Conheça a história de Mike Tyson: a biografia, o cartel, as lutas, os títulos e as polêmicas, da prisão a mordida em Holyfield

A ansiedade de quem espera a volta de Mike Tyson ao ringue não era exatamente a mesma dos seus adversários antes das lutas, que estava mais para nervosismo. Ele sabiam que assim que o árbitro liberasse, o homem vinha babando para cima. Um tanto encurvado, ele balançava, esquivava e atacava até encaixar a mão. E a mão era pesada, viu.

Tyson foi um dos maiores lutadores de sua categoria e talvez de todo o esporte. Em 58 combates, seu cartel aponta para 50 vitórias, 44 delas por nocaute.

Aos 20 anos de idade, foi o mais jovem campeão mundial de boxe. Seu biotipo e a potência dos seus golpes completavam seu estilo furioso e influenciaram a maneira como os pesos pesados competem e são avaliados.

Só a sua vida pessoal parece ser capaz de competir em intensidade com o seu estilo de luta.

Colecionando polêmicas e até casos de polícia, Tyson se manteve nas manchetes, num primeiro momento, e depois nas telas, baixando a guarda para as câmeras e para os microfones.

A história de Mike Tyson

A história de Mike Tyson no boxe começa em 1978. Com 12 anos, 80 kg e um biotipo ridiculamente construído para o combate, entre suas idas e vindas ao reformatório juvenil, Tyson foi descoberto pelo lendário treinador Cus D’Amato .

Abandonado pelo padrasto e sem conhecer o pai, o lutador não teve uma das juventudes mais tranquilas, especialmente depois da morte da mãe, em 1982, quando tinha 16 anos.

Na época, sua custódia estava com D’Amato, dada a rígida rotina de treinos sob a qual vivia, e a responsabilidade legal do jovem lutador assumida por parte do treinador foi um processo natural.

Sob a guarda de D’Amato, Tyson viveu imerso no boxe, vencendo o mundial olímpico de 1980, o torneio nacional de juvenis de 1981 e o mundial de juvenis em 1982. Em 1985, estreou na categoria profissional.

Iron Mike

Seu início foi tão arrasador quanto o seu soco de esquerda. Logo na sua primeira luta, um nocaute no primeiro round que inspirou o seu ilustre apelido, “Iron Mike”, o “Mike de Aço”.

Tyson tinha uma potência incrível nos golpes, mas foi o treinamento de D’Amato que o guiou a 15 vitórias consecutivas no seu primeiro ano como profissional. O treinador transformou toda a fúria do lutador em capacidade ofensiva e defensiva, usando um movimento chamado “peek-a-boo”.

Batizado com a onomatopeia que a língua inglesa usa para se referir a uma brincadeira de crianças, o peek-a-boo era basicamente uma postura de contra-ataque em curta distância, de movimentação constante da cabeça e de golpes curvos.

Usando e abusando da posição, Tyson colava em seus adversários logo no início das lutas e castigava ao menor sinal de fraquejo.

Com a estratégia, colecionou nocautes e conquistou seu primeiro título mundial, confirmado em 1986, exatamente um ano depois da trágica morte de Cus D’Amato, causada por uma pneumonia.

A primeira derrota de Mike Tyson

Dizem que Mike Tyson nunca mais foi o mesmo depois da morte de D’Amato, mas, pelo menos nos ringues, seguiu arrasando seus oponentes rapidamente, a maioria no primeiro round das lutas.

Só foi derrotado em 1990, depois de 37 lutas e 33 nocautes. O autor do feito foi Buster Douglas, que conseguiu um nocaute no décimo round e tirou o cinturão unificado das mãos de Iron Mike.

Mike Tyson sendo nocauteado por Buster Douglas

Mike Tyson e a revolução nos pesos-pesados

Muitos especialistas são reticentes em colocar Tyson no panteão dos melhores do boxe, mas é inegável a sua influência no esporte e principalmente na sua categoria.

Seu biotipo — um corpo mais baixo e atarracado — passou a ser melhor aceito dentro da elite dos pesos-pesados e o seu estilo agressivo e curto se multiplicou entre as categorias.

Os boxeadores aumentaram a velocidade em pelo menos uma marcha depois de que a fúria de Tyson passou pelos ringues.

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A queda: mordida, polêmicas e a prisão de Mike Tyson

A trajetória de Mike Tyson até a sua primeira derrota era recheada de polêmicas, de trocas  de treinadores, de brigas com empresários e de problemas conjugais. No ano seguinte, porém, o limite foi ultrapassado.

Em 1992, Tyson foi condenado a seis anos de prisão pelo estupro de Desiree Washington, modelo aspirante ao título de Miss Black America, competição da qual o boxeador foi jurado. A carreira e a vida do atleta nunca mais foram as mesmas. E nem deveriam.

Mike Tyson e Evander Holyfield

Foi em 1997, porém, quando aconteceu seu momento mais baixo, desportivamente falando. É um tanto sintomático dos nossos tempos que a sua prisão seja menos lembrada que seu momento de fúria real dentro dos ringues. Algo para se refletir.

De qualquer maneira, a vida pessoal e a profissional de Mike Tyson era relativamente e com dificuldades, separadas, até que se chocaram na revanche contra Evander Holyfield.

Em 1995, o boxeador foi solto da prisão por bom comportamento. Seis meses depois, já estava nocauteando seus adversários em menos de dois minutos de luta. Fez mais sete lutas até conseguir a chance de recuperar seu cinturão contra Holyfield, em 1996.

Seu oponente era outro dos grandes nomes do boxe do final do século XXI e não só foi páreo para a sua potência como conseguiu um nocaute técnico no 11º round.

Então, na volta, a mordida. Ela aconteceu no terceiro round de outro combate que vinha favorável ao então campeão, e resultou num pedaço de orelha de Holyfield decepado e cuspido no meio do chão do ringue.

Final melancólico

Qualquer chance de redenção no esporte parece ter terminado ali. Convivendo com mais casos e acusações de agressões, abusos e outros incidentes, Tyson fez ainda mais 10 lutas entre 1998 e 2005, incluindo uma inexplicável disputa de cinturão em 2002.

Nesse período, Iron Mike sofreu o mesmo número de derrotas que tinha sofrido na carreira inteira. Foram seis no total, e mais duas desistências, que também aconteceram nesses combates finais.

A figura midiática e enigmática de Mike Tyson

A falência decretada em 2003 foi decisiva para seus passos seguintes. O boxeador, que chegou ultrapassar Michael Jordan como o atleta mais bem pago do mundo, começou a diversificar suas fontes de renda e, depois de fazer algumas lutas de exibição para ajudar a pagar as contas, se aproximou das telas para comerciais e filmes.

Sua ponta na franquia “Se beber, não case” é a mais lembrada, mas foram mais de 50 participações em gravações, entre cinema, seriados e programas de televisão.

Cultuou, desde então, uma personalidade midiática um tanto enigmática, que topa muita coisa, mas dificilmente leva desaforo para casa.

Hoje em dia, suas aparições são mais tranquilas, seja comentando sobre sua fazenda de maconha que o tirou da falência ou se abrindo nas conversas que faz sem seu podcast.

A volta de Mike Tyson

Então, não mais do que de repente, Mike Tyson anuncia sua volta aos ringues.

Aos 54 anos, o lutador bolou com Roy Jones Jr. uma luta de exibição que só foi permitida pela Comissão Atlética da Califórnia, entidade que regula a atividade esportiva no local do combate, por um acordo entre os oponentes de não se buscar o nocaute.

Tyson tem surpreendido a comunidade do boxe não só pela volta em si, mas pela sua preparação. Alguns vídeos mostram o cinquentão com uma enorme agilidade e energia, e um físico impressionante.

Quando será a luta de Mike Tyson

A luta de exibição entre Mike Tyson e Roy Jones Jr. acontecerá no dia 12 de novembro de 2020. Recebe o embate a Dignity Health Arena, em Los Angeles, Estados Unidos.

Agora que você já conhece melhor a história de Mike Tyson, aproveite para conferir outros conteúdos de boxe e artes marciais:

*Última atualização em 7 de agosto de 2020

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