Tudo sobre como os esquemas táticos evoluíram desde a primeira Copa, quais são as formações e os posicionamentos usados no futebol

“No começo, havia o caos, e o futebol não tinha forma”. É com essa frase que Jonathan Wilson inicia o livro Pirâmide Invertida, o melhor relato já feito sobre a evolução da tática no futebol.

Wilson destaca que esquemas táticos como conhecemos hoje não foram discutidos até o final da década de 1920. No início, o futebol era dominado pela condução de bola, enquanto passes, cooperação e defesa eram aspectos secundários no jogo.

Desde que a atenção ao posicionamento dos jogadores passou a receber mais atenção, uma infinidade de alternativas táticas foi desenvolvida em todo o mundo, buscando as melhores alternativas para que uma equipe se sobressaia em campo.

Há quem prefira as formações com mais jogadores no ataque, enquanto outros são adeptos de esquemas mais cautelosos, que priorizam a proteção da defesa.

Independentemente de qual esquema seja seu preferido, fique com a gente para conhecer tudo sobre a tática no futebol!

2-3-5: o esquema tático da primeira Copa do Mundo

Em 30 de junho de 1930, o Uruguai venceu a primeira Copa do Mundo. Na final disputada no Estádio Centenário, em Montevidéu, os donos da casa superaram a Argentina por 4 a 2.

A decisão entre os dois países sul-americanos despertou discussões sobre como as equipes deveriam se comportar em campo. 

Naquela época, o esquema tático que predominava no futebol era o 2-3-5, com apenas dois defensores e cinco jogadores cumprindo a missão de criar oportunidades de gol.

Ainda que Uruguai e Argentina usassem aquela formação, os sul-americanos surpreenderam os europeus. 

Na Inglaterra, onde o futebol foi criado, os jogadores não tinham o mesmo dinamismo. Os finalistas da Copa de 1930 jogavam um futebol menos disciplinado e metódico, que não sacrificava habilidades individuais em prol de fatores coletivos.

O próximo passo na evolução da tática no futebol foi o surgimento do terceiro zagueiro.

Como funcionava o esquema tático W-M

De acordo com a primeira regra do impedimento no futebol, entre o atacante mais avançado e a linha de gol, deveriam estar três adversários (normalmente, o goleiro e dois defensores). 

Assim, os atacantes eram obrigados a se posicionar tendo como referência o defensor mais avançado, enquanto outro zagueiro poderia ficar na sobra.

Essa regra foi modificada em 1925. A partir dali, dois defensores entre a linha de fundo e o atacante já eram suficientes para evitar o impedimento. Dessa forma, aumentavam as chances de os jogadores de ataque aparecerem cara a cara com o goleiro adversário.

A mudança da regra confirmou uma tendência de mudança tática no futebol. Os treinadores passaram a recuar um jogador de meio-campo para a defesa, deixando a primeira linha com três zagueiros.

Porém, o recuo de um jogador do meio-campo para a defesa deixava as equipes muito vulneráveis no centro do campo e, por muitas vezes, com inferioridade numérica. O próximo passo foi, portanto, passar um jogador da linha ofensiva para o meio. Assim, o antigo 2-3-5 se transformava num esquema 3-3-4. Mas uma outra variação também se destacava.

Na década de 1930, surgiu o famoso W-M, similar a um 3-2-2-3. Nesse esquema, além da adoção de um terceiro zagueiro, dois atacantes atuavam pelo meio mais recuados, enquanto a linha mais avançada contava com dois pontas e um centroavante.

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Como surgiu o esquema tático 4-2-4

Depois da propagação do W-M, uma nova formação chamou a atenção no mundo do futebol. Vice-campeã mundial em 1954, a Hungria dominou a maioria de seus adversários jogando num esquema com posicionamento similar ao 4-2-4.

Houve a percepção de que um quarto jogador na linha defensiva seria importante para evitar que rápidas inversões de jogo deixassem um lado da defesa muito exposto.

Já no ataque, o centroavante passou a ter mais mobilidade, para conseguir se desvencilhar da marcação do zagueiro que atuava mais centralizado. Assim, o setor ofensivo contava com uma linha de quatro jogadores, que alternavam posições para criar chances de gol.

Foi no Brasil que o 4-2-4 começou a ser aplicado com mais eficiência. Ao verem o espaço para avançar à sua frente, os laterais começaram a auxiliar ofensivamente. Com esse avanço feito de forma alternada, a linha defensiva passava a ter três jogadores como ocorria no W-M.

Outra mudança importante feita pelos brasileiros foi a introdução do ponta de lança, com o recuo de um dos atacantes mais centrais para fazer a ligação entre meio e ataque.

Aos poucos, os dois jogadores de meio-campo também passaram a ter funções distintas. Enquanto um ficava encarregado de ajudar na proteção da defesa, outro atuava como meia criativo na armação de jogadas.

Foi graças também a uma mudança feita pela Seleção Brasileira que surgiu o esquema 4-3-3.

Quando surgiu o esquema tático 4-3-3 no futebol

Na Copa de 1958, o técnico da Seleção Brasileira, Feola, escalou Zagallo na ponta-esquerda. Porém, essa função foi alterada ao longo do Mundial e, assim, surgiu o esquema 4-3-3 no futebol.

Em vez de se posicionar exclusivamente como um ponta, Zagallo recuava pelo lado esquerdo do campo. Dessa forma, o setor de meio-campo passava a contar com três jogadores, enquanto outros três (Garrincha, Pelé e Vavá) permaneciam no ataque.

Em 1962, o Brasil foi bicampeão mundial já adotando o esquema tático 4-3-3 como sua formação ideal.

O que foi o catenaccio e o líbero no futebol

Catenaccio significa “corrente”, no sentido de acorrentar. Nessa formação, o que se priorizava era a proteção à defesa, diminuindo espaços para a entrada dos atacantes adversários.

Na comparação com o antigo 2-3-5 e o surgimento do W-M, houve o recuo dos dois jogadores do meio-campo que atuavam pelos lados.

Dessa forma, a primeira linha passava a ter dois defensores pelos lados, além de dois zagueiros centrais, que se posicionavam de tal maneira que sempre existisse um jogador na sobra.

Esse jogador na sobra passou a ser comumente chamado de líbero, em uma função que foi muito difundida no futebol italiano.

Ainda que o líbero seja uma função originalmente defensiva, grandes jogadores do futebol mundial nesse posicionamento, dando proteção à defesa e auxiliando no início das jogadas ofensivas. Um bom exemplo foi o alemão Lothar Matthaus, eleito o melhor jogador do mundo em 1991.

Matthaus sucedeu o que já havia sido feito na Alemanha por Franz Beckenbauer, considerado um dos maiores jogadores da história do futebol.

O que foi o futebol total

Entre todas as táticas de futebol usadas na história do esporte, uma das mais impressionantes foi o que recebeu o nome de “futebol total”. Seu melhor exemplo foi a Holanda, vice-campeã do mundo em 1974.

Comandada por Rinus Michels, a Seleção Holandesa aplicava dois conceitos relacionados ao espaço em campo e ao controle do jogo: “faça o campo crescer quando você tem a bola e será fácil mantê-la; faça o diminuir quando você não a tem e será muito mais difícil para o adversário conservá-la”.

A ideia central desse pensamento passa pela posse de bola tanto como tática ofensiva quanto defensiva. Quando você a tem, o outro time não poderá marcar gols.

Aliada a esse pensamento estava também uma estratégia para usar a linha de impedimento. Os holandeses se valiam de um excelente condicionamento físico para saírem rapidamente em bloco, deixando os atacantes adversários constantemente em posição de impedimento.

Confira no vídeo do canal Futebol O Grande como os holandeses pressionavam seus adversários para recuperar a posse de bola rapidamente.


Aquele modo revolucionário de jogar futebol não foi compensado com o título da Copa do Mundo de 1974, mas influenciou várias gerações seguintes.

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Esquema tático 3-5-2

Como uma variação do catenaccio e o uso de um líbero, muitos treinadores adotaram a formação com três zagueiros.

Nessa formação, os laterais passam a atuar no meio-campo, como alas. Assim, o setor passa a ser ocupado por cinco jogadores. 

Na Seleção Brasileira, um esquema tático com líbero foi usado por Sebastião Lazaroni na Copa do Copa do Mundo de 1990.

Em 2002, Luiz Felipe Scolari, o Felipão, também optou por usar três zagueiros. Ao lado de Roque Júnior e Lúcio jogava Edmilson, que aproveitava sua origem como volante para auxiliar na cobertura de espaços do meio-campo.

No time que levou o pentacampeonato mundial da Seleção Brasileira, os alas eram os excelentes laterais Cafu e Roberto Carlos. 

No meio-campo, Gilberto Silva ficou com a vaga de Emerson, cortado às vésperas do Mundial por lesão. Juninho Paulista começou como titular, mas Kleberson ganhou uma vaga na equipe em um esquema um pouco mais conservador.

Felipão tinha seu ataque baseado no trio de “Rs”: Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Ronaldo.

Mais recentemente, outros treinadores, principalmente de escola italiana, usaram formações com três zagueiros.

Antonio Conte usou um trio na defesa em seu título da Premier League como treinador do Chelsea.

Massimilano Allegri também colecionou títulos no Campeonato Italiano como uma Juventus com três zagueiros.

Esquema tático 4-4-2

Um dos esquemas táticos mais usados em todo o mundo nas últimas décadas é o 4-4-2, com diferentes variações.

No futebol inglês, essa formação é tradicionalmente utilizada com duas linhas de quatro e outros dois jogadores no ataque.

Foi essa também a formação usada por Carlos Alberto Parreira na Copa do Mundo de 1994. Mauro Silva e Dunga eram os volantes da Seleção Brasileira, enquanto Mazinho e Zinho completavam o quarteto de meio-campo.

No ataque, uma das melhores duplas de ataque da história do futebol brasileiro foi formada por Bebeto e Romário.

Há diferentes posicionamentos utilizados no meio-campo, com os quatro jogadores formando o losango ou dois volantes recuados e dois armadores mais à frente.

Esquema tático 4-2-3-1

Nos dois primeiros títulos mundiais, a Seleção Brasileira jogou no esquema 4-3-3, com o recuo do ponta-esquerda Zagallo para o meio-campo. Já em 1970, coube a Zagallo a missão de ser o treinador do tricampeonato mundial.

Com tantos ótimos jogadores à disposição, o treinador conseguiu arrumar uma formação em que todos se posicionavam em um esquema equilibrado entre proteção defensiva e criação ofensiva.

Conhecido por ser um ótimo criador de jogadas, Gerson atuou mais recuado, com Clodoaldo ao seu lado, protegendo a defesa.

Rivellino foi acomodado pela esquerda, embora se deslocasse pelo centro. Já Jairzinho era o responsável por atacar pela direita.

Mais ao centro, Pelé e Tostão, ambos com características de pontas de lança, se revezavam entre a ligação e a função de centroavante.

Autor de A Pirâmide Invertida, Jonathan Wilson destaca que o esquema tático do Brasil na Copa de 1970 era uma variação entre diferentes formações. “Na linguagem moderna, provavelmente a melhor descrição seja 4-2-3-1”, observa.

Décadas depois, no início dos anos 2000, o esquema 4-2-3-1 passou a ser mais difundido. O técnico português José Mourinho era um de seus principais adeptos, usando dois jogadores à frente da linha defensiva, um meia ofensivo aberto por cada lado e outro centralizado por trás do centroavante.

Uma variação do 4-2-3-1 muito adotada na segunda década do século 21 foi o 4-1-4-1.

Esquema tático 4-1-4-1

Uma das variações táticas entre o 4-4-2 e o 4-2-3-1 é o 4-1-4-1. Nessa formação, um jogador atua entre as linhas de defesa e ataque, evitando que um adversário se aproveite desse espaço para criar jogadas ofensivas.

No ataque, um centroavante atua como referência para os armadores que vêm pelo meio e para os meias pelos lados.

Essa foi a formação escolhida por Tite na Copa do Mundo de 2018. Enquanto Casemiro jogou como o volante à frente da zaga, Paulinho e Philippe Coutinho atuam mais centralizados e um pouco à frente. 

Douglas Costa na ponta direita e Neymar pela esquerda eram as principais opções de jogadas individuais e dribles. Já Gabriel Jesus era o centroavante titular.

Com Neymar fora das condições físicas ideais, por muitas vezes, Gabriel Jesus voltava pelos lados do campo para ajudar o lateral na marcação, enquanto a grande estrela do time era poupado das funções defensivas.

No futebol moderno, as equipes variam de esquemas táticos ao longo de uma partida. Muitos treinadores posicionam seus jogadores de uma forma enquanto a equipe está sem a bola e de outra quando passa a atacar.

Um dos grandes mestres em variações táticas, o espanhol Pep Guardiola usou mais de uma dezena de formações táticas enquanto esteve à frente do Bayern de Munique. No comando do Manchester City, ele manteve o histórico de aproveitar jogadores em funções diferentes daquelas em que se tornaram atletas profissionais.

Para você, qual o melhor esquema tático do futebol? Deixe sua opinião nos comentários!

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Ficha Técnica
Título
Táticas de futebol: a história da evolução dos esquemas
Resumo
Tudo sobre como os esquemas táticos evoluíram desde a primeira Copa, quais são as formações e os posicionamentos usados no futebol
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