Acelino Popó Freitas é um dos maiores pugilistas do boxe brasileiro, tornando-se uma personalidade conhecida não só no Brasil mas também no mundo. Ficou conhecido por dois apelidos, “Mão de Pedra” e internacionalmente por “Estrela do Nocaute“.

Sua sequência de nocautes consecutivas é uma das maiores da história do boxe. Veja aqui, no portal Esportelândia, um resumo da vida e da carreira do grande pugilista que entrou para a história do esporte brasileiro e mundial.

A história de Acelino Popó Freitas

Acelino Freitas nasceu em Salvador, numa família pobre, em um bairro da periferia, a Cidade Nova, que fica na região da Baixa de Quintas. Seus pais são Niujalma Ferreira Jones, conhecido como Babinha e Zuleica Freitas, famosa por sua feijoada.

O apelido Popó foi dado por sua mãe, em alusão ao barulho que ele fazia enquanto mamava. O pai era também pugilista, como também três de seus irmãos, um deles, Luís Claudio, foi seu maior incentivador.

Começou na carreira de pugilista aos 14 anos e até conquistar seu primeiro título mundial morava com os pais e irmãos em um pequeno casebre. Foi casado duas vezes e tem seis filhos com cinco mulheres diferentes.

Popó teve sua vida registrada de duas formas, a primeira é uma websérie chamada “Para sempre Popó”, que registrou um pequeno resumo da carreira e da preparação para o que seria a última luta de sua carreira, contra Michael Oliveira.

Em 2013, sua biografia foi escrita pelo jornalista Wagner Sarmento, com o nome Com as Próprias Mãos, além disso, o livro conta com prefácio de Galvão Bueno.

Participou de um reality show em 2016 e de um talent show em 2018, primeiro foi a primeira edição do Power Couple, no qual esteve ao lado de sua namorada Emilene Juarez, que atualmente é sua esposa, com os dois sendo o primeiro casal eliminado.

Em 2018 participou da terceira temporada do Dancing Brasil, da Record TV, sendo o segundo eliminado da competição de dança. No ano seguinte uma série inspirada em sua história de vida e carreira foi lançada.

Irmãos Freitas foi exibida pelo canal Space, transmitida também pela TNT e pode ser vista no Amazon Prime e também no MAX. Criada por Walter Salles e dirigida por Sergio Machado e Aly Muritiba.

“PopodCast – No Ringue com Popó” é um podcast que foi lançado em 2022 e ganhou amplo destaque na imprensa pelas falas de Popó sobre potenciais lutas e provocações com tretas.

Carreira no boxe

Com apenas 1.68 m de altura e pesando cerca de 70 kg, Popó teve uma brilhante carreira no boxe profissional. Como amador, conquistou a medalha de prata no Pan de Mar del Plata, em 1995.

Venceu quatro títulos mundiais, em duas categorias e que foram unificados em duas organizações. Além disso, tem o recorde de maior número de nocautes até conquistar um título mundial, foram 21 nocautes seguidos, ele está empatado com o mexicano Alfonso Zamora.

Carreira amadora

Ainda bem jovem, foi campeão baiano, com apenas 14 anos, depois foi campeão do Norte-Nordeste aos 15 anos e campeão brasileiro com apenas 17 anos. Ganhou a medalha de prata no Pan de Mar del Plata em 1995.

Essa prata é marcante para o Brasil, já que desde 1979, nenhum outro lutador conseguiu disputar uma final de Pan. Com apenas 19 anos, abriu mão de lutar nas Olimpíadas de Atlanta em 1996, por dificuldades financeiras e passou para o boxe profissional.

Carreira profissional

Em 14 de julho de 1995, Popó fez sua estreia profissional, vencendo com um nocaute aos 34 segundos do 1º round, um mês depois, fez sua segunda luta, vencendo novamente por nocaute, em apenas 23 segundos do 1º round.

Esse nocaute foi o mais rápido de sua carreira e um dos mais rápidos da história do boxe. Quase um ano depois, ele fazia sua sexta luta na carreira, no dia 16 de agosto de 1996, e se tornaria campeão peso leve do Mundo Hispano pela WBC.

Todas as lutas foram vencidas por nocaute no primeiro round. Se sagrou campeão título latino da IBF (Federação Internacional de Boxe) em abril de 1997, vencendo o colombiano Arcelio Díaz também no primeiro round.

Sua primeira luta fora do Brasil aconteceu quando ele já tinha um cartel com nove vitórias e nenhuma derrota, todas por nocaute. Venceu o norte-americano Johnny Montantes que era considerado o favorito ao título dos leves.

Essa luta aconteceu em um torneio que impulsionou a fama de Popó para o mundo, após ele vencer o porto-riquenho Edwin Vázquez na final da competição. Em 1998, conquistou o título NABO ao vencer o mexicano José Luis Montes por nocaute.

Em abril de 1999 defendeu esse título que é titulo regional da WBO (Organização Mundial de Boxe) e venceu outro mexicano, Juan Angel Macias por nocaute no oitavo round. Essa vitória fez com que Popó batesse um recorde de Mike Tyson.

Ele chegou a 20 vitórias por nocaute seguidas, Tyson atingiu 19 no início de sua carreira. Popó estava às vésperas de sua primeira luta por título mundial. O primeiro título mundial veio no dia sete de agosto de 1999, em luta disputada na França.

A luta foi contra o lutador do Cazaquistão, Anatoly Alexandrov e valeu o título Mundial super-pena da WBO. Após essa luta, Popó assinou contrato com a Showtime e passou a ter suas lutas transmitidas para os Estados Unidos.

Defesas de título

A primeira defesa de título de Popó aconteceu justamente em sua terra natal, no Estádio da Fonte Nova, onde 40 mil torcedores foram ao estádio para ver o nocaute do brasileiro sobre o nicaraguense Anthony Martinez.

Até janeiro de 2002, quando unificou os cinturões, Popó teve seis defesas de título, contra Anthony Martínez, Barry Jones, Javier Jauregui, Lemuel Nelson, Carlos Alberto Ramon Rios e Orlando Jesus Soto, vencendo todas por nocaute.

Lutas marcantes

No dia 12 de janeiro de 2002, Popó enfrentou Joel Casamayor (26-0 na época), que era o campeão mundial da WBA (Associação Mundial de Boxe) e campeão olímpico de boxe. Popó venceu por decisão unânime dos juízes e unificou os cinturões.

Pouco depois de unificar os cinturões, Popó entrou no ringue mais uma vez para defender seu cinturão e derrotou Daniel Attah que era o número 1 do ranking da WBO e estava invicto até aquela luta.

Em agosto de 2003, uma das lutas mais icônicas da carreira do ilustre lutador brasileiro, contra o argentino Jorge Barrios. O argentino tinha um cartel impressionante de 39-1-1 e sua derrota foi por desqualificação.

Em uma luta memorável, Popó teve dificuldades mas se recuperou e conseguiu nocautear o adversário no 12º round. Confira abaixo a luta e a vitória de Acelino Popó Freitas:

Em janeiro de 2004, Popó voltava à categoria peso-leve e desafiava o lutador do Uzbequistão Artur Grigorian (36-0 na época) que era supercampeão da WBO. Grigorian era campeão desde 1996 e havia defendido seu título 16 vezes.

Popó dominou por completo o adversário e venceu por decisão unânime dos juízes. Nesse momento ele tinha dois títulos mundiais de super-pena (WBA e WBO) e após essa luta campeão mundial peso-leve pela WBO. Veja como foi a luta abaixo:

Em agosto de 2004, Popó tinha um cartel perfeito, com 35 vitórias e nenhuma derrota. Acabou sendo derrotado pelo norte-americano Diego Corrales, perdendo a invencibilidade e também o cinturão da categoria peso-leve da WBO.

Em abril de 2006, enfrentou o americano Zahir Raheem (27-1 na época), que vinha de uma vitória incrível contra a lenda mexicana Erik Morales. A vitória foi por decisão dividida dos juízes em um confronto muito equilibrado.

Popó reconquistava seu título de peso-leve da WBO e era campeão mundial pela quarta vez em sua carreira, chegou a anunciar aposentadoria mas recuou na decisão e afirmou que voltaria a lutar.

Em abril de 2007, teria sua segunda derrota na carreira, para Juan Díaz (31-0 na época) e que era campeão mundial peso leve da WBA. Após o fim do oitavo round, Popó decidiu se retirar da luta e anunciou sua aposentadoria após a luta.

A fim de lutar para mostrar ao seu filho mais novo, Popó resolveu sair da aposentadoria e recebeu o desafio do jovem lutador Brasileiro Michael Oliveira (17-0). Popó dominou a luta e venceu por nocaute técnico no nono round.

Lutas exibição

Popó vem fazendo algumas lutas de exibição nos últimos anos, a primeira delas foi contra o comediante Whindersson Nunes, a fim de promover o boxe para as gerações mais jovens, o que ajudou também o Popó a ser reconhecido pelas novas gerações.

Mais recente, em fevereiro de 2024, Popó enfrentou o campeão do reality show Big Brother Brasil 1, Kléber Bambam. Depois de muita provocação do influencer, ator e fisiculturista,  Bambam foi rapidamente nocauteado por Acelino Popó Freitas. Confira como foi:

Em sua carreira profissional, Popó teve mais de 96% de aproveitamento, tendo vencido 41 das 43 lutas que disputou. Como amador, foram 81 lutas, com 78 vitórias e apenas três derrotas. Ao todo, foram 124 lutas com 119 vitórias e 5 derrotas.

Carreira na política

Em 2010, Popó se candidatou à deputado federal pela Bahia, pelo PRB, Partido Republicano Brasileiro e recebeu 60338 votos, se tornando o primeiro suplente do partido. Com a saída de Mário Negromonte do mandato, ele assumiu como suplente.

Atuando como deputado tem em sua autoria o projeto para instituir no Brasil o Dia Nacional do Boxe, que é celebrado no dia 26 de março. Popó afirmou que fez questão que esse dia fosse celebrado no aniversário de outra lenda do boxe nacional:

Quando fiz o projeto, fiz questão de que o Dia Nacional do Boxe fosse celebrado no aniversário de Éder Jofre.”

Acelino Popó Freitas: história, títulos e vida pessoal [auto_last_update format=[Y]]

Enquanto parlamentar, Popó teve como foco de atuação o esporte nacional, trabalhando incansavelmente para evitar o veto ao MMA na TV e também lutou pela regulamentação do esporte no Brasil.

Sendo deputado em um período com muitos megaeventos esportivos, Popó participou de visitas a estádios em construção ou reforma para a Copa do Mundo de 2014, buscando garantir o legado social.

Esteve envolvido também em discussões importantes para a sociedade brasileira, como a regulamentação dos serviços de telefonia celular, também da regulação de profissões do serviço público e regulamentação do marketing multinível.

Essa última com foco principal em combater e evitar alguns golpes, como o das pirâmides financeiras. Durante o mandato, foi vice-líder do PRB na Câmara e se destacou nas comissões de Esporte, Cultura e Educação.