O guia completo da Superliga da Europa: quem fundou, por que foi criada, previsão de estreia e bastidores da guerra com a UEFA

Ela parou o mundo do futebol. Ela está dando o que falar. Ela virou motivo de guerra. Impossível não ouvir falar de Superliga da Europa nos últimos dias.

É muita informação rolando, declaração pipocando e dúvidas surgindo. Assim sendo, resolvemos produzir um resumão de tudo o que sabemos sobre o campeonato até agora.

Quais times fundaram o torneio? Por que ele foi criado? Isso realmente vai pra frente? É hora de responder essas e mais perguntas! Segue o fio.

Quais clubes fundaram a Superliga da Europa?

  • Real Madrid (Espanha)
  • Barcelona (Espanha)
  • Atlético de Madrid (Espanha)
  • Liverpool (Inglaterra)
  • Manchester United (Inglaterra)
  • Manchester City (Inglaterra)
  • Chelsea (Inglaterra)
  • Arsenal (Inglaterra)
  • Tottenham (Inglaterra)
  • Milan (Itália)
  • Juventus (Itália)
  • Inter de Milão (Itália)

Quais times vão disputar a Superliga da Europa?

Quais times vão disputar a Superliga da Europa
Torneio contará com 20 clubes

A ideia é ter 15 clubes fundadores. Isso significa que, além dos 12 já anunciados, mais três convites ainda serão distribuídos.

Se juntarão aos membros fixos outros cinco times. Eles serão definidos a cada edição, com base no desempenho apresentado na temporada anterior. Esse sistema de classificação ainda não foi oficialmente apresentado.

Teremos, portanto, um total de 20 equipes por temporada.

Quais clubes recusaram participar da Superliga da Europa?

Quais clubes recusaram participar da Superliga da Europa
Bayern e Borussia não aderiram ao projeto

Borussia Dortmund e Bayern de Munique se manifestaram publicamente contra a criação do campeonato. Tanto é que Karl-Heinz Rummenigge, CEO dos Bávaros, deve assumir o lugar de Andrea Agnelli, presidente da Juventus, no Comitê Executivo da UEFA.

Em comunicado oficial, o Bayern disse: “é nosso objetivo que os clubes europeus vivam a maravilhosa competição que é a Champions League, e a desenvolvam com a UEFA. O Bayern diz não à Superliga”.

Ajax, Porto e Roma, outros três grandes da Europa, também endossaram o coro de críticas à Superliga. Ambos disseram estar satisfeitos com o calendário da UEFA.

Por fim, Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, preferiu não se envolver com a liga independente. Vale lembrar que o cartola do clube francês é um dos chefões da Al-Jazeera, emissora de TV do Catar que transmite, entre outros eventos, a Champions League.

Como será o formato de disputa da Superliga da Europa?

Como será o formato de disputa da Superliga da Europa
Superliga terá duas etapas distintas

Os 20 clubes serão divididos em dois grupos de 10. Eles se enfrentarão em pontos corridos no modelo ida e volta, com partidas sempre no meio de semana.

Ao fim do calendário, os três melhores de cada chave se classificam automaticamente para as quartas de final. Quartos e quintos colocados disputarão playoffs para decidir quem fica com as duas vagas restantes.

O mata-mata seguirá o atual modelo da Champions, ou seja, confrontos ida e volta. A exceção é a grande final, que será realizada em jogo único e estádio neutro.

A Superliga respeitará as competições nacionais. Isso significa que os times continuarão participando de torneios como Premier League, La Liga, copas domésticas e afins.

Quando começa a Superliga da Europa?

Quando começa a Superliga da Europa
Os times ingleses da Superliga

Os fundadores da Superliga querem que a competição já comece em agosto de 2021. Muitos especialistas, entretanto, consideram essa previsão um tanto quanto ousada.

Até que tudo se organize – se é que o campeonato realmente vai acontecer – é mais sensato acreditar que a primeira temporada ainda demore um tempinho para ser inaugurada.

Saiba mais sobre futebol:

Por que foi criada a Superliga da Europa?

Por que foi criada a Superliga da Europa
Florentino Pérez, presidente do Real e da Superliga

Acredita-se que o dinheiro tenha sido o principal fator para a criação de um torneio independente que rivalize com a Champions League.

Os 12 clubes fundadores estão insatisfeitos com a atual gestão da UEFA e decidiram romper com a entidade que regula o futebol na Europa, alegando falta de transparência e, principalmente, recursos.

Esse aborrecimento não é de agora, já que rumores sobre a criação de uma Superliga já ventilavam na mídia. O descontentamento, no entanto, se agravou durante a pandemia, pois as receitas diminuíram drasticamente graças à falta de público nos estádios.

Florentino Pérez, presidente do Real Madrid e da Superliga, disse em entrevista que a competição vai ajudar o futebol a crescer nos próximos anos, pois o modelo de gestão aplicado pela UEFA está quebrando o esporte.

Neste primeiro momento, os 12 fundadores terão acesso a um fundo sustentável de €3,5 bilhões para investirem na sua infraestrutura e minimizarem os impactos da Ccovid-19. Sem falar da autonomia para gerir seus próprios contratos de transmissão, direitos de imagem, patrocinadores e outras fontes de renda.

A Superliga também pretende separar uma quantia de €10 bilhões para ajudar outras equipes da Europa, o que se entende atualmente como pagamento de solidariedade.

Os clubes da Superliga da Europa podem sofrer punições?

Os clubes da Superliga da Europa podem sofrer punições
Aleksander Ceferin, presidente da UEFA

A Superliga coloca em cheque a existência da Champions League, atualmente o torneio de clubes mais importante do planeta. São gigantes como Real Madrid, Barcelona, Manchester United e Liverpool que dão audiência, visibilidade e força ao evento.

Assim sendo, a reação da UEFA não poderia ser outra: insatisfação extrema. O presidente da entidade, Aleksander Ceferin, cuspiu marimbondos e tentará penalizar não apenas os times participantes, mas seus jogadores também.

Caso a Superliga realmente vá para a frente, o dirigente esloveno prometeu banir os clubes participantes das competições europeias; já a FIFA, proibir convocações dos atletas para suas respectivas seleções nacionais. Eles estariam, portanto, impedidos de disputar Copas do Mundo, Euros e outras competições expressivas.

Nada disso, porém, foi oficializado. Florentino Pérez, inclusive, garante que as sanções não serão impostas. O cartola espanhol disse estar montando uma equipe jurídica para proteger seus parceiros de qualquer tipo de banimento da UEFA.

Além de UEFA e FIFA, ligas nacionais, federações e outras entidades esportivas, assim como associações de jogadores, técnicos e até mesmo figuras políticas, já deixaram claro que repudiam a criação do campeonato.

Os times da Superliga da Europa vão disputar as ligas nacionais?

Os times da Superliga da Europa vão disputar as ligas nacionais
Premier League, a primeira divisão da Inglaterra

É o que se espera – pelo menos por parte da Superliga. É desejo dos membros fundadores coexistir com os torneios nacionais, ou seja, as partidas não atrapalhariam as competições domésticas como Premier League, Copa da Inglaterra, La Liga e Copa do Rei.

Não se sabe, todavia, se as ligas nacionais tolerarão a Superliga. Elas já se mostraram contra a realização do certame, mas todos nós sabemos que uma possível ausência dos 12 prejudicaria – e muito – a popularidade das mesmas.

O que vai acontecer com a Champions League depois da criação da Superliga da Europa?

O que vai acontecer com a Champions League depois da criação da Superliga da Europa
Champions está seriamente ameaçada

É uma questão delicada. Caso a Superliga de fato aconteça, a UEFA terá forças para continuar organizando a Champions League sem os principais clubes do planeta?

Bom, independente do futuro, a entidade não perdeu tempo e já oficializou o novo formato da competição, que valerá a partir de 2024.

O número de participantes aumentou de 32 para 36. Além disso, a tradicional fase de grupos dará lugar ao modelo suíço: cada equipe disputará dez compromissos (cinco fora e cinco em casa), contra adversários diferentes.

Os oito melhores do ranking geral avançam diretamente para as oitavas de final. O restante das vagas será decidido em playoffs especiais envolvendo os 9º e 24º colocados.

A Superliga da Europa vai acontecer mesmo?

É a pergunta que não quer calar. Florentino Pérez garantiu que os contratos já foram assinados e que dificilmente algum clube cairá fora do projeto.

Do outro lado temos pressões sendo feitas por entidades do futebol, torcedores, jogadores, técnicos, políticos e outros setores da sociedade, com promessas de sanções pesadas.

Enquanto a bola não rolar no gramado, tudo pode acontecer. A UEFA vai ceder aos desejos dos grandes proprietários e tentar persuadi-los? Ou talvez simplesmente aceitar o fato de que uma nova liga independente dividirá calendário com os tradicionais eventos europeus?

Será que a Superliga terá forças o suficiente para se manter forte e lucrativa com o decorrer dos anos? Patrocinadores, investidores e grande mídia vão pagar para ver? São cenas para os próximos capítulos…

*Última atualização feita em 19 de abril de 2021

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