Antes de mais nada, Kimi Raikkonen é o mais novo aposentado da Fórmula 1. Em 2021, disputou seu último GP em Abu Dhabi, e isso marcou o fim de uma carreira longeva na categoria. Ele encerrou sua trajetória como campeão mundial em 2007, tendo largado em 350 GPs em 19 temporadas e conquistado 21 vitórias e 18 poles. Vem conferir mais sobre a história do finlandês!

Quem é Kimi Raikkonen?

Kimi-Matias Raikkonen agora é um ex-piloto de F1. Além disso, já passou também por WRC e Nascar durante os anos sabáticos de 2010 e 2011. Ele nasceu em Espoo, na zona metropolitana da capital Helsinki, e é conhecido pelo talento, mas também por seu jeito único, de poucas palavras e frases icônicas, como “leave me alone, I know what I am doing” (me deixe sozinho, eu sei o que estou fazendo). 

Como Raikkonen chegou na Fórmula 1?

Em setembro de 2000, fez seu primeiro teste num carro de F1 com a Sauber, no circuito de Mugello. Ele chamou a atenção da equipe após dominar a Fórmula Renault Britânica. Apesar de só ter participado de 23 corridas de monopostos até então, havia vencido 13 delas.

O plano inicial era que ingressasse na Fórmula 3 no ano seguinte. No entanto, a Sauber ficou impressionada com o desempenho de Kimi nos testes e queria colocá-lo já na principal categoria do automobilismo mundial.

Ele realizou mais um teste satisfatório em novembro e a FIA concordou em lhe dar a superlicença, mas provisória. Ela era revisada a cada três meses e se o piloto causasse um acidente grave, teria o direito de estar na F1 suspenso.

Estreia pela Sauber (2001)

Raikkonen estreou na Austrália, em 4 de março de 2001. No circuito de Melbourne, conseguiu se classificar em 13° e terminar em sétimo (vale destacar que não pontuou, pois na época eram apenas os seis primeiros). No entanto, esse seria o começo da conquista de bons resultados na carreira.

O finlandês terminou sua temporada de estreia em 10°, conquistando oito pontos (apenas três a menos do que Nick Heidfeld, seu companheiro de equipe). Seu desempenho chamou a atenção de equipes de alto nível, e houveram especulações de que poderia ir para a Ferrari. No entanto, a equipe Tifosi concluiu que não estava maduro o suficiente para ocupar esse assento. Com isso, Kimi teve outro destino.

O então estreante no GP da Áustria de 2001. Foto: The Cahier Archive.

McLaren (2002-2006)

Com Mika Hakkinen iniciando o que seria inicialmente um período sabático, a McLaren optou por contratar Raikkonen. Em sua primeira corrida pela equipe, no GP da Austrália, conseguiu um pódio, terminando em 3º. No entanto, ao longo do ano, o carro não se mostrou tão confiável e rápido, e ele teve 10 abandonos em 2002.

Sua primeira vitória na F1 veio no ano seguinte, no GP da Malásia. Apesar de ter sido a única daquele ano, foi vice-campeão. Quem faturou o título foi Michael Schumacher, conquistando apenas dois pontos a mais.

A mesma posição final no campeonato se repetiu em 2005. No entanto, foi Fernando Alonso que terminou à frente, e conquistou um campeonato inédito para ele. Nos anos de McLaren, Kimi conseguiu nove vitórias e 36 pódios. O título mundial iria vir, mas em outra equipe.

Raikkonen e Schumacher disputando posição no GP da Itália em 2006. Foto: The Cahier Archive.
Raikkonen e Schumacher disputando posição no GP da Itália em 2006. Foto: The Cahier Archive.

Título mundial pela Ferrari em 2007 e sua permanência até 2009

Com a primeira aposentadoria de Michael Schumacher em 2006, Raikkonen foi para a equipe de Maranello. Ele disputou o título com o bicampeão Fernando Alonso e o então estreante Lewis Hamilton, que já apresentava uma performance acima da média. O campeonato foi conquistado pelo Iceman no GP do Brasil, por apenas um ponto de vantagem em relação a ambos.

A comemoração do título mundial de 2007. Foto: reprodução.
A comemoração do título mundial de 2007. Foto: reprodução.

No ano seguinte, houve uma queda de rendimento. Com isso, o finlandês terminou em terceiro, 20 pontos atrás de Hamilton (que viria a ser campeão em Interlagos, naquela corrida em que o Timo Glock “não aguentou e não resistiu”). 

Em 2009, especulações sobre uma eventual vinda de Fernando Alonso para a equipe tomavam cada vez mais força. Além disso, a performance do carro não estava deixando Kimi satisfeito.

Uma série de fatores fizeram com que, em 30 de setembro, o anúncio da chegada de Alonso se tornasse oficial. Vale destacar também, que a Ferrari fez um acordo com o piloto e lhe pagou 20 milhões de euros referentes a temporada 2010, quando encerraria seu contrato. 

Por ver que não conseguiria vaga em um carro competitivo, decidiu tirar um período sabático da F1. Ele finalizou essa primeira passagem pela Ferrari com um campeonato mundial, nove vitórias e 27 pódios. Mas, os carros que pilotaria nos dois próximos anos seriam bem diferentes.

Anos sabáticos, WRC e Nascar (2010-2011)

Em 2010, Raikkonen foi contratado pela Citroen Junior Team para disputar o WRC (Mundial de Rally). O carro usado no ano em questão foi o Citroen C4. Já em 2011, com a dissolução da equipe, disputou a temporada sob uma equipe própria, a Ice 1 Racing. Seu carro era Citroen DS3 e, em ambas as temporadas, terminou em 10° no campeonato.

Kimi também se aventurou na Nascar em duas provas, ambas no Charlotte Motor Speedway. Pela Kyle Busch Motorsports, o finlandês correu na Truck Series em 20 de maio. Ele conseguiu terminar na 15° colocação. Já na Xfinity Series (na época Nationwide) disputou uma prova em 28 de maio pela NEMCO Motorsports – em parceria com a KBM – e terminou em 27°.

Em 29 de novembro de 2011, houve o anúncio de que voltaria à F1, mas pela Lotus. Seu companheiro de equipe seria Romain Grosjean.

Raikkonen na Nascar Truck Series. Foto: reprodução.
Raikkonen na Nascar Truck Series. Foto: reprodução.

Volta à F1 pela Lotus (2012-2013)

Raikkonen conseguiu voltar ao pódio no GP do Bahrein, a quarta corrida de 2012. Além disso, sua primeira temporada na Lotus o faria proferir uma de suas frases mais memoráveis.

No GP de Abu Dhabi, ele assumiu a liderança na volta 20. Naquele momento, seu engenheiro avisou que Alonso estava cinco segundos atrás. Logo em seguida, sem paciência, Kimi disse: “leave me alone, I know what I am doing” (me deixe sozinho, eu sei o que estou fazendo).

Talvez ele soubesse mesmo o que estava fazendo porque venceu aquela corrida. Mas essa é, com certeza, uma frase conhecida por muitos fãs da Fórmula 1.

O finlandês com sua Lotus no GP da Hungria de 2013. Foto: The Cahier Archive.
O finlandês com sua Lotus no GP da Hungria de 2013. Foto: The Cahier Archive.

A jornada do finlandês na Lotus teve duas vitórias e 14 pódios. No entanto, ela não terminaria tão bem. A equipe passou por sérios problemas financeiros. Inclusive, atrasou pagamentos de Raikkonen e essa situação foi decisiva para ele ir para outro lugar.

Na verdade, esse já era conhecido. Alguns rumores já corriam, mas, em 11 de setembro, houve a confirmação de que voltaria à Ferrari, substituindo Felipe Massa.

Segunda passagem pela Ferrari (2014-2018)

Em seu primeiro ano, teve Alonso como companheiro de equipe. Já a partir de 2015, Vettel chegou da Red Bull – onde havia conquistado o tetracampeonato consecutivo. Nesse mesmo ano, Raikkonen voltou ao pódio, no GP do Bahrein.

Sua última vitória na Ferrari e na Fórmula 1 foi no GP dos Estados Unidos em 2018, com a estratégia de uma parada. Ele terminou o campeonato do ano em questão em terceiro.

Kimi no lugar mais alto do pódio em Austin, 2018. Foto: reprodução/F1.
Kimi no lugar mais alto do pódio em Austin, 2018. Foto: reprodução/F1.

Nessa segunda passagem pela equipe, Kimi conquistou, além da vitória em Austin, 26 pódios. Mas, no ano seguinte, iria para onde tudo começou. No entanto, sob outro nome.

Alfa Romeo (2019-2021)

Em 2019, duas mudanças viriam: a Sauber passaria a se chamar Alfa Romeo e Raikkonen iria para a equipe. Com um carro não tão bom, o finlandês não conseguiu ter resultados tão expressivos. Além disso, sua aposentadoria da F1 parecia se encaminhar aos poucos.

No entanto, esse primeiro ano de Alfa Romeo fez com que ele tivesse um certo destaque. Antes das férias do verão europeu, havia conquistado 31 pontos e chegou a estar em oitavo no campeonato. Naquela temporada, terminaria em 12°, com 43 pontos.

O carro da equipe estava entre os piores do grid, e isso afetou a performance de Kimi principalmente em 2020 e 2021. Mas, uma marca considerável seria conquistada no GP de Eifel de 2020, quando ultrapassou o recorde de 322 largadas que pertencia a Rubens Barrichello.

O ano de 2021 foi o último de Kimi na F1. Vale destacar que perdeu duas corridas (Holanda e Itália) por estar com COVID-19 e Robert Kubica o substituiu.

Seu último GP foi em Abu Dhabi, e precisou abandonar após seus freios terem falhado e, com isso, ter batido levemente no muro. Em sua passagem pela Alfa, conquistou 57 pontos em três temporadas (43 em 2019, 4 em 2020 e 10 em 2021)

Raikkonen teve problemas no carro, bateu, e teve que abandonar sua última corrida da Fórmula 1. Foto: reprodução/F1
Raikkonen teve problemas no freio, bateu, e teve que abandonar sua última corrida da Fórmula 1. Foto: reprodução/F1

E o futuro pós-Fórmula 1?

Raikkonen ainda não anunciou o que fará no futuro. No entanto, ele deu uma entrevista em fevereiro de 2021 ao site Formule 1, em que se mostrou aberto a correr novamente em outras categorias: “Há muitas coisas divertidas que eu poderia fazer […] Não sei se rally, uma categoria da NASCAR ou algo completamente diferente”.

Foto destaque: Divulgação / F1