muito tempo. Ganha o esporte brasileiro.

Medalhas da família Grael em Olimpíadas

Medalhas de Martine Grael em Jogos Olímpicos

  • Medalha de Ouro no Rio de Janeiro (2016)

Medalhas de Torben Grael em Jogos Olímpicos

  • Medalha de Prata em Los Angeles-EUA (1984)
  • Medalha de Bronze em Seul-COR (1988)
  • Medalha de Ouro em Atlanta-EUA (1996)
  • Medalha de Bronze em Sydney-AUS (2000)
  • Medalha de Ouro em Atenas-GRE (2004)

Medalhas de Lars Grael em Jogos Olimpícos

  • Medalha de Bronze em Seul-COR (1988)
  • Medalha de Bronze em Atlanta-EUA (1996)

Depois de conhecer a historia de Martine Grael e o legado de sua família, aproveite para conferir mais conteúdos sobre vela e outros esportes olímpicos:

*Última atualização em 27 de novembro de 2020

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