Relembre a conquista do Mundial de 2005 pelo São Paulo: os destaques, a final contra o Liverpool e as defesas de Rogério Ceni

Um jogo de futebol nunca é só um jogo, assim como um título não é apenas um título. Um grande exemplo disso é o Tricampeonato Mundial do São Paulo, vencido em 2005.

Depois da vitória contra o Liverpool de Gerrard e cia, o Tricolor alcançou um patamar internacional inédito para qualquer outro clube daqui, assim como deu a partida a um dos mais dominantes momentos da história recente futebol brasileiro.

Por isso, a Esportelândia relembra essa conquista, que em 2020 completa 15 anos.

No texto a seguir, vamos além da consagração final, mostrando toda a temporada de 2005, da montagem no Campeonato Paulista às contribuições de Rogério Ceni, Mineiro e demais heróis tricolores.

A montagem do São Paulo no Campeonato Paulista

O grupo que fez história em 2005 começou a ser montado ainda no Campeonato Paulista. No começo do ano, o Tricolor acertou com três reforços que seriam imprescindíveis para o desenrolar da temporada: o atacante Luizão e a dupla dinâmica de volantes, Josué e Mineiro.

O trio se juntou a uma base já bem estruturada. Com Cicinho e Júnior nas alas, Danilo no meio campo e Grafite e Luís Fabiano na frente, o São Paulo alcançou as semifinais da Libertadores de 2004 mas caiu diante do Once Caldas, o campeão daquele ano.

A derrota botou mais fogo na lenha do que qualquer coisa e em 2005 o time paulista parecia faminto. Sob o comando do técnico Émerson Leão, venceu o Paulistão com sobras, duas rodadas antes do fim e marcando mais de gols por partida.

o que é paulistão
O título estadual de 2005 foi o 21º da história do São Paulo

São Paulo Tricampeão da Libertadores

Se a base foi montada durante o estadual, o time mesmo começou a tomar forma durante a Libertadores. A fase de grupos, irregular, serviu para consagrar o sistema com três zaguiros, ainda que Leão, o seu idealizador, tenha sido demitido antes mesmo da última rodada.

Esta já ocorreu com o treinador que terminou o ano: Paulo Autuori. O novo professor foi fazendo os ajustes durante o mata-mata e, ao fim das quartas de final, recebeu uma peça importantíssima: Amoroso.

O atacante já mostrou o tamanho da sua contribuição nas semifinais, quando marcou o gol de desempate na segunda partida contra o River Plate, que termino em 3 a 2. “O cara” do confronto, no entanto, foi o meia Danilo, que abriu o placar tanto no jogo de ida quanto no de volta.

Os artilheiros do São Paulo

Foram vários os destaques são-paulinos durante a caminhada até a final. Amoroso, Danilo, até Cicinho, que brilhou nas oitavas contra o Palmeiras, e Souza, que foi decisivo nas quartas de final.

Nenhum deles, no entanto, foi tão grande quanto Rogério Ceni. Foi nessa Libertadores que o mito do goleiro artilheiro começou a de fato ser construído. O camisa 1 foi o artilheiro da equipe ao lado de Luizão, ambos com cinco gols. Ceni foi ainda eleito o craque da competição.

E olha que na final contra o Atlético Paranaense, o goleiro nem foi tão exigido assim, passando por um jogo relativamente tranquilo na ida, que terminou em 1 a 1, e mal trabalhou na volta, em que o Tricolor aplicou um sonoro 4 a 0.

Até quando houve um pênalti marcado a favor dos paranaenses, a trave esquerda trabalhou ao seu favor.

O maior desafio de Rogério naquela noite foi erguer a enorme taça da Libertadores, apesar de que, com ela, se esvaia um peso com o qual ele conviveu desde 1993, ano do Bi sulamericano do São Paulo.

São Paulo tricampeão da Copa Libertadores
São Paulo, de Rogério Ceni, foi o primeiro brasileiro a vencer a Libertadores três vezes

Vá além do futebol:

A campanha do Tri Mundial do São Paulo

Como Tricampeão da Libertadores, o São Paulo fez pouco caso do Campeonato Brasileiro. A competição nacional foi usada como um laboratório para o torneio que de fato importava naquele momento, o Mundial Interclubes.

A única mudança no grupo que viajou ao Japão foi a saída de Luizão, que na verdade já estava por lá, vendido ao Nagoya Grampus.

Para o seu lugar, foi contratado outro jogador essencial para essa história toda: Aloísio, o Chulapa, que deu uma trabalheira aos zagueiros tricolores na final da Liberta.

A semifinal contra o Al Ittihad

Chulapa já foi titular no primeiro compromisso do Mundial, contra Al Ittihad. Foi seu companheiro de ataque, porém, quem brilhou.

Amoroso abriu o contador da semifinal do Mundial de 2005 aos 16 minutos do primeiro tempo, completando na direita um cruzamento de Danilo vindo da esquerda. Curiosamente, foi o mesmo tempo e a mesma conexão na abertura do placar da finalíssima da Libertadores.

O National Stadium, em Tóquio, até ameaçou virar o Morumbi, repleto de são-paulinos que estava, mas a história foi diferente. Lugano vacilou na cobertura, Rogério Ceni deu um rebote que não deveria e, aos 33 minutos, Mohammed Naor fez o que o Atlético não conseguiu no Brasil.

Mas não tinha jeito, o dia era mesmo Tricolor. Aos dois minutos do segundo tempo, Danilo conectou o pivô de Aloísio com a infiltração de Cicinho e a bola cruzou a área baixinho até chegar novamente aos pés de Amoroso, que só precisou encaminhá-la às redes.

Quinze minutos mais tarde, tudo parecia bem mais tranquilo. Josué encontrou o giro de Chulapa na entrada da área e o atacante partiu livro em direção ao gol antes de ser derrubado na área.

Na cobrança, Ceni converteu e finalizou a artilharia do ano com 21 gols, o goleador máximo do time na temporada. Um goleiro. Meu deus.

Em meio ao alívio e a festa para Ceni, a tensão. O brasileiro Tcheco bateu escanteio da esquerda e Al Montasari, de cabeça, empatou. Isso foi aos 24 minutos do segundo tempo, justamente no lugar onde Amoroso chutou para marcar o primeiro gol.

Apesar do receio, o Al Ittihad preocupou mais pela possibilidade de empatar do que pelo perigo de fato, com exceção de uma manhosa bola que cruzou rasteira a área. Faltou um Amoroso para os sauditas.

A final do Mundial contra o Liverpool

A tensão após o gol do Al Ittihad perdurou até a finalíssima contra o Liverpool. Não era por menos. Os ingleses tinham um timaço, com Gerrard, Cissé, Morientes, o grupo responsável por uma das mais fantásticas reações da história do futebol europeu.

Por isso mesmo, Autuori mandou à campo o mesmo time das semis porém muito mais retraído, em especial os alas Cicinho e Júnior, que mal passavam do meio campo. O esquema não impediu os Reds de chegarem ao ataque logo no primeiro minuto, mas também permitiu que o Tricolor atacasse com perigo em algumas escapadas pelo meio.

Para isso, a dupla que chegou lá no começo de 2005, no Paulista, foi, como dissemos, imprescindível. Josué e Mineiro foram impecáveis, cobrindo todo o setor à frente dos zagueiros e avançando ao ataque de maneira inteligente, quando o Liverpool permitia.

E, aos 26 minutos, o Liverpool permitiu. Aloísio — outro que dissemos ser essencial — recebeu livre na intermediária, já que não havia um Josué inglês por ali. E quem tinha um Mineiro, o original mesmo, era o São Paulo.

O volante, esperto, escapou nas costas de Hyypia e recebeu a bola livre na cara do gol. O resto é história.

Rogério Ceni, novamente

O gol, como sabemos, matou o jogo, mas não o Liverpool, coisa que nem os três gols do Milan na Liga dos Campeões foram capazes de fazer. A equipe inglesa se lançou ao ataque e nos 15 minutos finais do primeiro tempo conseguiu quatro boas chances para empatar.

No segundo tempo, mal deu tempo para o São Paulo se ajustar que já foi obrigado a ver a história ser feita. E por Rogério Ceni, mais uma vez. Falta pela esquerda, Rogério Ceni na bola e…

A defesa de Ceni deu uma certa confiança à equipe tricolor, que até tentou ir ao ataque na manha. O gol marcado pelo Liverpool e invalidado pela arbitragem voltou a deixar a equipe retraída e ao 20 minutos começou outro bombardeio.

Aos 21, outro gol do Liverpool invalidado. Até o terceiro e último gol marcado e anulado, os Reds seguiram pressionando e seguiram esbarrando na defesa e em Rogério Ceni, que demonstrava enorme concentração e confiança na meta são-paulina.

Os ingleses até tiveram uma última chance com Morientes, depois de um belo de um presente de Lugano, que deu a bola pingando na entrada da área ao atacante espanhol. Mas não tinha jeito, Tóquio e o Mundo tinham dono em 2005.

São Paulo tricampeão mundial de clubes
Tricampeão, São Paulo é o clube brasileiro com mais títulos internacionais

Tricolor e Tricampeão

A conquista do tricampeonato Mundial alçou o São Paulo a um patamar só alcançado por Real Madrid, Milan, Peñarol, Nacional, Boca Júniors e depois por Barcelona e Inter de Milão.

Foi um título e um ano todo para a história do futebol brasileiro e tricolor, que ainda por cima deu a partida ao maior domínio nacional dos anos 2000, quando o São Paulo foi também tricampeão do Campeonato Brasileiro, entre 2006 e 2008.

A campanha de 2005 foi tão grande e tão marcante que acabou sendo uma certa sombra para as equipes são-paulinas seguintes, que, até então, não conseguiram repetir sequer a final da Copa Libertadores.  No entanto, mesmo que seja, e provavelmente será, ela nunca será esquecida.

Elenco do São Paulo Tricampeão Mundial

  • Rogério Ceni
  • Cicinho
  • Fabão
  • Edcarlos
  • Diego Lugano
  • Júnior
  • Josué
  • Danilo
  • Mineiro
  • Amoroso
  • Aloísio Chulapa
  • Bosco
  • Flávio Kretzer
  • Alex Bruno
  • Flávio Donizete
  • Fábio Santos
  • Renan Teixeira
  • Richarlyson
  • Souza
  • Denílson
  • Thiago Ribeiro
  • Grafite
  • Christian

Depois de relembrar o Tri Mundial do São Paulo, aproveite para ler outros conteúdos sobre futebol:

*Última atualização feita em 20 de setembro de 2020

Comentários

Salvar
Compartilhar
Twittar
Compartilhar
WhatsApp
Pin