Os primeiros praticantes do surf pegaram ondas com pranchas de madeira. Eram desenhadas e talhadas por eles. Anos depois o material foi substituído por algo mais leve e maleável, a fibra de vidro. Atualmente, o processo de criação das pranchas está quase todo mecanizado e o cliente não precisa fazer mais parte da construção. Entretanto gerou então um outro produto final: o lixo. 

 A grande maioria dos materiais usados na produção das pranchas vêm do petróleo. Ou seja, além de serem perigosos para a saúde, demoram muito para se decompor na natureza. Diferentemente das pranchas de madeira, as de fibra de vidro podem ficar anos liberando toxinas nocivas ao corpo e planeta. 

Como podemos solucionar essa questão?

Para reverter essa situação é preciso pensar em formas de criar com o que já existe, reduzindo assim o impacto ambiental. Diversas marcas já estão levando essa filosofia na hora de produzir. Passaram a diminuir a pegada de carbono, a toxicidade dos materiais e optando por insumos recicláveis. Segundo a tese de mestrado de Tobias C. Schultz, da Universidade de Berkeley, na Califórnia, a quantidade de gás carbônico liberada na produção de uma prancha de 2,5 kgs pode variar de 170 kg a 250 kg. Em contrapartida, uma árvore da mata atlântica precisa de em média 20 anos para absorver uma quantidade similar de CO2. 

Além disso, outra questão é a quantidade de pranchas sendo fabricadas. Atualmente, só no Brasil são produzidas mais de 50.000 pranchas por ano e mais da metade do material utilizado nesse processo acaba sendo descartado, de acordo com dados do XI Congresso Nacional de Excelência em Gestão de 2015. A maior parte desse lixo termina sem tratamento ambiental algum em aterros sanitários. Podendo ser prejudiciais para o solo e lençol freático. 

O certo é que a indústria do surf passa por transformações. Mudanças que devem diminuir custos de produção, controlar riscos ambientais e zelar pela saúde dos funcionários e clientes. Como resultado, chegar no conceito de ecoefetividade. Produzir sem gerar resíduos ou emissões e reaproveitando em todas etapas. Enfim, ainda parece uma realidade utópica, poucas empresas estão conseguindo colocar em prática. Talvez em um futuro não tão longe.