Nos últimos 15 anos, sempre que começava uma nova edição do Campeonato Espanhol – conhecido simplesmente como LaLiga –, a grande pergunta que todos se faziam era: quem tem mais chances de ser campeão dessa vez, Real Madrid ou Barcelona?

E mesmo com a péssima temporada 2019-20 feita pelo Barcelona – marcada pelos 8 x 2 sofridos para o Bayern de Munique nas quartas de final da Liga dos Campões da Europa –, antes do início da edição 2020-21 de La Liga, em setembro, ainda se acreditava que os catalães eram os únicos com chances reais de impedir que o Real Madrid conquistasse um segundo título nacional consecutivo.

 

Passadas as doze primeiras rodadas, no entanto, quem liderava a atual edição do Campeonato Espanhol era o Atlético de Madrid. Se por um lado é verdade que há tempos todos reconhecem a competitividade da equipe dirigida por Diego Simeone, ninguém esperaria que, em 10 de dezembro, o Atlético fosse considerado o favorito para terminar em primeiro nessa competição depois de sete anos.

Mas o fato é que isso podia ser constatado tanto através das cotações das casas de apostas – onde se oferecia um retorno de 2.0 pelo título dos colchoneros – quanto pelas apostas em futebol realizadas através da opção “Exchange”.

Neste segundo caso, os fãs de futebol apostam entre si a favor ou contra determinado evento, e cada aposta pode ser negociada como uma cotação numa bolsa de valores – tanto é que os que apostam via “Exchange” são conhecidos como traders esportivos. E entre estes, ao checarmos as apostas correspondidas a favor do título espanhol do Atlético de Madrid, o retorno esperado em 10 de dezembro era muito parecido com o das casas de apostas: 2.04.

Isso significa que os traders – que tendem a ser apostadores mais experientes do que a maioria – consideravam, de um modo geral, bastante razoáveis as cotações oferecidas pelos prognosticadores esportivos profissionais.

Analisando friamente os números do Atlético até então, tal constatação parece óbvia. Afinal, àquela altura os colchoneros tinham feito menos jogos que quase todas as outras 19 equipes de La Liga, mas ainda assim estavam um ponto à frente da ainda mais surpreendente equipe da Real Sociedad.

Mais do que isso: nos seus dez jogos até aquele momento, o Atlético ainda não sabia o que era perder na competição, e não havia sofridos gols nem mesmo de equipes como Barcelona ou Villarreal. Por sinal, o mesmo aconteceu no jogo contra o Valladolid pela 12ª rodada, que foi o que levou os comandados de Simeone à liderança da competição.

 

De fato, mais importante que qualquer resultado em si é constatar que, em seus dez primeiros jogos, o Atlético sofreu apenas 2 gols. Todos sabem o quanto Simeone é obcecado com o bom desempenho defensivo de sua equipe, mas desta vez o argentino conta com jogadores plenamente capazes de corresponder às suas orientações, como é o caso dos dois brasileiros no elenco: o zagueiro Felipe Augusto e o lateral-esquerdo Renan Lodi.

Alie-se isso ao talento de atacantes como o uruguaio Luis Suárez e o português João Félix, e tem-se a receita perfeita para que o Campeonato Espanhol volte finalmente a ser uma competição de fato, em vez de um mero plebiscito.