Se pensarmos nas primeiras civilizações, o mundo mudou bastante. Novas tecnologias, mais conhecimento, fácil acesso à produtos. Contudo, certas coisas continuam iguais. Como o desejo do ser humano de estar perto do mar. Nos primórdios da humanidade, era a forma de conseguir comida, água, se locomover. Certas necessidades já não demandam obrigatoriamente estar perto da água. Entretanto, o desejo de se manter soberano permanece, principalmente no surf. 

De acordo com os relatos históricos, Polinésios foram os primeiros a deslizar sobre as ondas. Deitados, remando sobre tábuas de madeira, auxiliavam os barcos na pesca. Quando a prática migrou para o Havaí, houve uma transformação no esporte e se passou a surfar em pé. Contudo, começou sendo exclusivo para os reis e rainhas do arquipélago. 

O esporte veio a se popularizar mundialmente somente quando estrangeiros desembarcaram nas ilhas e avistaram locais deslizando sobre as ondas. A lenda conta que os Hawaianos, vendo aquelas pessoas ocupando seus territórios, prontamente os chamaram de Haole (“ráuli” em havaiano). Por lá, o significado da palavra tem algumas vertentes, homem branco, ladrão ou preguiçoso. No Brasil, a expressão é usada quando alguém veio de fora mas de forma ofensiva. 

O que está acontecendo com o surf?

Atualmente é comum, principalmente nas praias mais conhecidas vermos xingamentos ou até mesmo brigas. O sangue sobe e o surf saindo da sua essência. Diferente de quando começou, o esporte unia as pessoas. Era o momento de estar em conexão com a natureza, deixando os problemas na areia.

Transformar esse esporte tão lindo e sintonizado com a natureza em eterna competição está errado. O mar é de todos e para todos. É claro que assim como em qualquer ambiente, para uma boa convivência, algumas regras precisam ser seguidas. Esperar pela tua vez, não apanhar a onda de outro surfista, etc. Mas fora isso, surf é uma experiência única. Deve ser um momento de relaxamento, não de guerra.