Nesta sexta-feira (24), o Google homenageou em seu Doodle, a piloto e dublê Kitty O'Neil. Conhecida por ser a “mulher mais rápida do mundo“, enfrentou uma dura batalha contra a surdez e diversas outras dificuldades para continuar em busca de seus sonhos e ser reconhecida por seu trabalho.

Na televisão, Kitty viveu o papel de dublê da Mulher-Maravilha, quando a heroína ainda era interpretada pela atriz Lynda Carter em série que foi ao ar entre 1977 e 1979. No entanto, seu apelido chegou após quebrar o recorde de velocidade ao cruzar o deserto do Oregon, nos Estados Unidos, em um carro-foguete a mais de 825 km/h.

O Esportelândia apresenta agora tudo sobre a história, a carreira e as principais curiosidades que Kitty O'Neil teve de entrar na sua vida para chegar onde chegou e inspirar as pessoas a correrem em direção de seus sonhos.

A vida e história de Kitty O'Neil

Kitty Linn O'Neil Guthrie nasceu há exatamente 77 anos atrás, em 24 de março de 1946, na cidade de Corpus Christi, no Texas, Estados Unidos. Filha de John II O'Neil e Patsy Compton O'Neil, aos cinco anos de idade contraiu uma série de doenças infantis – como sarampo, caxumba e varíola – de forma simultânea, provocando a perda da sua audição.

Vendo o dilema social que a filha teria de enfrentar, sua própria mão lhe ensinou leitura labial e técnicas de fala. Anos mais tarde, Patsy ainda foi responsável por abrir uma escola para deficientes auditivos na cidade Wichita Falls, também no Texas.

Kitty O'Neil
Foto: Reprodução/ghbase.com

Apesar das adversidades, desde criança Kitty cresceu tomando paixão pela velocidade. Com apenas quatro anos de idade, pediu ao pai que a colocasse em cima do cortador de gramas e corresse o mais rápido possível.

No entanto, a boa relação com seu pai acabou não durando por muito tempo. Afinal, John O'Neil sofreu um acidente grave durante uma viagem de avião e faleceu. Dessa forma, Kitty teve de ser criada o resto da sua juventude apenas por sua mãe.

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A batalha contra as doenças e a vontade de seguir em frente

Ainda durante a adolescência, Kitty decidiu ingressar na área do esporte, mas em outras modalidades. Deu início à vida na natação e no mergulho, onde obteve grande destaque e conquistou uma porção de medalhas. O sucesso foi tanto que, em 1964, a jovem garota decidiu se mudar para a Califórnia para treinar com um técnico de renome, tentando alcançar uma possível vaga na equipe olímpica do seu país.

O sucesso no time de mergulho estaria garantido, se não fosse a infelicidade de quebrar o pulso e contrair uma meningite espinhal naquele mesmo ano. Como se já não bastasse, ainda com 20 anos Kitty teve de passar por dois tratamentos para enfrentar um câncer.

Contudo, provando mais uma vez a sua vontade de continuar em frente e brigar por seus sonhos, decidiu partir para uma porção de carreiras diferentes dentro do esporte. A princípio, participou de competições em eventos de carros e motos, incluindo a importante corrida off-road Mint 400.

Não satisfeita, Kitty O'Neil também ingressou no esqui aquático, no paraquedismo e na asa delta. Aliás, conforme ela mesma afirmou em 1979: “o mergulho não foi assustador o suficiente para ela”.

Entretanto, foi ainda em 1976 que O'Neil cometeu um dos maiores feitos de sua carreira. Na verdade, foi o ato que garantiu a ela o apelido de “mulher mais rápida do mundo”. No auge de seus 30 anos foi responsável por guiar um carro-foguete chamado de “Motivador”, chegando a 825 km/h e quebrando o recorde de velocidade em terra para mulheres. A marca anterior era de 320 km/h.

Kitty O'Neil: história, carreira e curiosidades
Kitty O'Neil participou também de corridas de Dragsters – Foto: Reprodução/Mark J. Rebilas/Icon Sport

Na época, era óbvio para todo mundo que ela seria capaz de superar também o recorde masculino. Todavia, ela foi impedida de realizar tal feito devido à decisão sexista de seus patrocinadores.

Mesmo assim, mais uma vez Kitty seguiu e partiu para superar marcas e estatísticas pilotando barcos a jato e veículos dragsters – que possuem uma construção leve com motores muito potentes, projetados especificamente para provas de arrancada.

A carreira perigosa de Kitty O'Neil

Além de todas as modalidades e esportes já citados, vale ressaltar que Kitty O'Neil também possuía influencia em corridas de moto. Inclusive, foi em uma delas em que teve dois dedos de sua mão decepados. Na época, um companheiro chamado Duffy Hambleton ajudou a atender a moça e insistiu para que ela fosse levada ao hospital.

Correram boatos de que Kitty teria se casado com Hambleton anos depois, em um matrimônio que durou pouco tempo. Até porque, foi por meio do próprio que ela acabou conhecendo Hall Needham, um consagrado dublê a quem ela sempre creditou por ajudá-la com treinamentos.

Kitty O'Neil
Foto: Reprodução/Blog do Esmael

Kitty O'Neil dizia que, de certa forma, a surdez a ajudava a se concentrar melhor em suas atividades. Mesmo que estivesse correndo em um veículo dragster ou, até mesmo, pulando de prédios.

Foi no final da década de 70 que O'Neil chegou aos filmes e séries de TV, participando como dublê de produções como “A Mulher Biônica” (1976), “Mulher-Maravilha” (1977-1979) e Os Irmãos Cara-de-Pau” (1980). Kitty também ficou conhecida por ser tornar a primeira mulher a entrar para Stunts Unlimited, uma organização para os melhores dublês de Hollywood.

“Nunca desista. Quando eu tinha 18 anos, disseram-me que não conseguiria um emprego porque era surda. Mas eu disse que um dia seria famosa no esporte, para mostrar a eles que posso fazer qualquer coisa”, declarou Kitty O'Neil.

A artista e esportista se aposentou em 1980, após uma carreira de grande sucesso. Kitty morreu por conta de uma pneumonia em 2 de novembro de 2018, em Eureka, na Dakota do Sul, nos Estados Unidos.

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Última atualização em: 05/07/2023