Entenda como é a cena do surf em Nazaré: o pico da Praia do Norte, as ondas gigantes e os recordes quebrados por brasileiros

A cena do surf em Nazaré não é a sua típica comunhão de paz e natureza com direito a trilha sonora lo-fi do canal Off. Pelo menos não na porção dessa vila portuguesa.

Na Praia do Norte, os surfistas vivem no limiar da emoção e do perigo, sob frio, chuvas e tempestades, atrás de ondas gigantes de entre 20 e 30 metros de altura.

Produzidas em atacado por uma reunião única de condições geológicas e meteorológicas, as ondas gigantes de Nazaré impulsionaram o turismo de toda a região e principalmente se impuseram no circuito mundial de surf.

No texto a seguir, vamos contar tudo sobre esse mítico pico, explicar como as ondas mais famosas da Europa são formadas e relembrar os surfistas brasileiros que entraram para a história em suas águas.

Onde fica Nazaré, pico do surf de ondas gigantes

Nazaré é uma cidade localizada em Portugal, ao norte cidade de Lisboa em mais ou menos 100 quilômetros.

É uma pequena vila de pescadores, com cerca de 15 mil habitantes na baixa temporada. A economia, tradicionalmente extrativista, passou nos últimos anos a se basear no turismo.

As ondas gigantes, claro, tem um grande papel no desenvolvimento do setor, mas a cidade em si conta com duas praias amplas e uma delas com a água bastante calma. A proximidade de Lisboa e de outras praias da região também contribuem bastante para um grande número de visitantes.

Assim, Nazaré acabou se voltando para o surf para além dos circuitos profissionais e radicais. Espalhadas pela sua costa, há diversas cabanas que alugam pranchas e oferecem aulas, sem falar nos diferentes níveis de água na Praia do Norte e da própria Praia de Nazaré, que fica no sul do município.

Imagem de onda gigante na Praia do Norte, em Nazaré
Há um observatório localizado próximo ao local de quebra das ondas gigantes (Reprodução/Bruno Aleixo)

Por que Nazaré atrai tantos surfistas?

Apesar do enorme sucesso, a consolidação de Nazaré como um pico de surf profissional é relativamente recente. Dá para dizer que tudo começou com Garret McNamara.

Detentor do último recorde mundial de maior onda já surfada, em 2011, o estadunidense trouxe visibilidade para o local. Além da atenção trazida por um título oficial do Guinness Book, o surfista participou de um projeto de produção de vídeos para a divulgação do local.

Os esforços promocionais de McNamara deram certo e em 2015 a cidade portuguesa passou a fazer parte do Big Wave World Tour (BWWT), o circuito mundial de ondas gigantes.

Criada pelo big rider Gary Linden, a associação se assemelha ao circuito do WSL, sendo até oficialmente parte do organização, só que com ondas muito, muito, maiores.

O Big Wave Nazaré, então, começou a chamar tanto os surfistas profissionais como amadores, além de todo o pessoal que orbita o circuito mundial de surf.

Antes, as ondas do pico acumulavam os XXL Awards do WSL, os prêmios dados aos surfistas que melhor surfaram ondas gigantes. Daí para a consolidação com o BWWT, foi um passo.

Os surfistas brasileiros em Nazaré

Entre os vários surfistas atraídos pela emoção e pelo enorme perigo das ondas gigantes estão, claro, vários brasileiros. Um deles, inclusive, entrou para a história do pico em 2017.

Foi em Nazaré que o big rider Rodrigo Koxa surfou, em novembro de 2017, uma onda de 24,4 metros de altura, a maior já surfada no mundo até hoje.

Medida a partir de fotos e vídeos e usando o próprio Koxa como referência métrica, a onda foi confirmada pelas autoridades do Guinness, que em 2018 fizeram a cerimônia oficial de inclusão do feito do brasileiro em seus índices.

Por pouco que o feito de Koxa foi superado por outro brasileiro. Ao fim de 2019, Caio Vaz pegou outra onda gigante, também em Nazaré, que chegou a ser a avaliada pela comissão do Big Wave Awards 2020, mas acabou não entrando no corte dos finalistas masculinos.

Foto de Rodrigo Koxa recebendo o prêmio Guinesse em Nazaré
Rodrigo Koxa recebeu a placa do Guinness com a presença de Gary Linden (Reprodução/Lucas Castro)

Maya Gabeira e a maior onda já surfada

Outra onda que por pouco não bateu o recorde de Koxa foi a surfada por Maya Gabeira, claro, também em Nazaré.

A brasileira pegou uma “bomba” de 22,4 metros em fevereiro de 2020 que, se não igualou o feito do compatriota, foi a maior já surfada no ano e também por uma mulher em toda a história do BWWT.

Maya superou o próprio recorde que estabeleceu em 2018…também em Nazaré.  A surfista pegou uma onda de 20,7 metros e levou o Big Wave Awards daquele ano.

Ambos os feitos da brasileira ficam ainda mais incríveis se considerarmos o seu histórico no mar português. Em 2013, ela teve complicações durante uma onda e foi retirada do mar ainda inconsciente, além de passar por uma bateria de cirurgias devido as lesões sofridas.

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Por que Nazaré tem ondas gigantes?

A fama de Nazaré como um pico de surf cresceu, claro, por conta de suas ondas gigantes. Elas são únicas no mundo, já que são formadas a partir de um conjunto bastante específico de fatores geológicos e condições climáticas.

Podemos, claro, resumir essa combinação em:

  • Primeiro, uma corrente ao sul da Praia do Norte que traz intensas ondulações vindas de tempestades do alto mar do Oceano Atlântico;
  • Chegando na costa de Nazaré, essas ondas encontram um enorme desfiladeiro submarino, o “Canhão de Nazaré”, de 210 quilômetros de extensão e 5 mil metros de profundidade;
  • Esse cânion começa a subir a cerca de 500 metros da Praia do Norte, com um formato que permite que “suas ondas” encontrem as ondas que estavam fora dele.

Esse conjunto de características fazem com que as ondas gigantes de Nazaré não só sejam de fato muito altas mas também extensas e numa distância segura do litoral, isto é, são bastante “surfáveis”.

O vídeo do Sistema Nacional de Informação de Mar (snimar) é bastante didático para explicar o fenômeno:

Quando ver ondas gigantes em Nazaré?

Como você viu acima, por mais importante que seja o “Canhão de Nazaré”, as ondas gigantes começam a ser produzidas ainda no alto mar do Oceano Atlântico, durante a época de grandes ondulações.

Isso acontece a partir dos meses mais próximos do inverno europeu, isto é, entre outubro e fevereiro. A onda de Koxa, por exemplo, foi em novembro. A de Maya foi em fevereiro.

De qualquer maneira, a formação das ondas é profundamente investigada pelas autoridades locais e elas são confirmadas a cada dia. Tanto que em outubro o  Big Wave Nazaré entra no chamado “período de espera”.

Foto de Banner do Big Wave Nazaré
(Reprodução/Viajoteca)

Recordes de ondas gigantes em Nazaré

  • Maior onda já surfada por uma mulher: 22,4 metros, por Maya Gabeira, em 2020
  • Maior onda já surfada por um homem: 24,4 metros, por Rodrigo Koxa, em 2017

Agora que você sabe o que há por trás das ondas gigantes de Nazaré, aproveite para aumentar seu conhecimento sobre surf:

*Última atualização em 26 de setembro de 2020

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