Pipeline é a mais prestigiada etapa do Campeonato Mundial de Surf Masculino. Situada no cultuado pico de Banzai Pipeline, no Havaí, combina a mística local com ondas perfeitas e uma competitividade de alto nível. O evento é atualmente entitulado Bilabong Pro Pipeline.

Tradicionalmente fechava a temporada da WSL, o Billabong Pro Pipeline definia, na maioria das vezes, o grande campeão do WCT. No entanto, após a reestruturação do calendário, o lendário evento passou de última para primeira etapa no Tour.

No conteúdo que preparamos a seguir, mostramos o tamanho da moral dessa etapa. Sua história, seus vencedores, até algumas curiosidades, enfim, tudo o que você precisa saber sobre o mais importante evento do surf mundial.

O pico de Pipeline

Imagem do recife de surf de Banzai Pipeline
(Reprodução)

A etapa de Pipeline acontece no pico de Banzai Pipeline, um dos mais famosos locais do surf mundial.

Localizado em Pupukea, na costa norte da ilha havaiana de O'ahu, trata-se de um recife de mesa plano com regulares ondulações de outubro a março. E ainda pega a rabeira do canal de Ehukai, um desfiladeiro que aumenta e alonga as formações.

Em seu auge, o pico produz ondas compridas de tubos limpos que quebram pertinho da praia. Bom para surfar, assistir e registrar, portanto.

Unindo essas excelentes condições com a representatividade de situar-se no arquipélago que é berço do esporte temos um local quase perfeito. Tanto que recebe outras competições e é um costumeiro cenário de filmes e séries, como a clássica Hawaii Five-O.

A costa norte inteira de O'ahu, aliás, é muito bem quista. Nela acontece a chamada Tríplice Coroa do Surf, talvez a segunda mais prestigiosa competição do surf mundial. Divide-se em três etapas, a de Halei'wa, a de Sunset Beach — que também conta com etapa na WSL — e, claro, de Pipeline.

Pipeline, a mais perigosa onda do mundo

As águas da praia de Banzai são mais caóticas do que mostram as belíssima imagens capturadas por lá. São quatro tipos de onda que se quebram por lá:

  • A esquerda (ou Pipeline ou First Reef ) é a onda boa, a de cinema, que quebra da esquerda para a direita e pertinho da praia
  • A direita (ou Backdoor) quebra para o lado oposto. Continua boa, mas joga para um lugar mais perigoso do recife
  • A Second Reef já um pouco mais afastada da praia, e tem paredes mais longas e termina em águas um tanto imprevisíveis, já mais perto do alto mar
  • A Third Reef é quando a ondulação atinge o seu tamanho máximo, tornando-se praticamente inavegável e podendo formar uma onda gigante de até 6 metros

Se você soma esse cenário ao chão de recife com formações de torres de lava (solidificadas, é claro) e alguns acúmulos de areia que fecham ondas de repente, temos um dos mais perigosos picos do surf mundial.

Na história da etapa, sete surfistas profissionais morreram durante as provas:

  • Andy Chuda (1989)
  • Travis Mussleman (2000)
  • Moto Watanabe (2004)
  • Jon Mozo (2005)
  • Malik Joyeux (2005)
  • Joaquin Velilla (2007)
  • Joshua Nakata (2008)

História de Pipeline

Stand do Pipe Masters em 2017
(Reprodução)

A popularização do pico da praia de Banzai acontece nos anos 1960, a partir do registro de uma sessão de Phil Edwards.

Surfada em 1961 e reproduzida em 1963 no filme Surfing Hollow Days, a onda de Pipeline passa a ser cada vez mais buscada — e admirada — entre os primeiros surfistas profissionais.

A cultura do surf na costa norte de O'ahu foi se desenvolvendo até que em 1971 é disputada a primeira competição entre Pipe Masters, isto é, os surfistas que dominavam os tubos das ondas de Banzai.

Pipeline na WSL

Nem é preciso dizer que a competição foi um sucesso instantâneo. Praia boa, ondas desafiadoras e cinematográficas, tudo no berço do surf. Um evento perfeito.

Tão perfeito que em 1973 passa a fazer parte Smirnoff World Pro-Am Surfing Championships, o primeiro Mundial de Surf mais próximo do formato atual — explicamos aqui exatamente como é essa disputa e como funcionam as provas nas etapas da WSL.

De lá para cá, foram mais de 40 edições em Pipeline, com um surpreendente domínio australiano dos troféus. Considerando a contagem a partir de 73, são 17 vitórias contra 15 dos donos da casa, os havaianos. Se incluirmos as edições de 71 e 72, há um empate entre as “nações do surf”.

O empate também escancara a histórica alternância de domínio da prova. Os surfistas do Havaí são mais vitoriosos no começo dos anos 1970, dos anos 1980 e dos anos 2000. Os competidores da Austrália dominam o fim da década de setenta, de oitenta e o começo dos anos 2010.

Pipeline, a etapa decisiva do Mundial de Surf até 2019

Gabriel Medina bicampeão mundial de surf
Gabriel Medina se tornou bicampeão mundial de surf em 2018

O que, porém, realmente marcou o evento de Pipeline era a sua tradição de decidir o Mundial de Surf. Por conta de seu prestígio e principalmente pela época em que as ondulações estão na medida, a etapa era a última do campeonato da WSL.

Por se dar em um local de forte tradição no surf e com ondas de alta dificuldade, as provas são geralmente extremamente disputadas. Havia muita torcida e muito em jogo: qualquer ponto poderia fazer a diferença na classificação final.

A etapa de 2018, por exemplo, é tida como uma das melhores da história do esporte. Foi vencida, para o nosso deleite, por Gabriel Medina. Em 2019, mais uma final épica aconteceu, quando Italo Ferreira derrotou Medina em uma disputa acirrada pelo título mundial que culminou em um confronto direto entre os brasileiros na decisão.

Em 2021 a WSL anunciou uma mudança no formato, instituindo uma finalíssima entre os cinco melhores surfistas da WCT. Dessa forma, a entidade inverteu o Bilabong Pro Pipeline de última para primeira etapa da temporada.

Vá além do Surf! Confira também:

Vencedores de Pipe Masters

  • 1971: Jeff Hakman (HAV)
  • 1972: Gerry Lopez (HAV)
  • 1973: Gerry Lopez (HAV)
  • 1974: Jeff Crawford (EUA)
  • 1975: Shaun Tomson (AFS)
  • 1976: Rory Russell (HAV)
  • 1977: Rory Russell (HAV)
  • 1978: Larry Blair (AUS)
  • 1979: Larry Blair (AUS)
  • 1980: Mark Richards (AUS)
  • 1981: Simon Anderson (AUS)
  • 1982: Michael Ho (HAV)
  • 1983: Dane Kealoha (HAV)
  • 1984: Joey Buran (EUA)
  • 1985: Mark Occhilupo (AUS)
  • 1986: Derek Ho (HAV)
  • 1987: Tom Carroll (AUS)
  • 1988: Robbie Page (AUS)
  • 1989: Gary Elkerton (AUS)
  • 1990: Tom Carroll (AUS)
  • 1991: Tom Carroll (AUS)
  • 1992: Kelly Slater (EUA)
  • 1993: Derek Ho (HAV)
  • 1994: Kelly Slater (EUA)
  • 1995: Kelly Slater (EUA)
  • 1996: Kelly Slater (EUA)
  • 1997: John Gomes (HAV)
  • 1998: Jake Paterson (AUS)
  • 1999: Kelly Slater (EUA)
  • 2000: Rob Machado (EUA)
  • 2001: Bruce Irons (HAV)
  • 2002: Andy Irons (HAV)
  • 2003: Andy Irons (HAV)
  • 2004: Jamie O'Brien (HAV)
  • 2005: Andy Irons (HAV)
  • 2006: Andy Irons (HAV)
  • 2007: Bede Durbidge (AUS)
  • 2008: Kelly Slater (EUA)
  • 2009: Taj Burrow (AUS)
  • 2010: Jeremy Flores (FRA)
  • 2011: Kieren Perrow (AUS)
  • 2012: Joel Parkinson (AUS)
  • 2013: Kelly Slater (EUA)
  • 2014: Julian Wilson (AUS)
  • 2015: Adriano de Souza (BRA)
  • 2016: Michel Bourez (PFR)
  • 2017: Jérémy Florès (FRA)
  • 2018: Gabriel Medina (BRA)
  • 2019: Italo Ferreira (BRA)
  • 2020/21: John John Florence (HAV)
  • 2022: Kelly Slater (EUA)
  • 2023: Jack Robinson (AUS)
  • 2024: Barron Mamiya (HAW)

Categoria feminina

Por muitos anos, as mulheres foram privadas do evento em Pipeline, principalmente por conta dos perigos da onda. No entanto, a partir de 2021, a categoria feminina também começou a correr eventos no pico.

  • 2022: Moana Jones-Wong (HAW)
  • 2023: Carissa Moore (HAW)
  • 2024: Caitlin Simmers (EUA)

Maior campeão de Pipeline

Kelly Slater
Kelly Slater é considerado um verdadeiro mestre dos tubos

O maior campeão do Pipe Masters é Kelly Slater. O estadunidense venceu a etapa 8 vezes (1992, 1994, 1995, 1996, 1999, 2008, 2013 e 2022), sendo sua última conquista histórica, pois Slater se tornou o surfista mais velho a vencer um evento, no auge de seus 49 anos há poucos dias de completar 50.

Somente em 2013 e 2022 que o surfista levantou o trofeú no Havaí mas não sagrou-se campeão do WCT. O contrário aconteceu em 2006, em que ele ficou na ponta da classificação mesmo sem vencer em Pipeline.

Brasileiros vencedores de Pipeline

Imagem de Ítalo Ferreira levantando o troféu de Pipe Masters
(Ed Sloane/WSL)

Se havaianos e australianos historicamente se revezam no domínio de Pipeline, o futuro aponta para uma certa hegemonia brasileira.

Três surfistas brasileiros venceram na etapa do Havaí. Todos a partir de 2015. E todos decidiram os títulos do WCT para eles:

  • 2015: Adriano de Souza (Mineirinho)
  • 2018: Gabriel Medina
  • 2019: Italo Ferreira

Em batalhas épicas, o primeiro a vencer foi Adriano de Souza em 2015, superando inclusive Gabriel na final. Em 2018, foi a vez de Medina levantar o famoso troféu e também o seu bicampeonato mundial.

Na temporada de 2019, Gabriel Medina chegou novamente na final e fez uma bateria de tirar o fôlego contra Italo Ferreira. O duelo entre os dois valeu o título mundial, com o potiguar levando a melhor e fazendo a festa em Pipeline.

Datas em Pipeline

A etapa de Pipeline acontecia tradicionalmente na segunda semana de dezembro, entre os dias 8 e 15, podendo se estender até o dia 20. Ela normalmente fechava a temporada da WSL.

A partir de 2022 a etapa passou a ser disputada no mês de janeiro, sendo o primeiro evento do ano. As mudanças da WSL ocorreram pela alteração do calendário para incluir o evento WSL Finals, que decide o campeão da temporada.

Curiosidades sobre Pipeline

  • Pipeline é decisiva para a Tríplice Coroa do Surf, um mini-campeonato em três etapas situado na mesma costa norte de O'ahu.
  • Tamanha é a fama do pico de Pipeline, há câmeras que transmitem ao vivo as ondas da praia de Banzai fora da época das provas
  • A etapa de Pipeline era disputada somente pelo WCT masculino até a junção dos calendários, as mulheres passaram a competir no pico em 2022.
  • Em mais de 40 anos de etapas, foram apenas sete nações vencedoras: Austrália (17), Havaí (16), Estados Unidos (11), Brasil (3), França (2), África do Sul (1) e Polinésia Francesa

Depois de conhecer melhor a etapa de Pipeline, que tal aumentar seu conhecimento sobre surf? Confira: