Confira tudo sobre Damiris Dantas: a história, os times, os números, os títulos na Seleção Brasileira e como ela chegou à WNBA

Depois do corta-luz, a armadora batia para dentro e mandava a bola para ela no perímetro. Ela ela arremessava dali mesmo. O roteiro era quase sempre igual. O final também, com a bola caindo, silenciosa e mortal. A estrela da cena? Damiris Dantas.

Com enorme frieza e primor técnico, a brasileira foi o grande destaque do Minnesota Lynx nos playoffs da WNBA 2020, acertando mais da metade de seus tiros e anotando por partida quase um quarto dos pontos da equipe. Só não conseguiu chegar nas finais.

Dizer que Damiris surpreendeu é desconhecer a carreira da pivô três vezes campeã da Liga de Basquete Feminino (LBF). Mas não há como não se animar com o futuro que ela pode ter como a grande referência do basquete feminino brasileiro.

Como forma de reconhecimento de tudo o que ela fez para alcançar tal posto — e também como aquecimento do que ela pode fazer —, montamos abaixo um texto contando tudo sobre a sua carreira. Sua história, seus títulos no Brasil e na Seleção Brasileira e, claro, sua trajetória na WNBA.

Quem é Damiris Dantas

Damiris Dantas em atuação pelo Minnesota Lynx
Damiris é uma pivô com muito recurso de arremesso(Stephen Gosling/NBAE/Getty Images)

Damiris Dantas é uma brasileira jogadora de basquete profissional que joga como pivô. Nasceu no dia 17 de novembro de 1992, em Ferraz de Vasconcelos, São Paulo. Convocada para a Seleção Brasileira pela primeira vez em 2011, joga desde 2019 no Minnesota Lynx, da WNBA.

“D.D”, como é chamada pelas companheiras de time nos EUA, é uma pivô de muito recurso. Em 2020, teve aproveitamento de arremessos de quadra acima dos 50% e média de pontos por jogo acima dos 18.

Terceira melhor pontuadora brasileira da história da WNBA, Damiris é certamente o maior nome da geração atual do basquete feminino do Brasil. Mas não é somente a carreira no exterior que a coloca nesse posto. A jogadora é, afinal, tricampeã da LBF, em três passagens diferentes pelo Americana.

Damiris também já conquistou três títulos com a Seleção Brasileira — uma Copa América, um Sul-americano e um Pan — e tem tudo para, com a idade avançada de Érika, liderar a equipe em competições (e quem sabe conquistas) futuras.

A história de Damiris Dantas

Damiris Dantas em atuação no Mundial Sub-19
Desde cedo Damiris foi peça-chave das seleções de base do Brasil (Reprodução)

Damiris Dantas surgiu para o basquete no Centro de Formação Esportiva Janeth Arcain, sim, da “escolinha” de uma das maiores jogadoras da história do basquete brasileiro.

Moradora de Ferraz de Vasconcelos, demorava duas horas para ir outras duas para voltar do CFE, que ficava em Santo André, município da região Metropolitana de São Paulo. O esforço não demorou muito para ser recompensado: em 2009, a brasileira foi jogar no Clube Maristas Coruña, na Espanha.

Entre uma passagem pelo Divino/COC/Jundiaí e outra na Espanha, no Real Celta de Vigo, a pivô teve sua primeira oportunidade na LBF em 2013, pelo Ourinhos. Na temporada de estreia, foi titular e a principal arma ofensiva da equipe que terminou na terceira colocação da Liga.

Mas seu grande momento no início carreira foi um pouco mais cedo, em 2011, no Mundial Sub-19. A Seleção Brasileira ficou com a terceira colocação e Damiris teve um desempenho simplesmente espetacular.

Ela foi a líder em pontos (20,9) e em rebotes (12,6) por partidas, assim como foi quem mais anotou duplo-duplos (6). Não houve, assim, quem tirasse o prêmio de MVP do torneio de suas mãos.

Como Damiris Dantas chegou à WNBA

Óbvio que o Mundial Sub-19 chamou atenção. Damiris só não esperava que seria escolhida na primeira rodada do Draft da WNBA 2012 pelo campeão da temporada, o Minnesota Lynx.

A pivô só não arrumou as malas para os EUA por conta da Seleção Brasileira, que pedia comprometimento e presença constante nas convocações por conta da proximidade das Olimpíadas de Londres.

Como muitas vezes o calendário WNBA é conflitante com o da CBB, Damiris acabou ficando no Brasil, mas sem necessariamente fechar as portas na Liga Estadunidense.

Uma escolha de draft, tanto na WNBA quanto na NBA, é quase como uma declaração de intenção, um compromisso de prioridade para assinar um contrato, que no caso da brasileira, viria acontecer em 2014.

Seu tão esperado início foi arrasador. Distribuiu cinco assistências e pegou 10 rebotes na sua primeiríssima partida. Foi apenas a segunda jogadora da história da Liga a alcançar tal marca em uma estreia.

A temporada dos sonhos, no entanto, foi interrompida pela complicação da saúde da tia que a criou. Damiris voltou ao Brasil para visitá-la no hospital e só conseguiu voltar para os quatro últimos jogo do Lynx nos playoffs de 2014. A tia faleceu pouco tempo depois.

Damiris Dantas em atuação pelo Lynx em 2014
Damiris teve média de seis pontos e cinco rebotes em seu primeiro ano na WNBA (Reprodução)

Entre Atlanta e Americana

Como a temporada da WNBA dura somente seis meses, Damiris conseguiu antes jogar na LBF. Atuando pelo Americana, conquistou seu primeiro título nacional.

O ano de 2015 foi similar, quando conquistou outra LBF pela equipe paulista. A diferença foi que depoi ela esteve envolvida numa troca do Lynx, que a mandou para o Atlanta Dream, antigo time de Érika. Lá, lesionou-se e perdeu o restante da temporada regular.

À exemplo de 2012, em 2016 a pivô optou por ficar de fora da WNBA para se concentrar na Seleção Brasileira e principalmente nas Olimpíadas, em que terminou na infeliz nona colocação. Feliz mesmo foi o seu terceiro título da LBF, mais uma vez com o Americana, que se tornou o maior vencedor da Liga com 4 títulos.

A conquista deu bons presságios para o restante da temporada. Tanto que, novamente na WNBA, jogos nos 34 jogos do Atlanta Dream na fase regular. Ainda deu tempo de atuar no basquete sul-coreano no final do ano.

Segunda passagem no Minnesota Lynx

Em 2019, livre das lesões no tornozelo que a atormentaram em 2018, e dona de uma medalha de ouro dos Jogos Pan-Americanos, Damiris Dantas enfim teve a tão sonhada regularidade na WNBA.

Ainda se readaptando ao basquete estadunidense, a pivô teve uma minutagem irregular mas participou de todos os jogos da temporada regular chegando a fazer duas partidas para mais de 20 pontos. Na fase final, a única partida em que atuou, a derrota para o Seattle Storm, anotou 20 pontos e pegou seis rebotes.

Em 2020 que, aí sim, DD arrebentou. Na fase regular, fez quatro jogos a menos que 2019, teve apenas um minuto a mais e mesmo assim cresceu três pontos na média (12,9), quatro pontos percentuais em todos os arremessos e aumentou a quantidade de rebotes por partida (4,5).

Nos playoffs então, foi a dona da quadra. 34 minutos de média dentro de quadra, 51% de aproveitamento de bola e cestinha de duas das quatro partidas que o Minnesota Lynx disputou, incluindo os da série conta o Seattle Storm, na qual foi eliminada.

O desempenho de Damiris Dantas foi tão bom que o Lynx não teve outra alternativa senão renovar o seu contrato por pelo menos mais uma temporada. Então fique ligado: teremos a nossa craque na WNBA 2021!

Damiris Dantas durante jogo do Lynx em 2019
Em 2020, Damiris chegou a marcar 28 pontos contra o Chicago Sky (Lorie Shual/CC)

Damiris Dantas na Seleção Brasileira

A história de Damiris Dantas na Seleção Brasileira começou bastante cedo. Desde 2019, era carta marcada nas competições juvenis, jogando inclusive o Mundial Sub-19 de 2009 aos 17 anos.

No mesmo ano em que arrebentou no Sub-19 que a levou a WNBA, Damiris conquistou seu primeiro título da FIBA com a equipe principal, a Copa América de 2011. No torneio, anotou 61 pontos em seis partidas.

Pouco depois veio o Sul-Americano de 2013, em que anotou 75 pontos em cinco partidas. O troféu mais recente com a Seleção foi o Pan de 2019, em Lima, no Peru. Titular, foi mais discreta mas ainda assim eficiente, com média de 10,5 pontos por jogo.

O futuro de Damiris Dantas na seleção é um tanto nebuloso. A jogadora nunca escondeu a vontade que tem de atuar pela equipe, mas também nunca gozou de tanto prestígio e estabilidade na WNBA. A ver como será a sua resposta nas convocações futuras. Até porque ela tem bola para estar nelas por um bom tempo.

Damiris Dantas em atuação pela Seleção Brasileira
Damiris não jogará as Olimpíadas de Tóquio: a Seleção não conseguiu vaga (Shannon Stapleton/Reuters)

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Estatísticas e números de Damiris Dantas

  • Minutos por jogo: 34,4
  • Aproveitamento de arremessos de quadra:  47,1%
  • Aproveitamento de arremesso de 3 pontos:  51,9%
  • Aproveitamento em lances livres:  83,3%
  • Pontos por jogo: 18
  • Rebotes por jogo: 7,5
  • Assistências: 2,8
  • Roubos de bola por jogo: 1,5

Os números são referentes à pós-temporada de 2020. Você pode conferir as estatísticas completas e aprofundadas de Damiris Dantas no site oficial da WNBA.

Times de Damiris Dantas

  • COC/Jundiaí (2010-2011)
  • Real Celta de Vigo – ESP (2011-2012)
  • Ourinhos (2012)
  • Maranhão Basquete (2013)
  • Americana (2013, 2014, 2016, 2018-2019)
  • Minnesota Lynx – EUA (2014-2015, 2019-)
  • Atlanta Dream – EUA (2015, 2017)
  • KB Stars – COR (2017-2018)
  • Saving Bank – COR (2018-2019)

Títulos de Damiris Dantas

  • Copa América (2011)
  • Campeonato Sul-Americano (2013)
  • Liga de Basquete Feminino/LBF (2014, 2015, 2017)
  • Jogos Pan-Americanos (2019)

Prêmios de Damiris Dantas

  • MVP Mundial Sub-19 (2011)

Curiosidades e biografia de Jimmy Butler

  • Nome Completo: Damiris Dantas do Amaral
  • Data de Nascimento:  17/11/1992
  • Local de Nascimento: Ferraz de Vasconcelos, São Paulo
  • Altura: 1,91m
  • Peso: 91 kg

Qual o salário de Damiris Dantas?

Em 2020, Damiris Dantas assinou a extensão de seu contrato com o Minnesota Lynx por mais um ano, com o mesmo salário anual de US$ 105 mil, totalizando US$ 210 mil.

  • 2019/20  – U$S 105.000
  • 2020/21 – U$S 105.000

Depois de conhecer a história de Damiris Dantas, aproveite para conhecer mais sobre outras estrelas do Basquete:

*Última atualização em 9 de outubro de 2020

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